Províncias

Os prejuízos em números

Das inundações que há quatro anos fustigam a província do Cunene, deixando um rasto de destruição de habitações e infra-estruturas sociais, mortes e desalojamento de pessoas, existe um balanço algo de arrepiar.

Das inundações que há quatro anos fustigam a província do Cunene, deixando um rasto de destruição de habitações e infra-estruturas sociais, mortes e desalojamento de pessoas, existe um balanço algo de arrepiar. O drama das populações do Cunene começou em 2008. Nesse ano, as inundações afectaram 45.875 famílias, num total de 345.614 pessoas. Deste número, 14 mil tiveram que ser reassentadas em dois centros de deslocados na cidade de Ondjiva, município do Kwanhama. Três mil 935 casas foram destruídas, enquanto 33 escolas ficaram paralisadas. Um ano depois, em 2009, 520 escolas viriam a ficar paralisadas por quatro meses, afectando 89 mil 180 alunos em toda a província. Cento e seis postos de saúde e nove mil 867 casas foram danificados e 220 lavras inundadas. Nesse ano, catorze pessoas morreram por afogamento. Em 2010, as inundações desalojaram 12 mil 949 pessoas. Três mil 300 famílias (23 mil 620 pessoas) ficaram afectadas, 962 lavras danificadas e 100 cabeças de gado bovino morreram. Este ano 535 pessoas foram desalojadas pelas inundações. Esse número representa 174 famílias. Outras 8 mil 465 famílias (49.295 pessoas) ficaram afectadas. Nove pessoas morreram por afogamento e outras onze por descargas atmosféricas. Como consequência da destruição de 132 escolas, dois mil 349 alunos foram afectados. Até agora há o registo de 5 mil 787 lavras inundadas e a morte de 783 cabeças de gado bovino.
Desde 2009 a esta parte que se verifica o impacto positivo deste projecto, que foi monitorado pelo Gabinete Técnico para as infra-estruturas e regulação da bacia hidrográfica do rio Cuvelai, que é o principal depositário de águas que invadem a cidade de Ondjiva, particularmente, devido  a interrupção do seu perfil longitudinal na periferia da comuna do Evale, a 60 quilómetros de Ondjiva.
Com os diques de protecção a água que vem da comuna do Evale encontra protecção e, logo, passa e vai directamente para o município de Namacunde e daí para a República da Namíbia. Cuvelai tem, pois, esta especificidade. Os rios não são desassoreados, o que levanta obstáculos à fluidez das águas.
Este é um dos grandes constrangimentos para o centro e periferia da cidade de Ondjiva, pois as águas pluviais não têm para onde escoar-se, por ausência de valas de drenagem. Quando chove há charcos por todo o lado, visualizando-os melhor por via área, o lençol freático sobe e cria sérios problemas para o acesso à periferia. Não existem valas de drenagem que escoem as águas pluviais para o leito dos diques de protecção.
Perante esse quadro, no Cubati 208 famílias, num total de 1.375 pessoas, foram afectadas pelas inundações, conforme atestam os dados a que tivemos acesso no centro de coordenação operacional da protecção em Ondjiva.
Nessa localidade 1.115 alunos deixaram de frequentar as aulas, como resultado da desactivação, pelas inundações, de 21 escolas. Na comuna do Calonga os números das inundações são mais elevados. Até agora foram contabilizadas 4.110 pessoas.
O inspector dos bombeiros, com quem o Jornal de Angola sobrevoou vastas zonas inundadas do Cuvelai, descreve a situação das comunas do Cubati e Calonga como particularmente críticas: “são áreas que ficaram completamente isoladas em consequência das inundações e lá só se chega por via aérea”. Ainda no Cubati, pelo menos 168 lavras ficaram todas inundadas e 611 animais morreram, segundo dados disponíveis no entro de coordenação operacional do serviço de protecção civil e bombeiros. E como um mal nunca vem só, na comuna do Cubati os jacarés estão a tirar o sono aos habitantes. Contam-se histórias de arrepiar, como as de pessoas que foram devoradas por jacarés do rio Kubango. Até agora, o número de pessoas mortas já vai em seis. Um dia antes da nossa chegada, uma criança acabava de ser comida por jacarés, como contou o soba da localidade, Manuel Paihama.
“Aqui, os jacarés estão a fazer emboscadas e ir sozinho ao rio se torna mesmo muito perigoso”, refere Paihama.

Ombadja e Curoca
 
Menos crítica parece ser a situação das inundações no município de Ombadja, onde, na comuna do Xangongo, apenas foram afectadas 386 pessoas de 37 famílias. No Humbe 510 pessoas, representando 90 famílias, ficaram desabrigadas, enquanto no Mucope 2.062 pessoas foram afectadas pelas inundações quando o rio Cunene transbordou para um perímetro de cinco quilómetros “varrendo, desta forma, tudo o que encontrava pela frente, o que dificultou muitas das vezes os trabalhos da corporação de bombeiros”, no dizer de Paulo Kalunga. Preocupações com as inundações estão também no município do Curoca, onde foram assinaladas a destruição de 66 lavras e 462 pessoas afectadas. Aqui, destaque, também, para as sete pessoas que morreram por descargas atmosféricas.

Tempo

Multimédia