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Testes voluntários de VIH/Sida são estendidos às comunidades

Domingos Calucipa | Ondjiva

A direcção provincial da Saúde do Cunene vai estender os serviços de testagem voluntária de VIH/Sida a todas as comunidades, com a finalidade de elevar o número de pessoas testadas na região.

A direcção provincial da Saúde do Cunene vai estender os serviços de testagem voluntária de VIH/Sida a todas as comunidades, com a finalidade de elevar o número de pessoas testadas na região.
O director provincial da Saúde, Eleulério Hivilikwa, que falava sobre os novos desafios do sector para este ano, disse que a medida pretende igualmente encurtar as grandes distâncias que muitos ainda percorrem até aos hospitais à procura de informação sobre o seu estado serológico.
Eleutério Hivilikwa salientou que a ideia é tornar a testagem voluntária um serviço próximo do cidadão, o que também vai ajudar na determinação das zonas com maiores índices de infecção. Para isso, estão previstas deslocações de rotina de equipas do Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária às diferentes zonas da província para realizar os testes voluntários à sida.
O director adiantou que as pessoas, cujos resultados acusarem positivo vão merecer, a partir do momento que têm conhecimento do seu estado, o devido acompanhamento pelos serviços de saúde.
“Não vamos esperar o cidadão no hospital para fazer a testagem voluntária, nós é que vamos ao seu encontro. O objectivo é superar três vezes a testagem que fizemos no ano passado”, desafiou o director da Saúde.
Além da testagem voluntária da sida, a direcção provincial vai apostar em levar consultas médicas semanais das especialidades de pediatria, medicina interna e ginecologia às periferias de Ondjiva e comunas dos municípios do Kwanhama, Kuvelai e Ombadja.
Este último projecto não será possível implementar a nível dos municípios do Kuroca e da Kahama, devido às dificuldades de acesso.
Nas comunas, onde forem realizadas consultas médicas e entrega de medicamentos, também está prevista a testagem voluntária de HIV, assim como a formação de técnicos de saúde, que vão ocupar-se de prestar o devido acompanhamento às pessoas seropositivas.
Eleutério Hivilikwa reafirmou que o grande desafio da província continua a ser o combate ao vírus da sida.
Nesta altura, a província conta com um total de 35 médicos, no hospital de Ondjiva, oito em Namacunde, seis em Xangongo, um na Kahama, e um outro no Kuvelai.
O número de especialistas de que a província dispõe, segundo o director da Saúde, ainda está muito aquém das necessidades.  No ano passado, o sector realizou um concurso público para preenchimento de 14 vagas de médicos, atribuídas à província pelo Ministério da Saúde, mas infelizmente não apareceram concorrentes.
Segundo Eleutério Hivilikwa, neste momento, os hospitais não têm falta de medicamentos, porque existem verbas suficientes para os adquirir. “É certo que há sempre um ou outro que nós não temos, mas para aquelas doenças que são mais frequentes no nosso meio temos fármacos”.

Mortes por falta de ambulâncias

A falta de ambulâncias em grande parte dos centros hospitalares da província do Cunene tem sido uma preocupação constante da direcção provincial da Saúde, devido às consequências que esta situação causa.
O director disse que grande parte dos centros hospitalares municipais e comunais da província se debatem com uma carência de ambulâncias para a evacuação dos doentes graves para o hospital provincial, em Ondjiva, o que tem contribuído bastante para a morte de pacientes, por falta de socorros.
Eleuterio Hivilikwa disse ainda que esta situação se deve a vários factores. Um deles reside no facto de algumas dessas viaturas já terem sido recebidas com muitos anos de uso, não tendo portanto condições para aguentar o mau estado das vias de acesso, enquanto outras não tiveram o devido cuidado na sua utilização, originando uma rápida degradação.

Novas unidades clínicas

O sector pretende, ainda neste ano, implementar um projecto de longa data, que tem a ver com a construção de um centro materno-infantil e um hospital municipal em Ondjiva.
O responsável da saúde assegurou que já existe verba para o projecto, locais e empreiteiro para executar a obra, o que, a acontecer, vai descongestionar o hospital provincial.
A formação de técnicos é também outra prioridade. Para este ano, a direcção programou seis formações na área do VIH/Sida, que vão encarregar-se da testagem e acompanhamento dos doentes.

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