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Seca provoca antecipação da transumância

Elautério Silipuleni | Otchipelongo

Os criadores de gado da província do Cunene estão a antecipar a transumância por causa da seca, com grandes manadas de animais a percorrerem longas distâncias à procura de pastos e água, constatou o Jornal de Angola.

A seca está a atingir proporções alarmantes e os locais que se situam nas margens dos rios são a salvação de grande parte do gado
Fotografia: Jornal de Angola

As comunas de Kanganda, no município de Ombadja, Oshimolo, no Cuanhama, e as povoações de Otchipelongo e Vime, na Cahamam, registam, nos últimos dias, grande afluência de criadores de gado oriundos de Chitado, Calueque, Ondjiva, Môngua, Nehone, Evale, Chiendi e outras localidades do Cunene.
Os criadores estão a deslocar-se para as poucas localidades que possuem represas ou estão situadas próximo das margens dos rios Caculuvale e Cunene, o que prenuncia uma situação crítica devido à chegada de muito gado bovino e caprino.
Esta é a seca mais severa na província do Cunene desde há quatro décadas, quando populações inteiras tiveram de se movimentar à procura de água e pastos para o gado, chegando, em alguns casos, a percorrer mais de 300 quilómetros.
O soba de Otchipelongo, Paulo Katchilipa, disse ao Jornal de Angola que, nesta altura, se encontram na sua zona vários criadores de bovinos e caprinos provenientes de Chitado, no Curoca, e Calueque, em Ombadja, todos à procura de alimentação para os seus animais.
Os locais de pastos na sua área também já são escassos e a água tende a diminuir, já que o rio Caculuvale não tem caudal suficiente, situação agravada pelas fracas chuvas.  “Este ano vai haver muita fome, não só para os animais mas também para a própria população, pois não há colheitas devido às poucas chuvas”, referiu Paulo Katchilipa, pedindo poio “urgente” das autoridades em alimentação e a abertura de novos furos de água com profundidade.

Comuna da Kanganda

Outros criadores estão e fixar-se nas margens do rio Cunene, na comuna da Kanganda, município de Ombadja, que ainda possui pasto suficiente, mas o administrador local, Walter de Jesus Fonseca, mostra-se preocupado com o grande número de animais que afluem diariamente à localidade, o que pode degenerar em conflitos.
“É verdade que na província existe seca e os locais que se situam nas margens dos rios são a salvação de grande parte do gado e Kanganda é preferência de muitos, mas temos de manter um maior controlo dos animais que entram na nossa comuna. Saber a sua proveniência e se foram vacinados contra diversas doenças”, disse o administrador. Paulo Katchilipa indicou que, para prevenir o surgimento de doenças do gado bovino, têm sido realizados encontros com as autoridades das comunas do Humbe, Mukope e Xangongo sobre a vacinação urgente dos animais.

Ajuda alimentar

As famílias residentes na povoação de Mahenge-ya-Mukulu, comuna do Humbe, solicitaram apoio urgente das autoridades governamentais em bens alimentares, devido à fome que ameaça ceifar vidas.
O soba da povoação, Salomão Mutindi, referiu que a seca está a causar uma situação de fome já que, este ano agrícola, muitas famílias não puderam cultivar devido a falta de chuvas, enquanto o gado está ameaçado por escassez de pasto e água.Salomão Mutindi lançou um apelo às autoridades para uma intervenção urgente, sob pena de começarem a morrer pessoas por falta de comida e água.
 “As lavras ficaram secas todo tempo, o massango não germinou, os furos de água secaram e o que resta à população é apenas a ajuda imediata do Governo”, precisou.
O chefe tradicional agradeceu o apoio do Governo na distribuição de água à população com o recurso a um camião-cisterna.
 “A população de Mahenge-ya-Mukulu dedica-se essencialmente à criação de gado e ao cultivo de massango, massambala e milho, mas este ano das lavras não se espera mesmo nada, porque não choveu”, sublinhou o soba, notando que a fome venha a atingir o seu pico entre Setembro e Outubro. O governador do Cunene, António Didalelwa, garantiu a vacinação de todos os animais que se encontram nas áreas de transumância para combater as doenças bovinas e explicou que todas as condições técnicas e logísticas estão salvaguardadas para que os vacinadores possam trabalhar com os criadores nas zonas de concentração de animais.
Na província encontram-se cerca de 15 toneladas de medicamentos, sobretudo vacinas para imunizar os animais contra peripneumonia contagiosa bovina, carbúnculo hemático e sintomático.
Mais de 66 mil animais provenientes dos municípios do Curoca, Cuanhama  e Cahama, encontram-se ao longo da margem do rio Cunene e no norte do município do Cuvelai.

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