Províncias

O arregaçar das mangas

Manuel Feio

Depois do revés causado pelas últimas chuvas, a província do Cunene já arregaçou as mangas para transformar a região e devolver a alegria aos seus habitantes.

Depois do revés causado pelas últimas chuvas, a província do Cunene já arregaçou as mangas para transformar a região e devolver a alegria aos seus habitantes. Para trás fica o rasto de sofrimento provocado pela fúria das águas (as inundações foram as piores registadas nos últimos três anos) e da estiagem: casas destruídas, milhares de famílias desalojadas, lavras devastadas e a morte de gado bovino no meio rural.
A preocupação das autoridades locais com o quadro dramático que as enxurradas deixaram no início do ano deu lugar a uma mão cheia de projectos, que permite encarar o futuro com mais optimismo. A reportagem do Jornal de Angola esteve no terreno e confirmou que o edifício do progresso está a ser erguido em todos os sectores.
O governo provincial lançou mãos à obra e os resultados são visíveis tanto na capital da província quanto nas áreas mais recônditas. Redes escolar e hospitalar renovadas, serviços hoteleiros em expansão, abastecimento de água e fornecimento de energia eléctrica melhorados.
Numa província onde a saúde é considera “estável” e as novas escolas permitem a entrada de milhares de crianças no ensino, o grande objectivo é melhorar a qualidade de vida da população, que passa pelo combate à fome e pela segurança alimentar.
Na entrevista que concedeu ao Jornal de Angola, o governador provincial fala com o optimismo de quem conhece bem os cantos da casa há já quatro anos. António Didalewa refere as inundações como factor de estrangulamento à execução dos programas concebidos pelo governo, das soluções definitivas para as estancar, como a construção de diques de protecção à volta da cidade, do trabalho de infra-estruturação e da estratégia para a agro-indústria. Mais: dos benefícios directos para a província do Cunene do comércio fronteiriço e do fomento habitacional.
Para atingir a qualidade de vida que se pretende as atenções devem estar também voltadas à formação do Homem. E disso o Cunene não abriu mão: os centros de formação profissional e pavilhões de artes e ofícios estão a disseminar o conhecimento nos municípios e comunas, preparando técnicos para servir no desenvolvimento da província. As estatísticas estão aí: mais de cinco mil jovens formados em diversas especialidades nos últimos dois anos. Funcionários do aparelho do Estado também beneficiam da formação, no aperfeiçoamento das novas técnicas e na requalificação contínua.
Claramente, trata-se de uma aposta crucial, nesta fase de reconstrução e desenvolvimento, onde todos os cidadãos são chamados a dar o seu contributo.
Ainda assim, reconhece-se que ainda é longo o caminho a percorrer, grandes os obstáculos a transpor, para que as gentes da terra de Kwanhama alcancem o pleno desenvolvimento. Mas as mangas já estão arregaçadas!
* Director Executivo

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