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Projecto no Cunene trava desertificação

Domingos Calucipa e Elautério Silipuleni| Ondjiva

Um projecto de combate à desertificação está a ser materializado no Cunene, pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal. O programa cria polígonos florestais em todos os municípios, com naves a  produzirem milhares de plantas de várias espécies.            

População está a ser sensibilizada para plantar mais árvores para que a província tenha cortinas para travar os fortes ventos
Fotografia: Santos Pedro

O Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) no Cunene está apostado no desenvolvimento de um projecto, que tem o objectivo de criar polígonos florestais em todos os municípios para combater o fenómeno da desertificação que afecta a província, disse o director daquele organismo.
Alcino Zamba referiu que o IDF “está a terminar a construção de um grande viveiro em Xangongo, no município de Ombadja, próximo das margens do rio Cunene, composto por quatro naves”.
Cada uma das naves, afirmou, vai produzir cerca de 20 mil plantas de várias espécies para as distribuir às administrações municipais, que, com base nos programas ambientais que têm e com ajuda dos técnicos do IDF, vão determinar as áreas para a formação de polígonos florestais.
“Todos os municípios são obrigados a ter um polígono florestal e isso também é uma forma de se criarem zonas verdes e de lazer”, disse.
Alcino Zamba lembrou que a província do Cunene é semiárido e que os municípios de Namacunde e de Ombadja “são apontados como os que têm maior tendência para desertos”. Os polígonos florestais, salientou, têm grande utilidade na medida em que servem de cortinas para travar fortes ventos e oferecem sombras e espaços de lazer.
A formação dos viveiros está na fase final e, nesta altura, está a ser concluída a colocação de micro espersores para o sistema de rega, aguardando-se por uma motobomba de alta potência.   O projecto, referiu Zamba, está a ser desenvolvido num terreno de dez hectares, que “no próximo semestre está em condições de produzir os efeitos desejados”.  O abate indiscriminado de árvores na província do Cunene para a produção de carvão e de lenha e para serem utilizadas na construção, disse, diminuiu consideravelmente por a população ter começado a ter em atenção os alertas das autoridades sobre o perigo que isso representa para o meio ambiente.
“Relativamente à preservação e conservação dos eco-sistemas na província já há compreensão e respeito das pessoas pela a lei vigente”, afirmou.
Alcino Zemba recordou que na província não há exploração dos recursos florestais, já que é apenas uma actividade de subsistência para muitas famílias, que dependem da venda de lenha e de carvão.
      
A situação da fauna 

Diversas espécies de animais do Parque Nacional da Mupa, que nos últimos anos se dispersaram devido à guerra, começaram a regressar.
O director do IDF confirmou que no parque já há mamíferos, de pequeno, médio e grande porte, principalmente elefantes e girafas.
O Parque Nacional da Mupa nasceu para preservar a girafa, rara na região, lembrou, acrescentando que se têm registado conflitos entre a população residente nas proximidades e os animais devido, essencialmente, às raposas que atacam gado de pequeno porte.

Estrada Humbe-Cahama

As obras de reabilitação do troço Humbe/Cahama, de 87 quilómetros, na estrada entre as cidades de Ondjiva e do Lubango, estão bastante atrasadas, o que está a preocupar os automobilistas, devido ao seu estado avançado de degradação.
Na via há muito por fazer. Os buracos aumentam a cada dia e a circulação se torna difícil. Com isso o município da Cahama vai se tornando mais distante de Ondjiva, a cidade capital da província. As pessoas e as mercadorias demoram a chegar ao destino.
De Ondjiva, passando por Xangongo e Humbe, a sede municipal da Cahama, num percurso de cerca de 190 quilómetros, pode consumir-se actualmente perto de sete horas, contra as três de há tempos atrás.
Da capital da província à comuna do Humbe, 106 quilómetros, anda-se comodamente, em virtude de a estrada ter beneficiado de novo tapete asfáltico. Daí em diante os automobilistas enfrentam imensas dificuldades, porque o troço é precário e a circulação de viaturas é bastante arriscada, o que tira sossego a muitos viajantes que utilizam a via para a realização das suas actividades, tanto comerciais como laborais.
Buracos com grandes profundidades tomam conta de toda a extensão da estrada, exigindo dos automobilistas maior atenção e muito esforço para poder chegar ao destino.
A reabilitação da estrada Humbe/Cahama foi adjudicada, em Setembro do ano passado, à empresa portuguesa TSE, com o objectivo de asfaltar a via num curto espaço de tempo, mas acontece que até aqui os trabalhos se encontram na estaca zero, por razões desconhecidas. Para se inteirar do andamento dos trabalhos, o vice-governador para a Organização e Serviços Técnicos, Cristino Mário Ndeitunga, visitou o troço e foi ao encontro da empresa na localidade da Wia, para pedir explicações sobre os atrasos.
O governante manteve um encontro com o responsável da empresa TSE, de quem recebeu esclarecimentos sobre as dificuldades que a empreiteira enfrenta. No final o vice-governador Cristino Mário Ndeitunga disse que a visita realizou-se no quadro do acompanhamento das obras em curso, que o governo da província tem desenvolvido no sentido de melhor articular as acções com os órgãos centrais e todos os intervenientes no projecto, de modo a imprimir a celeridade necessária e cumprir com os cronogramas inicialmente previstos. “O governo da província procura também informar-se melhor sobre o andamento deste importante troço, que se situa num eixo de intercâmbio do sistema remodelado do país, que liga Santa Clara à capital do país, e desempenha um grande papel na circulação das mercadorias entre Angola e a Namíbia”, sublinhou Cristino Ndeitunga.

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