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Ombadja está próximo do sonho de ter todas as crianças a estudar

Domingos Calucipa| Xangongo

O município de Ombadja, uma das circunscrições mais populosas e economicamente estratégicas da província do Cunene, está muito próximo de se livrar do fenómeno de crianças fora do sistema normal do ensino, fruto dos êxitos que está a ter com a execução da sua politica de construção massiva de salas de aulas em todas as localidades.

 
O município de Ombadja, uma das circunscrições mais populosas e economicamente estratégicas da província do Cunene, está muito próximo de se livrar do fenómeno de crianças fora do sistema normal do ensino, fruto dos êxitos que está a ter com a execução da sua politica de construção massiva de salas de aulas em todas as localidades.
Nos últimos três anos o município obteve conquistas significativas no que respeita aos esforços de redução de crianças fora do sistema de ensino. Até 2010, o número de crianças privadas do ensino oficialmente controladas apontava para 3.600, enquanto no presente ano lectivo o mesmo caiu para 1.620 petizes, o que reflecte o empenho das autoridades.
Escolhido como uma das principais prioridades do município, no quadro do Programa Integrado Municipal de Desenvolvimento Rural e Combate a Pobreza, o sector da educação tem vindo a conhecer melhorias assinaláveis, principalmente no que toca a disposição de mais infra-estruturas escolares definitivas e ao aumento do numero da população estudantil.
No ano passado o município ganhou uma escola de 12 salas na sede da comuna do Humbe, uma de seis salas na localidade de Chipeque e outra tambem de seis salas em Xangongo, o que permitiu matricular no presente ano lectivo mais de 45.909 mil alunos.
Alem destes estabelecimento, está também em curso a construção de mais uma escola de seis salas em Xangongo, sede do município.
O desafio de aumentar o numero de salas de aulas para enquadrar mais alunos no ensino não tem se resumido apenas nas infra-estruturas erguidas pelo governo. A administração do município tem estado a apelar as autoridades tradicionais e as igrejas, no sentido de as próprias autoridades tradicionais participarem com a construção de escolas precárias com material local, nas zonas onde o governo ainda não conseguiu colocar escolas definitivas.
“O que nós queremos é que todas as localidades tenham salas de aulas, não importa de que meios são construídas, tem havido receptividade pelas autoridades tradicionais. As igrejas tambem têm ajudado bastante na criação de mais espaços educativos em todas as localidades do município”, assegurou o administrador municipal de Ombadja, Manuel Domingos Tabí.
Com uma extensão territorial de 12.264Km² e uma população estimada em 221.693 habitantes, o município conta com 193 escolas, sendo 181 do ensino primário, nove do ensino secundário do Iº ciclo e três do IIº ciclo do ensino secundário. Desse total, 61 são de construção definitiva e 132 de construção precária, asseguradas por um universo de 1.354 docentes.
Uma das conquistas alcançadas pelas autoridades no sector da educação é sem duvidas a redução do número de crianças que atravessam a fronteira para estudar na vizinha Namíbia, por falta de escolas do lado angolano, já que o município partilha uma vasta fronteira com esse país.
O administrador municipal disse que muitas dessas crianças deixaram de atravessar a fronteira e já estudam em Angola porque foram construídas escolas nas localidades do município situadas ao longo da fronteira com a Namíbia.
“Uma das preocupações é expandirmos o ensino ao longo da fronteira. No passado não se fazia sentir escolas e muitas das nossas crianças viam-se obrigados a estudar na Namíbia. Tivemos que reverter as coisas há dois ou três anos para cá, expandimos o ensino ao longo da fronteira, e hoje vemos crianças a regressarem para o país para estudar”, destacou Manuel Tabí.
 
Quadro sanitário
 
Sendo o município, um dos pioneiros experiência do Programa Integrado Municipal de Desenvolvimento Rural e Combate a Pobreza, iniciado este ano, depois do Programa de Gestão Municipal, terminado em 2010, o sector da saúde no município de Ombadja continua a merecer uma atenção especial, principalmente no que diz respeito a assistência medico-medicamentosa.
Nos últimos três anos os serviços de saúde chegaram em varias localidades, com a construção de postos e centros de saúde, com destaque para a comuna do Ombala-yo-Mungo, na fronteira com a Namíbia, concretamente nos marcos 5,5; 7; 9; 10 e 12,5.
Foram construídos tambem postos de saúde nas localidades de Kafu, de Cakhonda e de Naulila.
No quadro do novo programa, o administrador afirmou que outros estabelecimentos de saúde estão para nascer, sobretudo naquelas zonas longínquas, com carências de assistência sanitária.
Em curso está igualmente a reabilitação total do Hospital Municipal de Xangongo. As obras andam na sua segunda fase. Foram já reabilitadas as duas naves, assim com foram adquiridas placas solares que estão a fornecer energia eléctrica a unidade.
O hospital tem capacidade de 120 camas e estuda-se a possibilidade de aumentar a sua capacidade.
Actualmente a rede sanitária é composta por dois hospitais, nove centros de saúde e 21 postos de saúde, para alem de 14 centros de aconselhamento e testagem voluntária de HIV. Estas unidades são atendidas por seis médicos e 230 enfermeiros.
As doenças mais frequentes no município são as diarreicas, doenças respiratórias, malária, de transmissão sexual, sarna e febre tifóide.
Dentro do Programa de Combate a Fome e a Pobreza, está tambem o programa de cuidados de saúde, com fundos disponíveis, que tem permitido a aquisição de equipamentos e medicamentos para os postos de saúde. Está em incluso tambem um pacote de formação de parteiras tradicionais.
O programa abrange igualmente as campanhas de vacinação contra a poliomielite e outras endemias, combate ao HIV/Sida.
O administrador do município assegurou que com o programa da saúde já não se atravessam muitos problemas como era no passado. O mesmo veio minimizar muitas dificuldades, inclusive, está a permitir a reabilitação de postos de saúde e a formação do pessoal.

Agricultura, pecuária e pesca

O município de Ombadja é um dos maiores centros pecuários da província, possuindo, um efectivo de 304.780 bovinos, 264.090 caprinos, 24.298 suínos, para além de outras espécies.
A circunscrição conta com 223 cinturas verdes e 28 fazendas, entre agrícolas e pecuárias e tem uma área reservada com 1.368,7 hectares para as cooperativas agrícolas, no âmbito da Agricultura Colectiva, de combate a fome no seio das comunidades.
Este ano, 375 famílias foram afectadas pelas cheias a nível do município, totalizado 2.530 pessoas. Na sua maioria são aquelas que residem ao longo do rio Cunene, já que o mesmo transbordou num raio de sete quilómetros, atingindo tambem cerca de 195 lavras.
O administrador disse que algumas zonas tambem ficaram afectadas parcialmente, mas nada afecta a segurança alimentar do município.
A Administração do município projecta a aquisição de três tractores para as cooperativas agrícolas de Calueque, Xangongo e Naulila e aquisição de sementes diversas e outros insumos agrícolas para fomento da agricultura. Vai ainda adquirir 150 caprinos para apoio a 25 famílias vulneráveis da comuna de Ombala-yo-Mungu para criação, bem como duas carrinhas de duas toneladas cada para o apoio ao escoamento de produtos agrícolas em Naulila.
A pesca tambem tem lugar no município. Há dois anos foi lançado um projecto de fomento a actividade com distribuição de canoas e redes, e hoje estão a surgir os resultados, com capturas significativas.
Existem três cooperativas distribuídas em Kalueque, Mucope e em Xangongo.
O seu maior problema tem sido o escoamento. Eles pedem apoios para encontrar formas de escoar o pescado para a cidade.
O administrador adiantou que a Administração propôs-se a adquirir uma carrinha frigorifica para apoiar, numa primeira fase a cooperativa que mais tem se destacado na captura do peixe.

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