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Roubo de gado inquieta as autoridades

Dionísio David | Ondjiva

As autoridades tradicionais do município do Cuanhama, na província do Cunene, estão preocupadas com o elevado índice de furto e roubo de gado bovino e caprino, que aliado à seca, atrapalha a vida normal das comunidades.

Durante o encontro entre a Administração e as autoridades tradicionais foram abordados vários assuntos que inquietam a população
Fotografia: Venâncio Amaral | Ondjiva

A inquietação foi manifestada em Ondjiva pelo soba grande Atanásio Hutumata, da localidade de Naulila, arredores da cidade de Ondjiva.
Atanásio Hutumata, que participava num encontro de auscultação entre a Administração Municipal do Cuanhama e as autoridades tradicionais, mostrou-se muito preocupado com a situação de assaltos à mão armada que se registam um pouco por todas as comunas do município.
O furto e o roubo de gado, praticado principalmente por jovens da província vizinha da Huíla e da República da Namíbia, com a cumplicidade de alguns cidadãos locais, tem nos últimos tempos proporções alarmantes.
A acção dos meliantes tem sido constante, sobretudo nos primeiros meses do ano, numa altura em que a situação alimentar é cada vez mais difícil para as comunidades, devido à estiagem prolongada, que acentua a seca e a fome, que já se faz sentir nas populações, que têm no gado a principal fonte de aquisição de alimentos e outros bens para a sobrevivência.
Os sobas solicitaram das entidades competentes de Justiça medidas severas para desencorajar o furto e roubo de gado.
Na maior parte dos casos os culpados têm sido detidos palas autoridades tradicionais e entregues às entidades competentes para serem julgados e punidos, o que em muitas ocasiões não acontece.
A maioria destes indivíduos fica apenas dois ou três dias na cadeia, depois é solta. Esta situação, além de pôr em causa a credibilidade e autoridade dos sobas das aldeias e circunscrições, provoca uma certa revolta no seio das comunidades, disse Atanásio Hutumata.
O responsável defendeu a promoção de uma discussão profunda sobre o roubo de gado, com as autoridades administrativas e órgãos de Justiça, no sentido de se darem orientações claras sobre as medidas a serem tomadas contra os meliantes, dada a gravidade da situação.

Seca e fome


A estiagem prolongada registada na região fez com que as colheitas referentes ao ano agrícola 2014/­2015 estejam definitivamente comprometidas.
O soba pediu às autoridades administrativas do município do Cuanhama mais furos e instalação de sondas de água, melhoria das chimpacas (reservatórios), com vista à retenção das águas pluviais, principalmente nas aldeias e nas áreas de grande aglomeração populacional, onde as carências são mais acentuadas. O encontro de auscultação às autoridades tradicionais abordou  assuntos atinentes à existência de minas e explosivos nalgumas áreas do município do Cuanhama, restabelecimento dos limites geográficos entre municípios e comunas, além do furto e roubo de gado.
No encontro foram igualmente tratados problemas relacionados com assaltos a residências e estabelecimentos comerciais, ordenamento do território, situação rodoviária, entre outros.
O administrador municipal do Cuanhama, Gonçalves Namueya, aproveitou a oportunidade para passar a informação sobre a situação económica e social do município, com realce para a seca e fome que já afectam muitas áreas do Cuanhama, associadas à problemática do trânsito de moto-táxis nas zonas rurais sem legalização, com o desenvolvimento desordenado da actividade comercial, sem a observância dos princípios normativos.
O comércio ilegal no campo também tem facilitado a actividade dos meliantes, já que os malfeitores aproveitam a insegurança que ali se vive, para praticar as suas acções, sobretudo os assaltos à mão armada. Outro objectivo do encontro, disse Gonçalves Namueya, foi passar orientações às autoridades tradicionais sobre as formas e métodos de concessão de terrenos, cujo modelo até aqui aplicado já não se ajusta à realidade actual.
Gonçalves Namueya referiu que a concessão de terrenos doravante passa a ser da exclusiva responsabilidade das Administrações e Governos Provinciais, para evitar os vários constrangimentos até agora registados e fazer cumprir o que estabelece a Lei de Terras. O administrador aproveitou a ocasião para chamar a atenção aos presidentes das comissões de moradores de Ondjiva e arredores sobre a ocupação de espaços por parte de cidadãos, sem a prévia autorização das entidades de direito, levando algumas pessoas a construir em zonas de risco.
Gonçalves Namueya avisou que a ocupação ilegal de terrenos tem os dias contados.

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