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Milhares de crianças sem acesso ao ensino

Elautério Silipuleni e Domingos Calucipa | Ondjiva

Um total de 31.685 crianças em idade escolar encontra-se fora do sistema de ensino, no presente ano lectivo, na província do Cunene, por escassez de salas de aula e professores, informou, em Ondjiva, o governador provincial.

Estão em curso diversas acções para que todas as crianças possam aprender a ler e escrever
Fotografia: Edições Novembro

Vigílio Tyova garantiu que o Governo do Cunene está empenhado na construção de mais salas de aula, para que, no próximo ano lectivo, possam albergar as crianças que se encontram fora do sistema de ensino.
O governante disse que o problema de falta de salas de aula deve ser anualmente resolvido, a contar com a média de crianças que todos os anos atingem a idade escolar obrigatória.
Disse que, para aumentar o número de salas de aula e diminuir o número de crianças fora do sistema de ensino, está em curso, no âmbito do Programa de Investimentos Públicos, a construção de uma escola de 26 salas, seis de 24 salas e oito de 12 salas de aula. Vigílio Tyova deu ainda a conhecer estar prevista no OGE de 2019 a construção de 169 escolas, com sete salas de aula, bem como 52 escolas com 12 salas em todos os municípios, além da construção de residências para os professores.
Está também prevista a construção de mais lares para estudantes, para garantir que os que terminam o ensino primário nas suas zonas de origem possam ter alojamento em vilas e cidades, para dar continuidade aos seus estudos, em níveis superiores.
Na óptica do governador do Cunene, a actual conjuntura do país tem sido favorável à afluência de muitas crianças à escola, ao contrário de outrora, daí o aumento de alunos no sistema escolar público.
Acrescentou que a livre circulação de pessoas e a abertura de algumas vias  em zonas rurais estão a motivar muitas famílias a levarem os filhos à escola, o que não se verificava há alguns anos. “Infelizmente, não conseguimos corresponder com esta procura, por termos poucos professores”, assinalou. Paralelamente ao reduzido número de professores, Vigílio Tyova aponta o estado precário das salas de aula em várias localidades da província como outro factor que estrangula o ensino no Cunene, pois, argumenta, “sem condições para acomodação dos alunos e professores” não se consegue ter bom aproveitamento.
“Não é possível cobrarmos dos professores e dos alunos, quando não lhes proporcionamos boas condições, para que desempenhem, com sucesso, as suas actividades”, sublinhou.
Vigílio Tyova disse que uma das grandes apostas do seu elenco é garantir que os estudantes tenham ensino de qualidade. Estão  em curso uma série de acções para a melhoria do ensino na província, como o refrescamento constante dos professores, a reabilitação e o apetrechamento das infra-estruturas.

Defendida manutenção dos diques de protecção
O vice-governador do Cunene para o sector Técnico e Infra-estruturas, Feliciano Himulova, considerou, na segunda-feira, a manutenção periódica dos diques de protecção da cidade de Ondjiva contra as inundações, uma necessidade imperiosa para impedir a invasão das águas nas zonas habitadas.
Falando no final de uma vi-sita, aos diques de protecção, o governante afirmou que se torna cada vez mais importante a sua manutenção e as das valas de drenagem, para mitigarem as acções das cheias.
Salomão Himulova destacou que o governo deu início em 2017, ao processo de recuperação dos diques, dos bairros: Pioneiro Zeca, Castilhos e Bangula, que se resume na requalificação e limpeza das valas de drenagem, de modos a facilitarem a evacuação das águas, nos pontos de retenção .A cidade de Ondjiva beneficiou, em 2011, de oito diques de protecção e mais de uma dezena de passagens hidráulicas.
O objectivo foi regular as principais linhas de água decorrentes da Bacia do Cuvelai e evitar inundações, como as que aconteceram em 2009 e que desalojaram mais de duas mil e quinhentas pessoas.

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