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Ondjiva tem várias escolas superlotadas e degradadas

Elautério Silipuleni | Ondjiva

Várias escolas do ensino primário da cidade de Ondjiva, município do Cuanhama, na província do Cunene, apesar de estarem em avançado estado de degradação, estão superlotadas de alunos e com falta de carteiras, o que dificulta o processo de ensino e aprendizagem.

Autoridades locais continuam a traçar estratégias para melhorar o processo de ensino
Fotografia: Edições Novembro

O Jornal de Angola visitou as escolas do ensino primário de Kapakupaku, Oshomukuiyu, Rei Nande, escola primária número 56, dos Castilhos e a do ensino especial Rainha Nekoto, onde constatou que, além da falta de salas de aula, professores e carteiras para albergar o elevado número de alunos, o avançado estado de degradação é outra situação que preocupa as direcções das referidas escolas.
Para resolver o problema de sobrelotação as escolas precisam urgentemente de mais salas de aula e professores, assim como é necessária a reabilitação das infra-estruturas.
Em muitas escolas visitadas pela nossa reportagem, a copa  das árvores e alguns corredores vão servir de abrigo, para que muitas crianças não fiquem sem estudar no presente ano lectivo.
“A situação é grave e muito séria. Não podemos continuar a olhar impávidos e serenos para as nossas crianças, expostas permanentemente ao perigo. O pior é que esta situação já se arrasta há muitos anos”, disse Cirilo Hilikalele, director da escola primária de Oshomukuiyu.
O responsável referiu que existem alunos de dez turmas da iniciação e da quarta classe que estudam debaixo das árvores e nos corredores da escola, problema que pode ser resolvido com mais doze salas e 24 novos professores.

Carteiras em falta
Todas as escolas que a nossa reportagem visitou têm crianças a estudar nos corredores e debaixo das árvores. Nestes estabelecimentos é possível encontrar salas que albergam entre 70 a 85 alunos, quando o normal é 35.
Já o director da escola Kapakupaku, Afonso Nghishitende, diz que a escola tem um pátio vasto, onde podem ser erguidas várias salas, não compreendendo porque é que as autoridades até agora ainda não passaram dos planos à execução, porque em cada ano lectivo novos alunos são inscritos, apesar de não haver mais lugares.
A falta de carteiras, portas e janelas nas salas de aula, quadros danificados e paredes sujas constitui um  cenário desolador em grande parte das escolas do ensino primário da cidade de Ondjiva. Os alunos são obrigados a trazer de casa cadeiras, latas de leite ou outros meios para se sentarem. Os professores dão aulas de pé, porque também não têm onde escolher. A escola não tem secretária e o director não tem gabinete próprio. O espaço reservado à secretária é ao mesmo tempo gabinete do director, sala dos professores e arrecadação, onde são guardados todos os documentos, incluindo as provas dos alunos.

Absentismo e vandalismo
O director da escola primária de Oshomukuiyu afirmou que já se começa a observar o crescimento do absentismo e um baixo rendimento escolar das crianças, principalmente as que estudam debaixo das árvores e nos corredores, porque durante as aulas eles prestam mais atenção à  rua.
Outra situação que está a tirar o sono às direcções destas instituições escolares tem a ver com as acções de vandalismo protagonizadas no período nocturno e à luz do dia por elementos desconhecidos, que saqueiam portas, janelas, vidros, carteiras e quadros das escolas.
A vandalização e roubo constante dos bens das escolas, muitas destas sem vedação, preocupa a população da região, bem como as autoridades administrativas, que apelam à intervenção da Polícia Nacional, na prevenção do crime.
A directora municipal da Educação, Carlota Benvindo, disse que a Administração Municipal e as autoridades policiais da província estão a estudar formas de pôr fim aos actos que prejudicam a comunidade estudantil.

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