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População do Cunene recorda rei Mandume

Quinito Kanhamen e Domingos Calucipa | Ondjiva

 São passados 93 anos desde a morte em combate, a 6 de Fevereiro de 1917, na Embala de Oihole, sudoeste de Namacunde, do rei Mandume Yandeumufayo. Nascido em 1892, na localidade de Embulunganga, no Kwanhama, filho de Ndemufayo e de Ndapona, Mandume subiu ao trono aos 20 anos, e reinou entre 1911 e 1917 no século XX, como chefe supremo da tribo Kwanhama. Era um homem inteligente e corajoso e decidiu pôr fim à vida.

O rei morreu em combate há 93 anos
Fotografia: Jornal de Angola

 São passados 93 anos desde a morte em combate, a 6 de Fevereiro de 1917, na Embala de Oihole, sudoeste de Namacunde, do rei Mandume Yandeumufayo. Nascido em 1892, na localidade de Embulunganga, no Kwanhama, filho de Ndemufayo e de Ndapona, Mandume subiu ao trono aos 20 anos, e reinou entre 1911 e 1917 no século XX, como chefe supremo da tribo Kwanhama. Era um homem inteligente e corajoso e decidiu pôr fim à vida.
Apenas tolerava nas suas terras missões protestantes alemãs que o instruíram na língua, na escrita e na religião. Dizia ele “que todos os brancos que não sejam padres e estiverem dentro do meu território devem ser mortos”. E para provar a sua ordem mandou matar um cidadão português, a mulher e os amigos que o acompanhavam.
Em Agosto de 1915, Mandume perde a batalha da Môngua e abandona Ondjiva, sede do reino. Incitado pelos ingleses, foge para Oihole na fronteira com a Namíbia, presta vassalagem à majestade britânica e constrói nova embala sob domínio inglês, já que só mais tarde Namacunde integrou território português. Mandume desenvolve actividades nos domínios ocupados pelos portugueses, incitando as suas tropas à revolta. Um ano depois dirige fortes combates no Kwanhama, tentando reconquistar o reino perdido. As autoridades portuguesas pedem aos ingleses que ponham fim às actividades de Mandume.
A 30 de Outubro de 1916, aniquila as forcas portuguesas comandada pelo tenente general Raul de Andrade, e recusa-se a ir a Windhock, Namíbia conferenciar com os ingleses a quem teria dito “que venham ao Oihole se quiserem” e deixou um aviso:
“se os ingleses me querem, podem vir apanhar-me. Não dispararei o primeiro tiro, mas não sou um touro do mato. Sou homem, não uma mulher, combaterei até ao último cartucho”.
 
Última batalha
 
Mandume travou violentos combates entre as localidades de Namacunde e Oihole, mas os ingleses contornam a operação. Kalola, um subordinado, vigiava o norte. Uma força portuguesa entrou em acção. Pelo sul, em Ondangua, os ingleses lutavam com pequenas forças de Mandume. O soba do Kwanhama, com 600 homens da sua guarda pessoal, enfrenta o último combate.
Os ingleses afirmaram que o rei foi atingido por quatro balas de metralhadora. Já ferido, Mandume é retirado pelos seus subordinados, lengas e filhos do seu primo Weyulo, para debaixo do embondeiro onde veio a suicidar-se com a baioneta de uma espingarda Mauser.
Antes de se suicidar virou-se para os filhos do falecido soba Weyulo e perguntou-lhes se preferiam ser lacaios dos portugueses ou morrer com ele. Eles optaram pela morte. Mandume levou a espingarda e matou-os. O soba tinha prometido ao ser antecessor Nande: “se o governo português quiser vir ocupar a minha terra, resistirei enquanto tiver um cartucho e um soldado capazes de atirar e se for vencido suicidar-me-ei…”.
 
Cabeça do rei
 
Até ao momento desconhece-se o destino da cabeça do rei. Os portugueses dizem que encontraram o corpo decapitado. Hoje a embala do Oihole é um lugar histórico e condigno ao homem que foi senhor de um grande reino e que combateu com valentia contra o general português Pereira D’Eça. Visitar o Oihole é conhecer a história do país, as inúmeras vicissitudes que o povo ambó viveu durante as guerras de ocupação colonial, a resistência e determinação dos chefes tradicionais.
Em Oihole está presente o memorial do Rei Mandume Yandemufayo, uma das figuras incontornáveis quando o assunto é a luta de resistência à ocupação colonial no território do Cunene. O monumento foi construído para homenagear a figura do soberano, o povo ambó e os anónimos que ofereceram uma grande resistência à ocupação colonial na região.
Situado a 45 quilómetros da cidade de Ondjiva o memorial foi erguido na localidade onde o rei perdeu a batalha frente aos ingleses e portugueses. 
Actualmente o complexo carece de obras de melhoramento. Os trabalhos de reabilitação  estão paralisados há um ano.
Segundo o director provincial da Cultura, Celestino Vicente, a paralização das obras deveu-se a problemas financeiros. “O complexo do Oihole estava a receber algumas obras de melhoramento e ampliação, mas foram interrompidas e neste momento o Governo Provincial está a fazer tudo para recomeçar os trabalhos”, salientou Celestino Vicente.A reabilitação prevê arranjos profundos na campa de Mandume o aumento da área residencial com mais quartos, a construção de uma biblioteca, um museu e uma piscina.
Paralelamente às obras vai ser colocada uma estátua de Mandume num dos pontos da cidade de Ondjiva, precisamente no local onde era a sua ombala.
  Dentro do programa do 6 de Fevereiro foram concebidas actividades relativas à divulgação dos feitos do rei Mandume. Foram agendadas uma exposição documental sobre Mandume, que vai estar presente no átrio do Governo Provincial durante duas semanas, com o título “Mandume e a diplomacia”.

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