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Vila Okapale é pioneira na hotelaria

Leonel Kassana |

Na cidade de Ongjiva, a  Vila Okapale é hoje um dos locais mais solicitados no que a hotelaria diz respeito.

Na cidade de Ongjiva, a  Vila Okapale é hoje um dos locais mais solicitados no que a hotelaria diz respeito. Feita com capitais privados, essa unidade hoteleira, de três estrelas, com 60 quartos, possui, entre outros serviços, um restaurante para 160 pessoas, discoteca e uma sala de conferências para cerca de 400 pessoas. Zito Figueira, o seu proprietário, que investiu até agora cerca de 10 milhões de dólares, projecta a construção de um casino. Lamenta apenas as elevadas dívidas para com a sua unidade, o que, como diz, cria enormes dificuldades.  
José Rodrigues Figueira, “Zito”, é uma figura incontornável do empresariado do Cunene. Começou com empresa de construção, numa altura em que a província se embrenhava no processo de construção e/ou reconstrução de infra-estruturas sociais em todos os municípios.
Com os lucros destas empreitadas, Zito Figueira partiu para a criação de um hotel.
Denominado Vila Okapale, é hoje uma das mais importantes da província. “Fomos executando várias obras do governo provincial a nível das sedes dos municípios, reconstruímos comunas e outras obras relevantes na capital da província e com o dinheiro que fomos ganhando partimos para a hotelaria”.
É assim que surge a Vila Okapale uma imponente infra – estrutura erguida à entrada da cidade de Ondjiva. Classificada com três estrelas, funciona com 58 trabalhadores e conta com 60 quartos, um restaurante com capacidade para 160 pessoas, discoteca, snack-bar, uma sala de conferências para cerca de 400 pessoas. “Temos a previsão da construção um casino”, acrescenta Zito Figueira.
Isso aconteceu numa altura a província do Cunene apresentava-se bastante deficitária em termos de restauração e infra-estruturas hoteleiras. “Achamos por bem investir nesta área e fomos fazendo, aos poucos, aquilo que é hoje a vila Okapale e que veio dar grande visibilidade à província ao acolher eventos ministeriais, como conselhos consultivos”.
Esta é uma unidade que deu a possibilidade de levar um pouco mais além o nome da província do Cunene, explica o empresário, notando que até aqui foram investidos cerca de 10 milhões de dólares. “São investimentos avultados e estamos preocupados com as dívidas que são muito altas, sobretudo do governo, o que nos cria enormes dificuldades no funcionamento do hotel”, diz.
Refere que uma parte foi para a dívida pública, mas a outra, que é a mais recente e que se encontra por ser escalonada e acertada, mantém-se em “stand by” e isso nos tem trazido enormes obstáculos.
Zito Figueira assegura que, apesar das dívidas levantarem problemas de tesouraria, “nós estamos a fazer tudo para elevar para patamares mais altos o nome da província do Cunene”.
À pergunta sobre a qualidade dos serviços da Vila Okapale, Zito Figueira reconheceu haver ainda algumas limitações por falta de um número razoável de pessoas qualificadas. “Já temos vindo a levantar esse problema ao nível do Ministério da Hotelaria e Turismo, para encontrar formas de ministrar esses cursos localmente ou noutra parte”.

Faltam estratégias
para a pecuária

Zito Figueira já esteve, também, particularmente empenhado na criação de gado, chegando a atingir cerca de 1000 cabeças, num projecto que preconizava 2 mil cabeças de animais.
Mas um surto epidémico de sarna dizimou-lhe perto de 400 animais só ano passado. “Comecei a sério, mas hoje estou desanimado com essa actividade. Me parece, primeiro, que ainda não há políticas bem claras por parte do governo no que diz respeito ao desenvolvimento da pecuária, pois não vejo que haja algum fomento nesta área”, sublinha.
Nos últimos tempos surgiram doenças que deveriam ser identificadas pelos técnicos competentes, veterinários, mas talvez por falta de laboratórios não são diagnosticadas e não encontramos soluções, afirma o empresário.
Mais directo, acrescenta que “anda aí uma epidemia grande, que é da sarna, e temos feito grandes esforços para debelá-la gastando avultadas somas, mas não encontramos soluções porque lutámos sozinhos”.
Defende uma melhor coordenação nas campanhas de vacinação do gado. “Ora, eu faço  uma campanha em tempo oportuno, nas datas mais ou menos programadas, mas a vacinação do gado dos criadores, geralmente peca por tardia e há anos em que grande parte dos animais nem é vacinado”, afirma.
Zito Figueira, que só o ano passado perdeu 400 cabeças de gado bovino por doenças, não poderia ser mais concreto: “Umas vezes o gado do povo nem é vacinado e outras é a própria população a furtar-se às campanhas de vacinação”.
Daí a propagação de doenças é um passo, pois o gado vacinado e o não vacinado “anda todo misturado”.

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