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Vítimas das inundações vão ter novas residências

Leonel Kassana |

O Cunene está em franco progresso, com a construção e/ou reconstrução de infra- estruturas sociais e económicas.

O Cunene está em franco progresso, com a construção e/ou reconstrução de infra- estruturas sociais e económicas. A cidade de Ondjiva, a capital, cresce em todos os sentidos e nota-se o surgimento de novas obras quase todos os dias. Nem mesmo as inundações conseguem frenar o ritmo de crescimento da urbe.
Quando se olha para as centenas de casas erguidas, também, nos municípios do Curoca, Cuvelai, Ombangja e Namacunde, um nome surge: o Grupo F. M Lubamba, que, além da região sul de Angola, está muito activo na capital do país - Luanda. Com uma carteira de negócios avaliada em cinco milhões de dólares, o F. M Lubamba tem escritórios no Dubai e representações na China e África do Sul. É a história de uma empresa que começou com uma pequena loja de venda de cereais, passou para a comercialização de viaturas usadas e hoje é o gigante que se conhece. Um exemplo de persistência.
O grupo angolano F. M Lumbamba, com sede na cidade de Ondjiva, está fortemente envolvido em diferentes projectos de construção e reconstrução de  infra-estruturas na província do Cunene com uma carteira de negócios que hoje ultrapassa largos milhões de dólares. “O balanço financeiro, ou seja demonstração dos resultados do ano passado,  pode representar 35 por cento dos rendimentos líquidos. Temos aí de cerca de dois milhões de dólares”, diz o director-geral do grupo, o economista António Damião.
Esse grupo participa hoje em importantes obras, como a construção de 2500 casas no âmbito do Programa de Fomento Habitacional. Está igualmente inserido num outro projecto relacionado com a construção de outras 1600 habitações, e com a responsabilidade de desmatar e limpar mais de 300 hectares de terreno.
Trata-se do projecto Nahumba I, onde o governo vai reassentar as populações vítimas das inundações que desde 2008 atingem gravemente a população do Cunene.
Na cidade de Ondjiva, município do Cuanhama, o grupo F. M Lubamba construiu mais de quatro condomínios habitacionais, em número superior a 100 residências, e está presente na reabilitação e construção de infra-estruturas públicas.
“Sobre as infra-estruturas públicas nós reabilitamos o hospital geral de Ondjiva, construímos de raiz o comando municipal da Polícia Nacional no município do Cuanhama, construímos 15 residências para funcionários públicos nos municípios do Cuvelai, Curoca e Namacunde. São programas emanados do governo, como de iniciativa da própria empresa”, esclarece António Damião.
Considerado o maior grupo empresarial do Cunene, o F. M Lubamba é já um caso de sucesso em toda a região sul de Angola. Quase todas as infra-estruturas construídas recentemente e que vieram dar um toque de modernidade à cidade de Ondjiva levam o selo deste grupo. São bem visíveis nos bairros Oifidi, Okapale, Naipalala, Kaculuvale Kafitu I e II, Ofitu kanamwena e Castilhos.
No Kafitu, por exemplo, foi erguido um complexo hoteleiro de quarenta e oito casas T- 1, na Naipalala quatro naves para armazéns e outro para material de construção e em Okapale mais um nos estaleiros gerais. Para citar apenas estes.
O hotel “Água Verde”, hoje a unidade mais moderna da cidade - passe a publicidade - é produto dos arquitectos ao serviço do F. M Lubamba, assim como o edifício do Instituto de Desenvolvimento Agrário IDA e o Centro de Formação de Professores, uma imponente infra-estrutura, bem como o Centro Materno-Infantil. Para citar apenas estes.
Em duas fazendas agrícolas no município do Cuvelai, este grupo construiu duas casas do tipo T-2 e T-4. “Além da residência para funcionários públicos, nesse município também construímos uma manga de vacinação e um tanque banheiro para o gado”, refere António Damião.
Mas o protagonismo deste grupo, que emprega mais de 300 trabalhadores nacionais, não se fica apenas pela construção de infra-estrutuas. No âmbito do programa “Água para todos” abriu vinte e cinco furos de água no município do Cuanhama, dezasseis no Cuvelai e outros onze no Curoca.
“Estamos a falar de um projecto que, no essencial, vai levar à abertura de 100 furos de água em diferentes localidades do Cunene”, assegura António Damião, para quem, “naquilo que é a estratégia de desenvolvimento da empresa para o quinquénio 2006/2011, nós atingimos mais de 80 por cento daquilo que era a projecção inicial”.
Em termos de execução daquilo que concebemos estamos, pois, a esse nível e podemos estar também em termos de execução financeira, pois que os projectos do governo têm cabimentação no PIP (Programa de Investimentos Público) e outros são de emanação do Ministério das Obras Públicas, que são as grandes obras, completa o director-geral do Grupo Lubamba.

Obras na Huíla e Luanda

No Cunene quase tudo está por construir ou reconstruir, tal a ausência de infra-estruturas sociais. Trata-se de um mercado fértil para as empresas de construção, sobretudo devido a proximidade com a República da Namíbia. Visionário, o grupo F. M Lubamba partiu à procura de outras oportunidades.
E como conseguiu! Nos arredores da cidade do Lubango ergueu um condomínio habitacional com 21 casas de dois pisos com tipologia T5, uma escola de quatro salas para os filhos de ex-guerrilheiros da Swapo, uma residência para o seu director e outra T5 para os professores, bem como a respectiva sede administrativa sob a égide do governo namibiano.
Esclareceu que também sob a égide do governo do país vizinho, o F.M Lubamba construiu um monumento em memória dos guerrilheiros da Swapo e um cemitério na área do Mutundo, nas imediações da cidade do Lubango.
Em paralelo e também no Lubango, está em construção um hotel com 50 quartos. “O hotel vai ser a pérola da hotelaria na região”, gaba-se António Damião, acrescentando: “estará a altura de oferecer serviços de elevado padrão”.
“Estamos, pois, disponíveis para participar no processo de reconstrução da província do Cunene em particular e do país em geral”, acrescentou, notando que “construímos ainda dois armazéns de aprovisionamento de materiais diversos, um condomínio do Ministério do Interior e um escritório de representação”.
A empresa, esclareceu António Damião, está a estabelecer sinergias com as autoridades da comuna do Tchamutete, na Jamba, província da Huíla, para a construção de 100 casas no âmbito do programa de desenvolvimento habitacional para aquela região.
Tchamutete e Jamba comcentram importantes minas de ferro que estão a ser reactivadas, o que vai exigir a construção de muitas habitações.

Presença no mercado
internacional

O grupo F. M Lubamba é um dos poucos que no Cunene, particularmente, possui um leque de projectos que são sustentados pela própria empresa, que são geridos com rendimentos próprios. Assim, esta empresa aposta na pesquisa de mercado internacional e assume todas as despesas de transportação e dos movimentos aduaneiros sem subvenção, clarificou.
“A empresa goza de uma saúde financeira estável, tanto é assim que não terciarizámos os serviços de inspecção no mercado internacional, pois temos escritórios no Dubai e representações na África do Sul e na China que são os grandes mercados de fornecimento para as obras públicas”, explica o gestor do grupo, sublinhando que “temos capacidade humana à altura das exigências do programa de desenvolvimento da própria empresa, nomeadamente arquitectos, engenheiros civis, economistas, juristas e outros técnicos superiores”.
Ressalva, contudo, que na ausência de capacidade de resposta, a empresa sub-contrata empreitadas. “Por isso temos mais de 150 chineses que trabalham para nós nos ramos da construção e engenharia”.

Forte presença em Luanda

A história daquilo que é hoje o grupo F. M Lubamba é um exemplo de persistência que começou com uma pequena loja para venda de cereais, evoluiu para as viaturas usadas e, agora, para as grandes obras.
Em Luanda, ergueu a sede da Federação Angolana de Futebol, FAF, no projecto Nova Vida, um hotel com 50 quartos, uma fábrica de tubos de plásticos (P.V.C), outra de caixilharia de alumínios, dois condomínios habitacionais, sendo um de 40 casas T3 e outro com oito casas T5.
Essas obras foram erguidas na chamada “zona verde”, no Benfica, a sul de Luanda, onde também estão obras de grande visibilidade, como a fábrica de blocos de cimento e um estaleiro de serviços gerais.

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