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Seca continua a afectar zonas rurais

Dionísio David | Namacunde

A seca que afecta grande parte das zonas rurais do município de Namacunde, na província do Cunene, continua a preocupar as autoridades tradicionais da localidade de Ofenda, que dista 40 quilómetros da sede municipal, numa altura em que a ausência das chuvas já se arrasta há semanas, prejudicando o desenvolvimento das plantações.

Criadores tradicionais do Cunene têm dificuldade em encontrar água para o gado
Fotografia: JA

A soba da aldeia, Teresa Ndadilepo Lucas, que manifestou ontem a preocupação, disse que, devido à falta de chuvas que se faz sentir na região, as populações continuam a recorrer às cacimbas e chimpacas, assim como a percorrer grandes distâncias à procura de água.
A responsável deu a conhecer que a aldeia que dirige e as áreas circunvizinhas continuam a enfrentar escassez de chuva e falta de água para as pessoas e animais, situação que está a prejudicar o desenvolvimento da sementeira de massango, massambala e feijão macunde.
Esclareceu que neste momento as populações carecem de tudo um pouco, desde alimentação à água, e reservas de cereais foram usadas como sementes, durante a lavoura.
Informou que a situação é preocupante, sobretudo pelo facto de ser um fenómeno que se repete pelo segundo ano consecutivo. Ressaltou que a ausência de chuvas e a consequente falta de água e alimentos tem criado sérios embaraços às famílias e também uma permanente preocupação por parte das autoridades tradicionais.
Teresa Ndadilepo Lucas lembrou que, de um tempo a esta parte, as populações buscam água e outros meios de subsistência noutro lado da fronteira, mas, nos últimos tempos, e com o dólar namibiano cada vez mais a subir, quer no câmbio do dia como nas transacções comerciais, a situação tem vindo a complicar-se ainda mais, com particular realce para as famílias mais vulneráveis, viúvas, órfãos, deficientes e diminuídos físicos.
A autoridade tradicional fez um apelo às entidades competentes no sentido de se dar maior atenção à reabilitação de furos e sondas existentes, bem como ao desassoreamento de chimpacas, a fim de permitir a retenção da maior quantidade de água possível. Em relação à situação epidemiológica da localidade, Teresa Ndadilepo disse ser estável e reconheceu o empenho das autoridades sanitárias locais na assistência medicamentosa às comunidades e também pelo pleno funcionamento das escolas existentes na região.
Tendo em conta o número reduzido de professores e enfermeiros, Teresa Ndadilepo pediu às autoridades administrativas comunais no sentido de se reforçar o pessoal existente, com o objectivo de se dar resposta às necessidades cada vez mais crescentes das populações.
Defendeu igualmente a necessidade de se expandir as actividades de aconselhamento e testagem voluntária nas zonas rurais, de modo a permitir que mais pessoas adiram ao programa e conheçam o seu estado serológico e prevenir novos casos de contágio do VIH/Sida e outras doenças sexualmente transmissíveis, bem como a necessidade de se proporcionar apoios alimentares aos doentes.
A responsável considerou as vias de acesso como garantia para o desenvolvimento das zonas rurais e suburbanas, sendo necessária a sua reabilitação para permitir maior fluidez na circulação de pessoas e bens.
Disse, por outro lado, estar preocupada com a desvalorização da moeda nacional (o kwanza) que, na sua opinião, resulta da circulação anárquica do dólar americano e dólar namibiano fora dos bancos e solicitou das entidades competentes a tomada de medidas para sanar a situação.

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