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Soba grande de Ondjiva desaconselha uso do álcool

Dionísio David| Ondjiva

A grande comuna de Ondjiva tem um soba que está atento à preservação dos valores tradicionais. Alfredo Ndimute, 57 cacimbos vividos, é o esteio da comunidade e faz questão de instruir os jovens sobre os nobres valores que os ovakwanhama devem defender.

 
A grande comuna de Ondjiva tem um soba que está atento à preservação dos valores tradicionais. Alfredo Ndimute, 57 cacimbos vividos, é o esteio da comunidade e faz questão de instruir os jovens sobre os nobres valores que os ovakwanhama devem defender. Por isso as festas tradicionais têm lugar todos os anos e a produção agro-pecuária acaba por jogar um papel importante na manutenção do ritual. As coisas caminham bem.
Mas o soba grande da comuna de Ondjiva, província do Cunene, Alfredo Ndimute, tem uma preocupação. Quer um maior envolvimento das instituições estatais e da sociedade civil na recuperação dos valores morais e cívicos perdidos durante o conflito armado. Ndimute tem consciência que – como ele próprio afirmou – “o elevado índice do consumo de álcool, como consequência do conflito armado que assolou o país ao longo de muitos anos, associado a outros fenómenos como o consumo de droga, a prostituição, a delinquência juvenil e a desobediência aos pais e encarregados de educação, estão na origem da crise de valores que a sociedade enfrenta”.
Por isso defende a criação de um mecanismo legal para o combate ao consumo excessivo e desordenado de bebidas alcoólicas por parte da juventude na via pública e em locais impróprios.
“É necessário envolver neste combate a sociedade civil, através das igrejas, associações cívicas, as organizações juvenis e quiçá as instituições do Estado”, disse em tom de apelo. Sugeriu mesmo a institucionalização de uma lei que proíba a venda de bebidas alcoólicas nos dias normais de trabalho, bem como o consumo das mesmas por parte das crianças com menos de 18 anos de idade.
O soba da comuna de Ondjiva defende que as comunidades devem engajar-se seriamente na educação dos jovens e crianças, com vista a garantir a preservação dos valores fundamentais da vida humana, a cultura, os hábitos, os costumes e as tradições das populações locais. Alfredo Ndimute fez saber que a sua área de jurisdição conta com 82 aldeias e uma população estimada em 44 mil habitantes, cujas actividades principais são fundamentalmente a agricultura de subsistência, criação de gado bovino, caprino e suíno.
As comunidades cultivam essencialmente massango, massambala, feijão macunde e em pequena escala o milho. Aquela autoridade tradicional deu a conhecer que, para além do soba grande, as 82 aldeias contam ainda com 20 sobas e 40 seculos, cuja função principal é a de auxiliar a entidade máxima na mobilização das comunidades para as tarefas produtivas e sociais. Alfredo Ndimute disse, por outro lado, que apesar de grande parte das
lavouras ter ficado afectada pelas inundações, vai se poder colher e que os níveis de produtividade são aceitáveis, salientando que não haverá fome.

A tradição do povo kwanhama

O soba da região deu a conhecer que em regra os ovakwanhama, como são chamados localmente, cumprem a rigor com a festa de puberdade feminina denominada Efundula, preparada com antecedência de seis meses e realizada normalmente nos meses de Novembro a Dezembro de cada ano. A referida festa decorre normalmente durante cinco dias, durante a qual os pais da menina, no caso o pai e a mãe, matam, a partir do segundo dia, um boi ou mais cada um e, nalguns casos, os tios da parte materna da jovem também oferecem animais para serem consumidos no evento. O soba informou que se a jovem omufuko - a denominação dada à pessoa que passa pela cerimónia de puberdade -, tiver compromisso matrimonial, ela sai da festa, após os cinco dias, directamente para a casa dos pais do seu noivo. Aqui permanece durante dois dias, regressando depois para a casa dos pais a fim de, durante quatro dias, receber todas as instruções necessárias acerca de como cuidar do marido e seus parentes. Posto isto, a jovem noiva segue em definitivo para a casa do marido. Alfredo Ndimute relatou que, para além da Efundula, os kwanhamas celebram outras cerimónias tidas como importantes na região, como, por exemplo o Edano Lengobe - festa dedicada à competição entre criadores de gado, que ocorre normalmente nos meses de Junho a Agosto.
A competição tem a ver com a quantidade e a qualidade dos animais mais nutridos que são levados ao recinto do evento. Faz-se ali a avaliação do tamanho e da qualidade do animal em termos de peso, ganhando o pastor ou criador que tiver o maior número de animais em qualidade e em quantidade. Em regra o período de pastagem na região vai de Julho a Dezembro de cada ano, regressando as manadas após as primeiras chuvas.

Prato típico

A evanda é o prato típico da região. Este é feito de lombi seco e na fase de cultivo é o prato que se cozinha mormente para visitas ou alguém que se desloca para uma longa viagem. Evanda significa escondido na imagem ou na sorte. O prato é acompanhado de pirão de massango e como ingredientes é adicionado o omadi-ongobe, ou seja, margarina derivada do leite de vaca, ou ainda acompanhado de carne de galinha com margarina e óleo de onongogo, conhecido como odjove, que completam o quadro dos pratos típicos da região.

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