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Projecto "Água do Xangongo" beneficia milhares de habitantes

Quinito Kanhameni | Ondjiva

Os habitantes da vila de Xangongo, da cidade de Ondjiva, e das localidades da Môngua, Bulunganga e Anhanga, província do Cunene, situadas no mesmo eixo, com um percurso de 145 quilómetros, vão beneficiar de água canalizada, quando estiver concluída a construção de um canal a partir do rio Cunene, cujo projecto teve início o ano passado.

Quer através de furos quer por via da exploração das potencialidades dos rios o governo provincial procura resolver o problema de abastecimento de água à população

Os habitantes da vila de Xangongo, da cidade de Ondjiva, e das localidades da Môngua, Bulunganga e Anhanga, província do Cunene, situadas no mesmo eixo, com um percurso de 145 quilómetros, vão beneficiar de água canalizada, quando estiver concluída a construção de um canal a partir do rio Cunene, cujo projecto teve início o ano passado.
A garantia foi dada pelo director provincial da Energia e Água, João da Silva Borges, tendo considerado que o projecto vai resolver os graves problemas de falta de água que as populações dessas localidades há muito enfrentam.
De acordo com João da Silva Borges, o projecto, a cargo do consórcio espanhol BEFESA e Rio GEZA, já deu alguns passos com a construção dos estaleiros em Xangongo, Môngua, Bulunganga e Ondjiva, assim como a limpeza do local onde vai ser instalado o sistema de captação de água.
Nesta fase, é aguardada a chegada dos equipamentos a partir do exterior do país, ao mesmo tempo que se assiste à concentração dos inertes e a mobilização dos recursos humanos.
Entre a população, é grande a expectativa. Para Teresa Glória, 19 anos, moradora do bairro Kafitu, o projecto vai representar um grande benefício para a população de Ondjiva e não só, visto que a cidade não tem água canalizada. Os habitantes acarretam água nas lagoas para o consumo, o que tem provocado muitas doenças, como diarreias e infecções urinárias.
Quem tem meios financeiros compra a água às cisternas de 2.500 a 5.000 litros, ao preço de um kwanza por litro, um negócio que se tornou muito lucrativo para os proprietários das viaturas.
Já Isabel Lua Kapewa louvou a iniciativa do governo em solucionar o problema de falta de água no Cunene, que há muitos anos preocupa a população local. Afirmou que com a implementação do projecto muitas pessoas vão deixar de percorrer longas distâncias e de recorrer às cisternas.
 
Venda de água
 
A venda de água nas localidades de Ondjiva, Namacunde e Santa Clara tem vindo a ganhar espaço nos últimos anos com a abertura de furos em vários locais.
Todos os dias viaturas de marca Toyota Dina e Mitsubishi Canter, equipadas com tanques de plástico, são vistas nas ruas a comercializarem água.
António Kamati vende água há nove anos. Garante que o negócio é lucrativo. “Consigo fazer dinheiro para sustentar a família e satisfazer outras necessidades pessoais”, disse.
Segundo João da Silva Borges, o projecto de abastecimento de água a partir dos campos de furos de Oipembe e das chanas de Caricoco é uma execução paliativa, devido às inundações. De momento aguarda-se pelo rebaixamento do nível de água que submergiu os dois campos.
O director da Energia e Águas do Cunene disse que o projecto, a cargo da empresa cubana Imbondex, actualmente em fase de conclusão, foi concebido para abastecer de água os bairros Pioneiro Zeca, Castilhos e arredores da cidade de Ondjiva, a partir de um reservatório com capacidade para 500 m3, que vai levar água aos chafarizes.

/>Projecto transfronteiriço


Uma outra obra de grande dimensão promete entretanto melhores dias aos namibianos e angolanos em termos de consumo de água potável. Trata-se de um projecto ambicioso, que vai ligar os dois países e visa aumentar a capacidade de bombeamento a partir da barragem de Kalueque, no rio Cunene, para abastecer de água o norte da Namíbia e sul de Angola. O projecto tem como percurso as localidades de Oshakati, Ondangua e Oshikango (Namíbia), e entra no país através da fronteira de Santa Clara, passando por Namacunde com destino à cidade de Ondjiva.
Com início previsto para o mês de Julho próximo, com a colocação de três bombas de alta potência na actual estação de captação da barragem de Kalueque - duas das quais vão funcionar, enquanto a terceira vai servir como equipamento de reserva -, os trabalhos vão incidir na limpeza e reparação do canal do lado da Namíbia e do lado de Angola. As obras vão contemplar ainda a reabilitação da estrada que dá acesso à localidade e ao posto fronteiriço de Omahenene, construção de rede de distribuição e conduta para as águas residuais na cidade de Ondjiva, bem como latrinas em Santa Clara e Namacunde.
Com duração prevista de três anos, o projecto inclui a construção de seis chafarizes no perímetro entre Ondjiva e Santa Clara. Neste momento, decorre o processo de concurso público para a contratação do empreiteiro que deverá executar a obra. O projecto tem como fiscal a empresa COBA Portugal e conta com financiamento do banco alemão KFW.

Água para todos

A implementação do programa “Água para Todos” na província do Cunene, iniciado em 2008, levou à reformulação da estratégia até então seguida, obrigando a uma maior intervenção do órgão coordenador.
Os dois anos de implementação do programa permitiram a construção de 80 novos furos e a reabilitação de 124 outros nos seis municípios da província do Cunene e construção de dois pequenos sistemas nas comunas de Mukolongodjo e Kangada-Kalonga, no município do Cuvelai.
No período que vai de 2011 a 2012, foram adjudicadas outras empreitadas, como a construção de seis pequenos sistemas de água nas comunas de Oncôncua, Otchidjau, Naulila, Ombala-yo-Mungu, Chiede e Oshimolo. O programa contempla ainda a construção de mais 100 novos furos e a reabilitação de igual número em toda a extensão da província.
Um outro projecto, de parceria com o UNICEF, permitiu a reabilitação de 70 captações de água subterrânea, a formação de grupos e brigadas de água e saneamento compostas por cinco técnicos, que têm como missão intervir na manutenção e reparação das bombas manuais e dos pequenos sistemas de água nos municípios de Ombadja, Kuvelai e Kwanhama. O abastecimento de água potável em muitas localidades do meio rural está a permitir a redução das doenças de origem hídrica.

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