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Zungueiras interrompem vendas para aprender a ler

Estanislau Costa |Lubango

Um total de 180 zungueiras, que comercializam hortofrutícolas e outros bens de primeira necessidade em vários pontos da cidade do Lubango, estão, desde a semana passada, a frequentar aulas de alfabetização, numa sala fixa criada no recinto do mercado municipal.

Número de pessoas adultas interessadas em aprender a ler e a escrever não pára de crescer em comunidades da província da Huíla
Fotografia: Estanislau Costa

O processo de ensinar o ABC às vendedoras que assumiram o compromisso de disponibilizarem uma hora ou duas horas para assistir às aulas, prescreve três módulos, sendo o primeiro com a duração de um ano, o segundo, dois, e o terceiro prevê um estudo intensivo de três anos.
O responsável da Alfabetização do Lubango, Ventura Augusto, explicou ontem ao Jornal de Angola que o programa consta do método “Sim Eu Posso”, levado a cabo pelo Ministério da Educação em colaboração com os parceiros e prevê, no último ano, o ensino de vários ofícios ligados às actividades das zungeiras.
Segundo Ventura Augusto, as acções de formação abrangem senhoras que sabem ler e aquelas interessadas em aprender um ofício.
 “Projectamos abordar nos ciclos formativos novas áreas que permitam às mulheres fortalecer os seus negócios ou desenvolver novos”, disse, para anunciar que os módulos posteriores vão contemplar 300 zungueiras, onde além da alfabetização, vão aprender corte e costura, indústria caseira, métodos de poupanças, técnicas de diversificação do negócio e outros. O administrador municipal do Lubango, Francisco Barros, que procedeu ao lançamento das aulas de alfabetização, que envolve jovens professores filiados na organização juvenil do MPLA, apelou à dedicação e assiduidade das senhoras contempladas na primeira fase.  “Todas as mulheres zungueiras beneficiárias desta acção especial de alfabetização devem se empenhar ao máximo, respeitar o horário e não faltar às aulas, para que, no espaço de um ano, sejam alcançados os objectivos de aprender a ler e a escrever”, afirmou o administrador.
 Francisco Barros garantiu que o processo de ensino e aprendizagem vai decorrer sem sobressaltos, com a instalação de uma sala de aulas num recinto privilegiado do mercado municipal do Lubango.
 “Agora as mamãs vendedoras da cidade do Lubango não precisam de percorrer longas distâncias para aprender o ABC”, disse, para acrescentar”:O Executivo está empenhado no combate ao analfabetismo, com a criação e materialização de várias acções, sendo os resultados do município do Lubango satisfatórios, devido à abrangência cada vez mais de pessoas iletradas e o aumento de professores voluntários para o efeito”.
 
Satisfação

Joana Francisca, 30 anos, é zungueira há 17 anos. Não teve tempo de estudar por perder muito cedo os pais num acidente de viação. Passou a viver com a avó, que não tinha condições para suprimir as necessidades alimentares e outras dos três irmãos.
Joana Francisca, que começou por vender pêra e maça oriundas do município da Humpata, evoluiu agora para a comercialização de bolos, refrigerantes e cortinas, e, mesmo em época de crise da baixa do preço do petróleo, consegue facturar e suprir as necessidades da casa.
Desejosa em fortalecer o seu negócio, a jovem foi uma das primeiras a matricular-se na sala de alfabetização instalada num dos recintos do mercado municipal do Lubango. “Estou muito satisfeita porque vou aprender, pela primeira vez, a ler e a escrever, assim como frequentar alguns cursos de artes e ofícios”.
Já Teresa Carolina enalteceu a administração municipal do Lubango por criar uma sala próximo à área de actividade das zungueiras, que permite frequentar aulas de alfabetização e controlar o andamento do negócio. “Vamos nos aplicar para aprender rápido a ler e a escrever”.

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