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Novas infra-estruturas transformam Ondjiva

Domingos Calucipa | Ondija

As obras de construção dos novos edifícios do Governo provincial, do Palácio, da Casa da Cultura e da praça pública no centro da cidade de Ondjiva estão a transformar, de forma positiva, a imagem da capital da província do Cunene, o que alegra os habitantes.

O Governo Provincial do Cunene está a investir milhões de kwanzas em obras para melhorar a qualidade de vida da população
Fotografia: Domingos Calucipa | Ondija

Anteriormente caracterizada por construções precárias e uma dúzia de edificações da era colonial caducas, a cidade de Ondjiva procura, passo a passo, inverter o estatuto de simples zona de trânsito de gente que visita a vizinha República da Namíbia e está agora a transformar-se num ponto de atracção de visitantes.
Iniciados em meados do ano passado, pela construtora OMATAPALO, os edifícios ganham forma dia após dia, onde o ferro e o betão dão consistência à sua execução física e ao desafio lançado pelo Governo local, que visa a construção de infra-estruturas definitivas e mais dignificantes.
São obras que ao combinarem com os passeios e a malha viária do casco urbano recentemente reabilitados tornam a urbe irreconhecível no sentido positivo, sobretudo para quem deixou de a visitar há mais de cinco anos.
O Governo investiu mais de 2,585 mil milhões de kwanzas, no âmbito do Programa de Investimentos Públicos para 2013.
Considerado como o mais emblemático entre as quatro obras, o edifício sede do Governo comporta cinco pisos e está orçado em 991.826.189 milhões de kwanzas, estando situado no coração da cidade, no mesmo espaço das ruínas do anterior palácio do governo, destruído pela acção da guerra. A infra-estrutura, cujas obras têm duração prevista para 14 meses, está a ser projectada numa área de 1.286,14 metros quadrados e tem o formato de um U, destacando-se dos demais que compõem o tecido urbano.
O edifício reserva o terceiro piso para o governador, o segundo para os vice-governadores, o primeiro para gabinetes e o restante espaço é para auditório com 151 lugares, restaurante para 80 lugares, instalações sanitárias de apoio, balneários, entre outros espaços de lazer.
Já o edifício do palácio do governo, que conta com um piso e em fase mais adiantada, é um investimento de 993.458.051 milhões de kwanzas e está a ser erguido numa área de 24.600 m2, próximo ao futuro edifício do governo. A infra-estrutura vai contar com uma zona destinada ao convívio, lazer, reuniões, refeições, entre outros aspectos ligados à vivência quotidiana do governador, outro espaço de serviços sociais, bem como aposentos, que compreendem nove suites, 11 quartos, sala de estar e ginásio.
O projecto de construção da futura praça de Ondjiva estende-se numa área de aproximadamente 38.900 m2, onde está prevista uma escultura do Rei Mandume ya Ndemufaio.
A praça central possui uma localização privilegiada no percurso entre o aeroporto e o túmulo do Rei Mandume, na localidade de Oihole, traduzindo-se assim num ponto de referência da província, no contexto do Projecto de Valorização e Divulgação das Figuras Históricas de Angola, coordenado pelo Ministério da Cultura.

Munícipes satisfeitos

Os habitantes da cidade de Ondjiva têm se manifestado encantados com as obras em execução, que estão a melhorar o panorama arquitectónico da localidade.
Para o pastor António do Amaral, da Igreja Pentecostal Fé e Libertação, as edificações que nascem um pouco por toda a parte da capital da província são o fruto da paz reinante e da vontade dos governantes de ver melhoradas as condições de vida da população. “É um desafio muito grande. Tenho dito aos fiéis que como igreja que somos o nosso dever não é criticar porque as coisas não são feitas de um dia para o outro, é preciso saber que o governo precisa planificar e depois executar”, disse o pastor.
A residir em Ondjiva há seis anos, o líder religioso afirmou que quando chegou encontrou uma capital de província ainda crítica em termos de infra-estruturas e serviços do Estado.
Na sua opinião, o quadro mudou radicalmente com a mudança de governação na província. “Quando cá cheguei havia apenas uma única escola do I ciclo e uma do II ciclo e não havia ensino superior. Hoje temos mais escolas, mais centros de saúde, temos estradas, passeios e esgotos melhorados, a água canalizada já chega a grande parte das nossas casas. Tudo isso antes era uma dor de cabeça”, reconheceu.
Ondjiva hoje tem uma das melhores energias, se não a melhor do país, proveniente da República da Namíbia. A água canalizada é também uma realidade.
A capital beneficiou no final do ano passado do maior projecto da província de todos os tempos, com a extensão de uma tubagem a partir do rio Cunene, num percurso de 97 quilómetros, que aliado aos programas de fomento habitacional e a melhoria do saneamento básico elevam o nível de vida dos seus habitantes.
O pastor disse que a sua igreja tem passado a mensagem aos fiéis, na qualidade de serem parte da população beneficiária, no sentido de participarem na conservação dos equipamentos ao seu dispor.
O comerciante Januário Capata admite que no domínio empresarial observa-se na cidade de Ondjiva um grande crescimento, onde assinala a abertura de padarias, lojas e principalmente empresas de construção civil.

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