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Roubo de gado continua no centro das preocupações da Polícia Nacional

Domingos Calucipa|Ondjiva

Jornal de Angola – Senhor comandante, como caracteriza a situação da segurança pública na província do Cunene?
 
Manuel Gouveia
– A situação da segurança pública a nível da província do Cunene podemos caracterizá-la como relativamente estável. Falo de relativamente estável porque os crimes que são cometidos, na sua maioria são esclarecidos, principalmente os furtos, os roubos, as violações, as ofensas corporais e introduções em casas alheias.

 
Jornal de Angola – Senhor comandante, como caracteriza a situação da segurança pública na província do Cunene?
 
Manuel Gouveia
– A situação da segurança pública a nível da província do Cunene podemos caracterizá-la como relativamente estável. Falo de relativamente estável porque os crimes que são cometidos, na sua maioria são esclarecidos, principalmente os furtos, os roubos, as violações, as ofensas corporais e introduções em casas alheias.

 JA – É sobejamente conhecido que o furto ou roubo de gado bovino é uma prática constante na região. O que tem feito a Polícia para resolver esta questão que muito preocupa os criadores?

 MG –
Nos últimos dias podemos dizer que o furto ou roubo de gado inspira alguns cuidados, principalmente no município da Cahama, com mais incidência na comuna do Octhinjau. Existem duas rotas, mas a mais utilizada é a rota do município dos Gambos (Huíla), precisamente na zona da Taka e no município do Virei (Namibe). Há indícios de incremento de acções de roubo e furto de gado. Mas podemos dizer que a população está a colaborar com as forças da ordem no sentido de dar resposta adequada a esta prática.

 JA – Sabe-se que muitos desses indivíduos utilizam armas de fogo nas suas acções. Como estamos no capítulo do desarmamento da população civil?
 
MG
– Alguns cidadãos insistem em ter armas. Não podemos afirmar que acabaram, estaríamos enganados. Hoje podemos dizer que conseguimos desarmar pelo menos 70 ou 80 por cento da população. Há meliantes que insistem que a arma para ele é uma defesa e os outros têm a arma para cometer as suas atrocidades. Estamos a trabalhar no sentido de pôr cobro a esta situação, já com a colaboração das autoridades tradicionais e administrações municipais e comunais.
 
JA – Na sua opinião qual tem sido o destino desse gado? E porque razão este fenómeno ganha espaço nos últimos tempos?

 MG
– O destino é a venda. Temos algumas informações que eles praticam essas vendas na Chibia (Huíla). Há aí um mercado onde eles concentram e procedem à venda do gado roubado. Neste contexto, vimos que através das nossas províncias vizinhas da Huíla e do Namibe, vamos lançar uma estratégia no sentido de cortar este mal, que tende a ganhar proporções alarmantes.

 JA – Quando é que será lançada essa estratégia que acabou de anunciar?
 
MG
– Estamos a estudar uma reunião de concertação dos comandantes provinciais da Huíla, Namibe e Cunene, para ver se concertamos uma estratégia única para conseguirmos estancar o mal.

JA – Quais são os crimes mais cometidos na província?
 
MG
– Não deixa de ser o roubo e furto de gado. Temos também muitos casos de violações, ofensas corporais e fuga ao fisco.

 JA – O efectivo é suficiente para dar cobro a este fenómeno ou pelo menos operar nos principais focos?
 
MG
– Temos alguns efectivos que se dedicam somente à caça dos munjavalas (ladrões de gado). Nessas áreas nós colocamos esses efectivos, mas pensamos que só com a colaboração da população essa força pode dar resposta adequada ao fenómeno.

 JA – Como caracteriza a segurança na fronteira entre Angola e a Namíbia?

MG
– A situação na fronteira com a República da Namíbia podemos dizer, em sentido geral, que está relativamente calma. Essa relativa calma é fruto da coordenação que existe com os nossos homólogos namibianos, que com as forças policiais da Guarda Fronteira, Polícia Fiscal e mesmo o Serviço de Migração e Estrangeiros, têm dado resposta cabal às investidas de violação da nossa fronteira, que ultimamente temos vindo a assistir, de alguns cidadãos de origem oeste-africana, não obstante os seus cerca de 470 quilómetros de extensão que possui. Estes cidadãos têm afluído a nossa fronteira com o objectivo de atingir Luanda.

 JA – Até que ponto a imigração ilegal constitui uma ameaça para o país?

 MG
– Nós nunca sabemos quais são os seus objectivos no nosso país, e porque também eles nunca estão identificados.

 JA – Como está a Polícia no Cunene em termos de infra-estruturas?

 MG
– Este é um caso que os órgãos centrais, falo do Ministério e do Comando Geral, já têm conhecimento e em colaboração com o governo local está a se procurar dar dignidade às estruturas policiais. Mas estamos a trabalhar. Há bons projectos, há boa vontade por parte do governo e do Comando Geral, penso que vamos melhorar progressivamente. O ano passado ganhamos novas infra-estruturas, isto é, uma esquadra na sede do município de Namacunde, um posto policial na povoação de Oihole, o comando municipal da Cahama, o comando municipal no Curoca, o posto policial de Santa Clara e foi reabilitado o comando municipal de Ombadja, em Xangongo, bem como o comando municipal de Cuvelai. Quer dizer que há investimentos. Há projecções de se construir uma esquadra no município do Kwanhama, na cidade de Ondjiva, e outra na fronteira de Calueque.

 JA – E quanto à organização e disciplina do efectivo?
 
MG
– Não digo que estamos melhores, mas acho que já estamos a ir no caminho correcto. Vê-se agora que o efectivo já está mais preocupado com a pontualidade, com o atavio e a aumentar o seu nível cultural e profissional. Pensamos que estamos num bom rumo. Há um ou outro caso de disciplina que surge no seio do efectivo, mas pensamos que temos dado resposta adequada no sentido de estancarmos a situação.

JA - Temos assistido em algumas províncias casos de expulsões ou de despromoções de efectivos por conduta indecorosa. Aqui, particularmente, tem havido casos do género?

 MG -
Sim, nós desta vez vamos expulsar um ou dois agentes e um oficial por conduta indecorosa. Este último encontra-se detido, nas mãos do Ministério Público, e pensamos que o mesmo elemento, com o crime que cometeu, vai merecer expulsão. Há casos que são de disciplina interna. O agente cometeu, o comandante é competente para punir no termo do regulamento que vigora no seio da própria Polícia, como são as faltas, a má apresentação, etc.

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