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Mau estado das vias provoca avarias nos autocarros

Dionísio David | Ondjiva

Os meios de transporte públicos adquiridos pelo Executivo, há dois anos, no âmbito do programa de melhoria e oferta dos serviços de transporte às populações, têm dificuldades de circulação na província do Cunene, devido o mau estado das vias e à
falta de peças de reposição.

Directora provincial dos Transportes
Fotografia: Dionísio David| Ondjiva

Os meios de transporte públicos adquiridos pelo Executivo, há dois anos, no âmbito do programa de melhoria e oferta dos serviços de transporte às populações, têm dificuldades de circulação na província do Cunene, devido o mau estado das vias e à
falta de peças de reposição.
Em declarações ao Jornal de Angola, a directora provincial dos Transportes, Maria de Fátima Ndilipo, disse que o mau estado das vias de acesso, associado às avarias de grande parte dos autocarros atribuídos ao Cunene, num total de 88, faz com que estejam canceladas algumas rotas em Ondjiva e nos municípios.
A situação levou a Direcção dos Transportes a reunir com as empresas operadoras sedeados nos municípios de Ombadja, Cuanhama, Cahama, Cuvelai e Namacunde, onde foram discutidos aspectos operacionais, sobretudo a necessidade de nomear um concessionário em Ondjiva com capacidade financeira para fornecer peças de reposição e prestar assistência técnica aos autocarros.
Fátima Ndilipo informou que dos 88 autocarros entregues à província em 9009, apenas 23 circulam com regularidade e 40 outros nem sequer entraram em circulação por falta de operadores com capacidade financeira ou falta de matrículas. Os restantes têm problemas mecânicos e falta de peças de reposição. Salientou que não tem o número exacto de autocarros em circulação “por falta de comunicação com algumas operadoras, mas ao que se sabe muitos meios estão paralisados”.
A directora dos Transportes disse que o preço dos bilhetes nas viagens de autocarro são muito baixos e isso faz com que as receitas arrecadadas não satisfaçam as exigências de manutenção dos meios.
Fátima Ndilipo salientou que apesar das dificuldades, tudo tem sido feito para que os poucos meios disponíveis sirvam a população. As operadoras existentes na província, de acordo com a directora provincial, enfrentam problemas como resultado do mau estado das vias, na sua maioria inundadas pelas chuvas que assolam a região e que reclamam uma urgente intervenção.Dadas as especificidades da província, com poucas infra-estruturas rodoviárias adequadas, o tipo de autocarros adquiridos não se adapta ao terreno. Lembrou que a Direcção Provincial tem vindo a promover um trabalho de sensibilização às comunidades sobre a importância da conservação e preservação dos bens colectivos e públicos postos à disposição da população. As tarifas também preocupam a responsável provincial dos Transportes.
A maior atenção tem sido dedicada aos idosos e antigos combatentes e veteranos da pátria dada a sua condição física e social. Reconheceu o empenho que tem sido demonstrado pelas operadoras, que muito têm feito para garantir a circulação dos poucos autocarros em bom estado, apesar das dificuldades.

Insuficiência de receitas

Quanto às receitas arrecadadas para os cofres do Estado, em função do número de autocarros disponíveis, a directora dos Transportes sublinhou que foram insignificantes ao longo dos últimos meses.
Em 2010, apenas 300.000 mil kwanzas entraram na conta do Estado, o que torna cada vez mais preocupante a situação dos transportes públicos no Cunene e a continuar assim, vai exigir a tomada de medidas.

Acções deste ano

Fátima Ndilipo anunciou que o seu sector tem como meta, este ano, construir terminais de transportes rodoviários. Para isso, está a trabalhar com as Administrações Municipais desde o ano passado, para a concessão de espaços.
Afirmou que os terminais rodoviários a serem construídos nos municípios vão ter como objectivo congregar os meios públicos à disposição das operadoras privadas em sistema colectivo, para melhorar os serviços.
Com esta organização é possível exercer maior controlo dos meios existentes e pô-los ao serviço das populações. Consta também das prioridades para este ano, a construção e instalação nos municípios de serviços postais e de correios.
Actualmente, a Direcção Provincial dos Transportes tem registadas 56 viaturas licenciadas para a actividade de táxi e oito operadoras de mercadorias.
Referiu que apesar da regularidade constatada nos serviços de táxis, os utentes de reclamam também melhoria das condições das estradas e pedem às autoridades uma intervenção urgente para facilitar a circulação.
A responsável dos Transportes no Cunene reconheceu que nos últimos tempos, as vias de comunicação na província têm criado sérias dificuldades devido ao seu péssimo estado, causado pelas águas das chuvas.
Em 2009, a província do Cunene recebeu 88 autocarros para transportes públicos, que foram entregues a seis operadoras existentes na província no âmbito das parcerias público-privadas. Grande desta frota encontra-se avariada ou quase paralisada, devido a problemas técnicos por falta de manutenção e de peças de reposição. Na pratica apenas 23 autocarros estão em estado operacional, alguns dos quais com limitações.

 Dificuldades das operadoras

Cândido Monteiro Paulo, operador de uma empresa de transportes públicos, disse à nossa reportagem que o mau estado das estradas, associado às constantes avarias das viaturas e à falta de mecânicos na província estão na origem do quadro sombrioque a sua empresa atravessa.
Inicialmente contava com 28 autocarros e destes apenas cinco operam com regularidade, os restantes estão avariados. A empresa opera nos percursos Ondjiva/Evale, Ondjiva/Nehone e Ondjiva/Santa Clara.
Nos poucos meios que tem a operar regista constantemente problemas de avarias. Por isso diz que é urgente reparar as estradas.
Um problema difícil de superar tem a ver com as peças de reposição já que a empresa fornecedora, a BAMAC, com sede em Luanda, também tem encontrado dificuldades em fornecer peças, o que leva Cândido Monteiro Paulo a recorrer ao mercado da Namíbia. Dadas as dificuldades que a empresa enfrenta, as receitas provenientes do transporte de passageiros baixaram consideravelmente sobretudo a partir dos meados do ano passado e no começo do ano em curso.
E como não bastasse, continuou Cândido Monteiro Paulo, a falta de combustíveis que se tem feito sentir na província do Cunene tem também contribuído negativamente para o rendimento da empresa com todas as implicações que a situação acarreta.

Comportamento dos passageiros

O comportamento dos passageiros nos autocarros tem sido pouco cívico, com registo de casos de agressão aos funcionários, quebra dos vidros e nalguns casos há pessoas que rejeitam pagar a passagem alegando ser um meio do Estado.
Cândido Monteiro sublinhou que acontecem desacatos com frequência por parte de alguns cidadãos no momento de entrar e sair dos autocarros.
E aproveitou para pedir à população, em particular aos jovens, a terem civismo dentro dos autocarros, porque é um bem comum.
A empresa Kunene Valeey Transporte Limitada, a operar na província desde Outubro de 2009, conta com 36 trabalhadores.

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