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Malária provoca centenas de mortes no Cunene

ADELAIDE MUALIMUSI | Ondjiva

A Direcção Provincial da Saúde do Cunene registou, de Janeiro a Dezembro de 2009, um total de 574 mortes hospitalares por malária.
O Hospital Geral de Ondjiva é o que mais óbitos registou em relação a outros centros da província, com 268 casos.

Estão a ser distribuídos mosquiteiros a crianças e mulheres grávidas
Fotografia: Jornal de Angola

A Direcção Provincial da Saúde do Cunene registou, de Janeiro a Dezembro de 2009, um total de 574 mortes hospitalares por malária.
O Hospital Geral de Ondjiva é o que mais óbitos registou em relação a outros centros da província, com 268 casos.
O aumento de águas paradas tem sido apontado como o principal causador da proliferação de mosquitos da malária.
O chefe do Departamento de Saúde Pública e Controlo de Endemias, João Pedro, disse que a direcção da Saúde está preocupada com a situação das cheias, porque a província, nos últimos tempos, tem registado maior número de doenças em consequência das águas estagnadas, como a malária, diarreias, doenças respiratórias, bronquites e várias outras. 
 João Pedro assegurou que a Direcção da Saúde do Cunene tem medicamentos suficientes e está preparada para distribuir mosquiteiros à população. No quadro do Programa Nacional de Controlo da Malária, foram definidas estratégias de combate à doença em todo território nacional, segundo explicou, com a introdução e abastecimento regular às unidades sanitárias de testes de diagnóstico rápido, material e reagentes de laboratório.
O responsável acredita que com o uso de mosquiteiros tratados, a pulverização intra-domiciliar, a fumigação extra-domiciliar, a luta anti-larval e saneamento do meio ambiente, a serem levados a cabo este ano, a população não terá muitos problemas com o paludismo. O Programa tem usado várias estratégias na comunicação com a população, principalmente na zona rural, para o uso de mosquiteiros e o tratamento da água, de forma a evitar outras doenças.
A informação chega à população por intermédio de activistas implantados nos diferentes municípios, acrescentou.         
Todos os técnicos de saúde dos municípios que consultam os doentes têm beneficiado de acções de formação e supervisão no âmbito do Programa da Malária.
João Pedro esclareceu que, no quadro da distribuição nacional de mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração, a província do Cunene recebeu do UNICEF, em Novembro passado, 41.400 unidades para serem distribuídas às crianças menores de cinco anos e às mulheres grávidas. Igual quantidade de mosquiteiros já se encontra nas sedes municipais e a sua distribuição às populações vai ser feita a partir deste mês.
 De acordo com João Pedro, durante o mês de Janeiro deste ano, a província registou 551 casos de doenças diarreicas agudas, distribuídos pelos municípios de Ombadja, com 223, Curoca, com 180, Kwanhama com 78, e Namacunde, com 30.
 Recomendou à população que evite contrair doenças, acatando algumas medidas de prevenção, como lavar as mãos antes e depois das refeições e quando estiverem a usar a casa de banho ou latrinas e a beber sempre água tratada.
 
Raiva

Os Serviços de Veterinária do Cunene registaram, há alguns dias, quatro casos de raiva na comuna do Humbe, município de Ombadja.O chefe de Departamento dos Serviços de Veterinária, Estêvão Kamalanga, afirmou que os casos aconteceram quando os bovinos, que estavam no pasto, foram mordidos por um cão raivoso que ali apareceu, tendo morrido no segundo dia.
Ainda nos últimos dias, a província registou oito casos de pessoas mordidas por animais raivosos, sem no entanto causar mortes.
Estêvão Kamalanga informou que na presente campanha de imunização foram vacinados 3.179 mil canídeos. O veterinário disse que apesar de alguns problemas de logística para o pessoal, a campanha decorre com sucesso em toda a extensão da província. Estão a trabalhar no processo um total de 32 técnicos. O responsável anunciou que está em curso a construção, nos arredores da cidade de Ondjiva, de um hotel-canino. A sua execução está na ordem dos 95 por cento. Acredita-se que no segundo trimestre deste ano o centro esteja concluído. Estas instalações vão dispor de um escritório, um canil e uma sala de eutanásia.  João Pedro, chefe do Departamento da Saúde Pública e Controlo de Endemias no Cunene, disse, por seu turno, que a raiva ainda é uma preocupação de saúde pública, porque atinge o ser humano colocando em risco a sua vida. “É uma doença incurável, transmitida ao homem através de mordedura de cães, gatos, morcegos e macacos, pela inoculação do vírus rábico, contido na saliva do animal infectado”, explicou.

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