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Marcas da guerra deixadas para trás

Dionísio David| Namacunde

Namacunde, no Cunene, beneficiou de vários projectos concebidos pelo Governo, que impulsionaram o seu crescimento nos sectores da Educação, Saúde, Agro-Pecuária, Energia e Águas.

Administradora adjunta lsabel Ndesihafela
Fotografia: Dionísio David

A comuna de Namacunde, no município com o mesmo nome, desde o alcance da paz, em 2002, ganhou vários projectos concebidos pelo governo, o que impulsionou o crescimento da região nas áreas da educação, saúde, energia e águas, agro-pecuária, entre outras.
Segundo a administradora-adjunta da comuna, Isabel Ndesihafela, no período entre 1981 e 1994, a comuna foi completamente destruída em consequência do conflito armado que o país viveu. A conquista da paz, em 2002, trouxe, por isso, muitos benefícios para a população local, tendo sido a partir de então que a comuna começou a erguer-se dos escombros, com resultados que são hoje visíveis.
Assim, o actual estado da comuna de Namacunde é caracterizado pela reconstrução de infra-estruturas nas áreas da educação, saúde, energia e águas, agro-pecuária e saneamento básico.
             
      Educação
 
Ao todo, foram construídas oito escolas de raiz em diferentes aldeias e povoações, estando igualmente em curso a construção de duas escolas na localidade de Santa-Clara e na sede de Namacunde, com nove salas cada uma. No entanto, referiu Isabel Ndesihafela, apesar do desempenho das autoridades locais, a educação é dos sectores que ainda enfrenta inúmeras dificuldades, mormente a cobertura da rede escolar, atendendo ao elevado número de alunos matriculados no presente ano lectivo.
Além disso, para fazer face à actual situação são necessários mais de 100 professores para os diferentes níveis de ensino existentes na comuna. “A falta de empenho dos professores e as constantes ausências dos postos de trabalho têm criado dificuldades ao processo de avaliação periódica”, lamentou. Acrescentou que a inspecção escolar da comuna vai, nos próximos tempos, reforçar as medidas de fiscalização, com o objectivo de combater o absentismo e as ausências nas escolas. 
                    
Rede sanitária
 
A administradora afirmou que apesar da expansão da rede sanitária nas aldeias e povoações, há ainda muito por fazer. A falta de enfermeiros e a escassez de medicamentos nos postos médicos e centros de saúde e outras áreas de maior concentração populacional tem levado a população a deslocar-se à Namíbia. Quanto ao combate contra o VIH/Sida, a Administração Comunal de Namacunde, em parceria com as igrejas e ONG, tem vindo a desenvolver acções de sensibilização sobre a prevenção da doença através de palestras e outras informações dirigidas a jovens e à comunidade rural, por serem as camadas mais vulneráveis. 
Fruto deste trabalho, verifica-se, nos últimos tempos, uma maior afluência de pessoas aos Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV).
           
Energia e água
 
Está em curso a construção de uma conduta de água da sede de Namacunde, no âmbito do programa “Água Para Todos”, numa extensão de 42 quilómetros, cujas obras se encontram em fase conclusiva, prevendo-se a sua entrega nos finais deste mês.  
A comuna de Namacunde beneficia de abastecimento de água de uma pequena conduta a partir da Namíbia, cuja quantidade é ainda insignificante, tendo em conta o actual número de habitantes, ao passo que a população do meio rural tem como fontes alternativas cacimbas, furos e, nalguns casos, represas que servem para o abeberamento do gado.
A comuna recebe igualmente energia eléctrica através da linha de média tensão proveniente da Namíbia.  A administradora-adjunta promete boas colheitas no presente ano agrícola.  “Louvamos os camponeses e autoridades tradicionais locais pelo combate à fome”, concluiu a administradora, para quem as contrariedades que afectaram, no ano passado, boa parte dos campos agrícolas deixaram de ser um problema para a população.
A sede de Namacunde é uma das duas comunas que compõem o município com o mesmo nome e situa-se 30 quilómetros a sul de Ondjiva, capital da província do Cunene e a 10 da fronteira com a Namíbia. 
A sua população está calculada em 63.969 habitantes, que se dedicam à agricultura de subsistência e à criação de gado. Produtos como milho, feijão e  massambala são produzidos na região, bem como hortícolas diversas.

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