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Móveis de madeira ganham espaço

Adelaide Mualimusi | Ondjiva

O fabrico artesanal de móveis na província do Cunene está a ganhar espaço, com o aumento da procura, numa altura em que a importação de artigos de madeira a partir da vizinha Namíbia sofreu um agravamento das taxas aduaneiras.

Fabrico de sofás e outros artigos aumentou e clientes deixaram de recorrer à Namíbia
Fotografia: Venâncio Amaral|Ondjiva

Jorge da Costa, proprietário de uma carpintaria situada no Bairro Castilhos, na cidade de Ondjiva, disse que muitas pessoas preferem móveis artesanais, devido à qualidade e a durabilidade da madeira empregue. “Fazemos tudo aqui, neste nosso cantinho. Trabalhamos a madeira, montamos os artigos, envernizamos e depois vendemos”, salienta Jorge da Costa, acrescentando que, com mais apoio, o negócio pode evoluir para uma grande marcenaria e reduzir as importações.
Segundo o carpinteiro, o fabrico de sofás e outros artigos na cidade de Ondjiva, nas oficinas artesanais, subiu muito e os clientes deixaram de comprar na Namíbia portas de madeira, mesas, cadeiras e janelas.
A aquisição de madeira de qualidade é difícil, porque a aquisição é feita no mercado informal.O marceneiro tem como sonho um espaço maior. A sua carpintaria emprega dez jovens e fabrica mesas, cadeiras, guarda-fatos, armários, secretárias, camas, sofás, com preços que variam entre os 20 mil e os 70 mil kwanzas.
  Filipe Bueno Makaya, gerente da “Moveis e Decorações”, no bairro Kafito II, em Ondjiva, diz que os meses de Janeiro e Fevereiro são épocas em que os clientes escasseiam. A marcenaria existe há 18 anos e agora só faz artigos por encomenda.

 “Móveis e Decorações”

Uma mesa com seis lugarespode levar uma semana, assim como uma cama, enquanto o jogo de sofás faz duas semanas.
Makaya diz que os preços variam entre 30 e 90 mil kwanzas e garante que os seus produtos duram mais de 20 anos.
“As madeiras que usamos vêm de alguns locais de Ondjiva. Não temos fornecedores para ferramentas e os acessórios. O contraplacado para a produção de mobília também não aparece. Se tivéssemos todos os equipamentos necessários, o nosso trabalho estaria mais facilitado e aumentaríamos a produção”, sublinha Filipe Makaya. Paulo Jorge, que fazia o levantamento de uma cama na marcenaria “Móveis e Decorações”, disse ser melhor adquirir o produto local do que o importanto, por ser muito mais resistente.
Também Manuel Martins, residente em Ondjiva,diz que o nacional é melhor. “Muitos cidadãos têm preferência por produtos estrangeiros, pelas suas características de decoração e efeitos, mas o produto nacional é muito melhor, devido a sua resistência”, afirma.
Para Jaime Dumbo, vendedor de madeira no mercado informal do Chomukwiu, este é um negócio “um pouco difícil”, porque tem de comprar a madeira na província de Benguela para revender em Ondjiva. Nesta época chuvosa, a espécie que mais compra é o eucalipto, por ser um tronco longo e que pode servir de posto de electricidade.

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