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Penúria alimentar constitui um risco

Dionísio David | Ondjiva

O governador do Cunene, António Didalelwa, anunciou que cerca de 460 mil pessoas e um milhão de cabeças de gado estão em risco de penúria alimentar na província, devido à estiagem que assola a região.

Milhares de animais não resistem a seca
Fotografia: João Gomes |

António Didalelwa, que falava durante a primeira sessão extraordinária do Governo Provincial que analisou a situação da seca e da fome que afecta a região e o Orçamento Geral do Estado revisto para este ano, considerou bastante assustadores os dados recolhidos nos seis municípios da província.  
“Os dados são bastante assustadores. Temos 460 mil pessoas em risco de penúria alimentar e um milhão de cabeças de gado com carência de capim e água”, disse António Didalelwa, acrescentando que este ano pode ser pior em relação a 2013, em que mais de 800 mil pessoas foram afectadas pela seca.
Para fazer face à situação, o Governo Provincial tem estado a recolher toneladas de milho em grão para a população mais necessitada nas áreas mais atingidas, como as dos municípios da Cahama, Curoca e Ombadja. De igual modo estão também afectadas as localidades de Mahenge Wamukulu e Mahenge Washivovo, comuna de Mucope, que faz fronteira com a província da Huíla.
As autoridades têm envidado esforços na aquisição de cereais, com vista a acudir as milhares de pessoas afectadas e que não possuem recursos financeiros e alimentares. As comunas do Evale, Nehone e Kafima, no município do Cuanhama, e algumas áreas que se situam a Leste e Oeste do município de Namacunde também enfrentam situação de seca e fome. Para minimizar a situação, o Governo Provincial passou a abastecer água às populações através de cisternas.
António Didalelwa lembrou que a compra de cereais faz parte do plano de contingência do Governo Provincial, tendo em atenção a dramática situação que se adivinha. Os empresários também se associaram à causa.
Neste momento, trabalha-se para se conseguir mais recursos financeiros para a compra de produtos, tendo em conta que o número de pessoas que necessitam de assistência alimentar sobe cada vez mais.
O governador António Didalelwa mostrou-se pessimista quanto à campanha agrícola 2015, devido à prolongada estiagem que se faz sentir na região e disse que mesmo que chova durante o mês de Abril, as colheitas estão seriamente comprometidas.
“Caso tenhamos chuva na província nos próximos tempos e em grande escala, isso pode ajudar a aliviar o sofrimento das populações, sobretudo das zonas rurais, as que mais sofrem com a falta da água”, notou.

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