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Milhares de casos de sida diagnosticados no Cunene

Elautério Silipuleni | Ondjiva

A província do Cunene diagnosticou, desde 2005 até o mês passado, 26.278 casos positivos de VIH/Sida, informou, em Ondjiva, a responsável provincial do programa de luta contra a doença.

Decorrem várias acções que visam combater a propagação da doença e a discriminação
Fotografia: Benjamim Cândido | Edições Novembro


Cândida Alcina disse que, durante o período em referência, foram testadas 425.915 pessoas, de ambos os sexos, nos vários Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária dos seis municípios que compõem a província do Cunene, desde que foi implementado o Programa de Luta Contra a Sida.
Acrescentou que no mesmo espaço de tempo a doença causou 1.707 óbitos e que 16.080 seropositivos aderiram ao tratamento com anti-retrovirais.
Cândida Alcina diz, também, que de Janeiro a Setembro deste ano se registaram  1.110 novos casos de VIH/Sida, com 122 óbitos, e que 39.880 pessoas de ambos os sexos foram testadas.
No mesmo período, de acordo com a responsável do Programa de Luta Contra a Sida, foram registadas 322 mulheres grávidas seropositivas, das quais 173 com partos institucionais e acompanhamento para se evitar a transmissão do vírus da sida antes e durante o parto.
Sem avançar dados comparativos em relação ao período anterior, Cândida Alcina disse que os números registados até ao momento indicam uma diminuição considerável de casos positivos de VIH/Sida na província, fruto da mudança de consciência da população perante a doença, dado que se observa uma maior utilização de preservativos e abstinência, aliada à realização de palestras de sensibilização em unidades militares, escolas, centros de saúde, mercados e outros locais de maior concentração populacional.
“O importante é que o cidadão faça o teste voluntário de VIH, para conhecer o seu estado serológico e, a partir daí, assumir uma conduta diferente”, sublinhou Cândida Alcina, que se mostrou satisfeita pelo fornecimento regular de reagentes e anti-retrovirais, por parte do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INLS), e outros meios para facilitar os trabalhos de prospecção nas áreas mais recônditas.
A província, acrescentou, possui aparelhos CD4 para exames de imunologia, bioquímica e hematológica e diverso material informático.
Quanto ao material de apoio às acções preventivas e de sensibilização, afirmou, a província é abastecida regularmente em preservativos, cartazes, folhetos e manuais de educação sobre VIH/Sida e outras doenças de transmissão sexual.
Sublinhou que a província possui medicamentos suficientes para atender todos aqueles que procuram os Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV), disponíveis em todas as unidades sanitárias do Cunene. Cândida Alcina realçou igualmente as acções de supervisão, formação e actualização de técnicos e o surgimento de organizações não-governamentais, que se dedicam a campanhas de solidariedade e educação da população sobre a doença.

Abandono de tratamento
Apesar da melhoria na assistência aos doentes de VIH/Sida, desde a implementação do Programa Nacional de Luta Contra a Sida, na província do Cunene continua a verificar-se o abandono do tratamento por parte das pessoas infectadas pelo vírus.
Segundo Cândida Alcina, alguns abandonam o tratamento por viverem distante das unidades sanitárias, outros por acharem forte a dosagem prescrita e ainda um outro grupo de pessoas que se diz vítima de discriminação por parte de técnicos de saúde, quando se deslocam aos estabelecimentos de saúde à procura de tratamento.
 “A longa distância que têm que percorrer para o acesso ao medicamento é a causa do abandono em algumas localidades da província”, disse Cândida Alcina.

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