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Rede de distribuição de luz tem aprovado Plano Director

Dionísio David | Ondjiva

O director provincial da Energia e Águas do Cunene, Bonifácio Kahupo, está preocupado com os atrasos que se verificam no início e conclusão de projectos previstos no programa de acção do governo da província para o sector. 

O Plano Director Provincial prevê a construção de uma nova rede de iluminação pública para a cidade de Ondjiva
Fotografia: Venâncio Amaral

O director provincial da Energia e Águas do Cunene manifestou-se, na sexta-feira, preocupado com os atrasos que se têm verificado no início e conclusão de alguns projectos previstos no programa de acção do governo da província virados para o seu sector.
Para ultrapassar esta questão, o responsável defendeu a reprogramação dos projectos de água e de extensão de energia eléctrica aos centros urbanos, face aos constrangimentos havidos no ano passado, em consequência da crise económica e financeira internacional.
Ao fazer balanço do estado actual do abastecimento de água e fornecimento de energia às populações, numa reunião com os directores provinciais de diferentes sectores e administradores municipais, Bonifácio Kahupo sublinhou que existe um plano director de abastecimento à cidade de Ondjiva que comporta várias fases para a execução.
A primeira já foi executada, com a construção da conduta a partir do posto fronteiriço de Santa Clara, proveniente da República da Namíbia, numa extensão de 40 quilómetros, até a cidade de Ondjiva.
A conduta, salientou, foi construída dadas as grandes necessidades da cidade de Ondjiva enquanto capital da província, que na altura atravessava momentos críticos de abastecimento de água.
O projecto não deu os efeitos esperados porque houve alguns constrangimentos que deviam ter sido vistos na fase da concepção, reconhecendo ter havido falhas, como insuficiência do caudal para a quantidade de água projectada para a cidade de Ondjiva.
O projecto previa fornecer cerca de 76 mil litros cúbicos de água por hora, mas só se conseguiu que fornecesse mil litros. A isso juntaram-se outras insuficiências da responsabilidade do fornecedor, no caso a Namíbia.
 Por causa deste problema, disse, foi aprovado um outro projecto financiado pelo Governo alemão que consiste em melhorar e optimizar o sistema já construído.
A intervenção que se vai fazer consiste, essencialmente, na reabilitação da estação de captação de Calueque, onde está localizada a fonte, construção do sistema de bombagem e tratamento de água, uma estação de tratamento e rede de distribuição.
No mesmo projecto está contemplada a reabilitação do canal do Calueque, já aberto, que parte da mesma localidade para Oshakati, na Namíbia, incluindo a reabilitação da conduta nos troços Oshakati/Omakango/Mafo e Santa Clara/Oshikango (Namíbia).

Optimização da conduta

Está prevista também a optimização da conduta da Santa Clara para Ondjiva, onde, declarou o director das Águas, há grandes problemas devido a sabotagem das caixas de serviço.
Uma vez que o volume, na altura, era insuficiente para abastecer os pontos de água ao longo do percurso da conduta, as populações sabotaram as caixas de serviço. Agora, frisou, vai ser necessário instalar pontos de água para eliminar as causas. A segunda fase do projecto de água consiste na construção de uma conduta, a partir do rio Cunene, concretamente na localidade de Xangongo, município de Ombandja, para Ondjiva, numa distância de cem quilómetros.
Este projecto foi concebido em 2002, mas a assinatura de consignação foi feita apenas em Novembro de 2007.
O director provincial para o sector das Águas disse que tudo isso se deveu a factores de natureza burocrática e administrativa na programação e decisão do projecto, cujos custos são muito elevados.
 O projecto está na fase inicial, já que uma das questões que se colocava prendia-se com a desminagem, tida como a mais importante tarefa, do local onde se vai instalar a estação de tratamento de água em Xangongo.
Bonifácio Kahupo assegurou que este trabalho já foi feito, aguardando-se apenas pelo certificado por parte do Instituto de Desminagem. Outra preocupação, frisou, prende-se com a desminagem da via por onde vai passar a conduta. O trabalho de desminagem esteve interrompido devido às chuvas, prevendo-se que recomecem nos próximos meses.
 
Capacidade de abastecimento
        
 Na segunda fase do projecto está ainda prevista a recuperação do antigo sistema de abastecimento de água a Ondjiva e arredores, a partir dos furos da localidade de Oipembe, a oito quilómetros da cidade.
 Este projecto foi concebido pelo Governo numa vertente alternativa, uma vez que os grandes sistemas também podem vir a falhar um dia.
O sistema alternativo consiste em optimizar e recuperar todos os furos na bacia de Oipembe e na chana de Caricoco, juntá-los em reservatórios, que já estão a ser construídos logo na entrada de Ondjiva, e ligá-los, numa primeira fase, a 18 chafarizes nos bairros de Castilhos e Pioneiro Zeca.  Este projecto está a cargo da empresa de construção Imbondex, que já acabou a construção da conduta e efectuou ligações a 14 chafarizes.
Está contemplada também a construção da rede de água, incluindo a rede de saneamento para a cidade de Ondjiva, já financiado.
                 
Zonas rurais
 
 Bonifácio Kahupo afirmou que para a solução do problema do abastecimento de água potável às zonas rurais - dadas as características específicas da província - o Governo tem apostado na construção de novos furos e na reabilitação de outros espalhados pela província.
Os furos predominam no projecto “Água para todos”, já que se adaptam ao modo de vida das populações locais.
O projecto começou em 2008, prevendo-se que até 2012 cerca de 80 por cento da população residente nas zonas rurais beneficie de água potável.
“Vamos dar água potável ao maior número de habitantes das zonas rurais”, disse Bonifácio Kahupo.

Energia eléctrica

A situação do fornecimento de energia eléctrica no Cunene conheceu, nos últimos anos, momentos preocupantes, na medida em que quando se concebeu o primeiro projecto de reabilitação, em 1996, a cidade de Ondjiva tinha apenas cerca de seis mil habitantes.
“De lá para cá, a população aumentou significativamente, pelo que se regista hoje um grande défice na potência disponível”, disse José Bonifácio Kahupo.
 Nos últimos tempos, afirmou, a situação tem sido crítica, apesar da intervenção pontual da Empresa Nacional de Electricidade.
Por esta razão foi decidida a construção da segunda linha de abastecimento, cujo projecto já está em curso e tem como objectivo principal a construção de uma linha de alta tensão de 132 quilowatts, a partir da localidade de Onhuno, na Namíbia.
O projecto inclui a construção de uma subestação em Ondjiva, já em funcionamento, que fornece energia de média tensão à cidade. Os municípios e comunas vivem de fontes ­geradores.

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