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Polícia Fiscal intensifica o cerco

Domingos Calucipa | Ondjiva

A Polícia Fiscal na província do Cunene vai intensificar as medidas de controlo ao longo da fronteira entre Angola e Namíbia e na principal via que liga Santa Clara ao resto do país, de forma a combater a fuga ao fisco, uma prática que ganha espaço por causa do aperfeiçoamento das suas técnicas. 

Comandante provincial da Polícia Fiscal
Fotografia: Domingos Calucipa |Ondjiva

A Polícia Fiscal na província do Cunene vai intensificar as medidas de controlo ao longo da fronteira entre Angola e Namíbia e na principal via que liga Santa Clara ao resto do país, de forma a combater a fuga ao fisco, uma prática que ganha espaço por causa do aperfeiçoamento das suas técnicas. 
De acordo com o comandante da Unidade da Polícia Fiscal no Cunene, o superintendente-chefe Bento António, “não tem sido fácil destrinçar quem na verdade compra um produto na Namíbia para consumo próprio e quem o adquire para fins de comércio”.
Bento António disse que a população da província do Cunene compra tudo na vizinha Namíbia, desde a alimentação, ao vestuário, electrodomésticos, entre outros. Devido à fiscalização, acrescentou, muitos importadores aperfeiçoaram as técnicas de fazer passar as suas mercadorias no posto de controlo. Em vez de transportarem os produtos em viaturas de carga, utilizam mulheres que as fazem passar em pequenas quantidades, amarradas às costas, como se de bebés se tratasse. Posta no lado de Angola, depois de atravessarem todas as barreiras, a mercadoria é carregada em viaturas para os estabelecimentos de venda.
O comandante da Polícia Fiscal disse que os produtos que têm como destino Santa Clara, Namacunde, Ondjiva e outras localidades próximas e muitas vezes escapam à fiscalização, enquanto os que vão para o interior do país têm sido apreendidos no posto fixado na vila de Xangongo. “Artigos pequenos nós deixamos passar sem qualquer impedimento, mas acontece que existem importadores que utilizam mulheres e adolescentes para transportar os seus produtos, artigo por artigo, até toda a mercadoria entrar no país, para não pagar os direitos aduaneiros”, realçou Bento António.
Falando em alusão aos festejos do 14º aniversário da Polícia Fiscal, comemorado no sábado em todo o país, Bento António afirmou que a fuga ao fisco é uma prática que prejudica o Estado e que deve ser banida de todas as formas.
O responsável da Polícia disse que ao longo destes 14 anos a Polícia Fiscal adquiriu muita experiência. Foram inúmeras missões cumpridas com o objectivo de combater principalmente a fuga ao fisco.
Referiu que a fiscalização se tem cingido mais ao longo da fronteira, nos principais pontos de passagem de mercadorias e também no interior, onde a fiscalização aduaneira também exige, já que muitas mercadorias partem da fronteira escapando a inspecção.
 “Foram inúmeras as apreensões efectuadas, tanto de mercadoria, como de viaturas, assim como de valores monetários de pessoas que atravessam a fronteira com somas superiores ao estipulado pelo Banco Nacional de Angola”. A Polícia Fiscal registou nos últimos 20 dias, durante uma operação, 70 infracções de contrabando e seis transgressões cambiais, que resultaram na apreensão de diversas mercadorias e quantias monetárias no valor de 220.190 mil dólares americanos. Entre as mercadorias confiscada fazem parte 1.842 peças de roupa diversa, 629 telemóveis, 357 carregadores de telemóveis e 355 auscultadores de telemóveis.
Foram também confiscados 108 fatos olímpicos, 250 rádios, 118 caixas de whisky, entre outras quantidades de calçados, discos, cortinas e roupa de cama.

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