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Qualidade do Ensino aposta de Namacunde

Dionísio David | Namacunde


 Professores de Namacunde, município da província do Cunene, que abandonem os seus postos de trabalho, sem razões justificáveis, serão responsabilizados pelo Sector da Educação local.

Responsável municipal da Educação
Fotografia: Dionísio David

     Professores de Namacunde, município da província do Cunene, que abandonem os seus postos de trabalho, sem razões justificáveis, serão responsabilizados pelo Sector da Educação local.O chefe da Repartição Municipal da Educação de Namacunde, Abel Hifikepunye, que defende um ensino de qualidade para o município, garantiu  que o absentismo continuado e a falta de responsabilidade no local de trabalho por parte de alguns professores não serão tolerados.

  A Administração Municipal de Namacunde, na província do Cunene, está apostada na melhoria da qualidade do ensino, através da intensificação do programa de formação e qualificação de professores, para estarem e à altura dos desafios de desenvolvimento do país.
O chefe da Repartição Municipal da Educação de Namacunde, Abel Hifikepunye, disse que apesar de algumas dificuldades decorrentes de factores ligados à superação e formação de professores, do ponto de vista académico e profissional, o estado actual do ensino no município é razoável. Alunos e professores têm-se aplicado no estudo e na transmissão de conhecimentos que permitam ao país desenvolver-se de forma sustentável.
Abel Hifikepunye considera a reforma curricular como o melhor método de inserir os docentes com um nível académico inferior no ensino médio, o que no seu entender vai permitir no futuro dar passos firmes e seguros na elevação da qualidade do ensino em Angola.
Defende igualmente a contínua participação dos antigos professores nos processos de formação, tendo em atenção a complexidade dos conteúdos temáticos e dos novos métodos da reforma do ensino em Angola.
Ao todo, 516 professores estão colocados à disposição da Secção Municipal de Educação de Namacunde no presente ano lectivo, número considerado insignificante pela instituição, pelo elevado número de alunos matriculados.
A rede escolar em Namacunde estende-se para além das duas comunas que compõem o município, Chiedi, a sede comunal, a povoação fronteiriça de Santa Clara e no resto das aldeias e povoações.
Para o presente ano lectivo, estão matriculados 19.569 alunos do primeiro nível ao segundo ciclo do ensino secundário. Porém, 4.365 crianças estão fora do sistema de ensino, sendo para isso necessários mais 200 professores para fazerem face ao défice existente.
Abel Hifikepunye afirmou que para dar resposta à situação da falta de salas de aulas, está em curso um projecto de construção de quatro escolas, sendo uma na sede do município com nove salas, uma na povoação de Santa Clara, também com nove salas, uma outra na comuna de Chiedi com seis salas e a última na localidade de Okawe também com seis salas de aulas.
Abel Hifikepunye acrescentou que mesmo com a construção destas quatro escolas, as dificuldades vão continuar, porque, apesar das 68 escolas existentes no município, um grande número de alunos estuda ainda debaixo das árvores.
                 
Professores faltosos
 
O responsável da Educação em Namacunde manifestou a sua preocupação com o absentismo continuado e a falta de responsabilidade no local de trabalho por parte de alguns professores e alunos no meio rural.
Acrescentou que a situação tem vindo a piorar nos últimos tempos, com professores a abandonarem constantemente os seus postos de trabalho, deixando os alunos à sua sorte.
Advertiu que a continuar assim, o sector que dirige vai tomar medidas, porque os professores têm compromissos com o Estado de quem recebem os seus salários. “O Estado não pode continuar a pagar a quem não trabalha”, declarou.
Abel Hifikepunye disse que outra questão que preocupa o sector tem a ver com os professores que ingressam pela primeira vez no ensino e que tudo fazem para conseguir o primeiro emprego, mas depois acabam por não se apresentar nas áreas onde são colocados, criando sérios embaraços à instituição. Advertiu que estes casos também têm os dias contados. “Não vamos tolerar isso”, disse, acrescentando que o Estado não pode continuar a ser enganado por gente sem responsabilidade e sem sentido ético.
 
 Soluções dos problemas
 
Abel Hifikepunye deu a conhecer que o sector da Educação no município enfrenta dificuldades decorrentes da própria realidade local, como é o caso da falta de quadros na maioria das escolas, danos provocados às instituições escolares por marginais, sobretudo a quebra de vidros das janelas e de portas.
Esclareceu que para solução destes problemas foram criadas nas escolas comissões de gestão integradas pelos directores e pais e encarregados de educação, com o propósito de dar resposta às situações que forem surgindo no dia-a-dia.
Abel Hifikepunye sublinhou que a ausência dos pais e encarregados de educação nos encontros de avaliação sobre o comportamento, desempenho e participação dos filhos e educandos durante as aulas têm sido igualmente uma constante preocupação da direcção da educação local. Lembrou que grande parte das escolas continuam com problemas da falta de material didáctico, o que por si só constitui uma preocupação, na medida em que retira a vontade do sector ver melhorados os programas curriculares e as avaliações periódicas.
A esta questão associa-se a problemática de inspectores escolares. O município conta apenas com quatro dos 12 inspectores necessários para a cobertura da rede escolar existente, situação que é agravada também pela ausência de meios de transporte para as suas deslocações de inspecção.
“Os nossos inspectores limitam-se apenas a acompanhar as escolas que circundam as suas áreas de residência, o que torna ainda mais difícil o bom desempenho dos professores”, sublinhou.
Por causa destas dificuldades só no ano passado quatro mil crianças tiveram de abandonar as aulas. O município de Namacunde tem uma população de 126.070 habitantes, que têm como principal actividade a agricultura de subsistência e a criação de gado.
A fuga de muitos alunos da escola deve-se ao facto de muitos pais obrigarem os filhos a cuidar do gado. “São crianças dos meios rurais com hábitos tradicionais que consideram o gado como fundamental”, disse  Abel Hifikepunye.
 Acrescentou que são hábitos enraizados que vão levar algum tempo a combater, mas que é preciso erradicar para o bem-estar das futuras gerações.   

 Reabilitação de estradas

A administração municipal de Namacunde está a reabilitar troços secundários e terciários, no quadro do programa de reabilitação e recuperação das infra-estruturas rodoviárias destruídas pelas chuvas.
De acordo com o administrador municipal adjunto, Frederico Silengifa, está em curso um projecto de terraplanagem, reabilitação de pontes e colocação de manilhas destruídas durante as cheias  no troço  Namacunde/Chiede, numa extensão de 24 quilómetros.
Os trabalhos, a cargo da empresa Construtora Angolana, permitiram já a conclusão de algumas obras.
O administrador disse que a administração local traçou estratégias que visam conter no futuro eventuais inundações nos troços entre as duas localidades e garantir a circulação de pessoas e bens sem constrangimentos.
 Frederico Silengifa referiu que os troços Namacunde/Oihole, Namacunde/Ounonge, marco 16, constituem igualmente preocupação da administração municipal.
O administrador fez saber que está previsto um conjunto de acções para minorar as dificuldades das populações vítimas das inundações de Março último.

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