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Cursos profissionais atraem a juventude

Domingos Mucuta |Jamba

A formação técnicoprofissional desperta cada vez mais o interesse de jovens concentrados em diversos municípios da província da Huíla, ávidos por obterem uma preparação especializada que os habilite a uma vaga no mercado de trabalho, cada vez mais exigente.

A formação técnicoprofissional desperta cada vez mais o interesse de jovens concentrados em diversos municípios da província da Huíla, ávidos por obterem uma preparação especializada que os habilite a uma vaga no mercado de trabalho, cada vez mais exigente.
Vários jovens de poucas posses, residentes no município da Jamba, estão conscientes de que somente com formação académica ou técnicoprofissional numa determinada área do saber é possível concretizar o sonho elementar de encontrar o primeiro emprego.
É este pensamento que tem cativado centenas de jovens a aderir ao pavilhão móvel para frequentarem cursos de formação profissional ministrados, há cerca de dois anos, na sede municipal da Jamba.
Sebastião Saraiva, de 19 anos, é aluno do curso de Informática. O caloiro das novas Tecnologias de Informação e Comunicação disse ao Jornal de Angola que está satisfeito por se encontrar no primeiro módulo do curso e ter bons êxitos. “Esperei tanto para fazer esta formação. Actualmente, todas as instituições primam pela modernização dos equipamentos. Por isso, quero terminar já este curso para poder trabalhar como operador de computador”, declarou confiante.
Sebastião foi um dos primeiros a inscrever-se no curso de Técnico de Informática. Em dois dias de aulas, aprendeu que, além daquele roedor da mandioca na lavra, existe um outro rato, o componente que aponta e activa os comandos do computador.
A ânsia era grande, confessou. “Assim que este pavilhão chegou à sede do município da Jamba, corri logo para fazer a inscrição. Estou a aprender muito. Já sei digitar um documento e fazer cálculos no Excel. É um grande ganho para as minhas aspirações”, considerou o também estudante de Bioquímica na 12ª, classe.
 
Cursos diversificados
 
A opção por um ou outro curso depende da preferência e prioridade dos interessados. As aspirações da juventude são determinantes no momento da escolha de uma opção técnicoprofissional. A lista de cursos disponíveis no centro móvel do município da Jamba é preenchida pela Informática, na óptica do utilizador, Mecânica Geral, Electricidade, Carpintaria, Agricultura e Serralharia.
O jovem Filipe Hungula optou pela Mecânica. Depois disso, conseguiu um emprego nas obras de reabilitação do caminho-de-ferro de Moçamedes, que inclui um ramal para o município mineiro da Jamba.
Apesar de reconhecer que teve algumas dificuldades para aprender as noções básicas do curso de Mecânica, minimiza-as porque entende que a adaptação dói, mas hoje está apto para operar as máquinas que realizam balastragem das linhas. Portanto, está orgulhoso por participar no processo de reconstrução da linha de transporte que vai contribuir para o desenvolvimento da região sul.
“Além disso, consegui um emprego, a minha fonte de receitas para sustentar as despesas familiares e escolares”, afirma.
O município da Jamba está localizado no “caminho” da Linha-férrea de Moçamedes e tem uma superfície de 12.700 quilómetros quadrados, área habitada por cerca de 90 mil pessoas das três comunas que o compõem distribuídas por 73 bairros e povoações.
 
Adesão surpreendente
 
No camião com o letreiro “Cidadania e Emprego, esta é a tua vez”, uma iniciativa do Governo, os jovens entram “crus” e saem com habilidades para a vida. O programa está a permitir que jovens desfavorecidos adquiram novos conhecimentos em vários domínios.
E à medida que o tempo passa, mais gente toma conhecimento e maior é o interesse dos jovens, que afluem aos espaços satisfazendo a necessidade de formação profissional em artes e ofícios.
O centro móvel regista grande adesão de muitos cidadãos que ali afluem para frequentar um curso profissional. Desde a abertura, em 2008, já formou mais de 600 jovens.
A lista daqueles que ali vão em busca de formação profissional é longa. A adesão surpreende os formadores, que consideram o interesse da juventude local, e não só, uma mola impulsionadora para o estacionamento do camião naquelas circunscrições. Nesta ânsia pela profissionalização, as mulheres também estão em busca de novos conhecimentos. É o caso da Júlia Katyumbo, de 18 anos, que aproveitou a oportunidade para frequentar o curso de Agricultura. Para ela, as metas de aplicação das técnicas agrícolas “estão bem traçadas” e destinam-se à sua lavra, porque precisa de aumentar a produção. “Muitas vezes, aplicamos fertilizantes em quantidades muito elevadas numa parcela reduzida, sem medir as consequências que isso tem para o crescimento das plantações”, referiu.
Júlia considerou que este programa está a permitir aos jovens aumentarem conhecimentos em muitas áreas do saber. “A formação profissional tem vantagens porque torna os formados aptos para o mercado de trabalho. Aconselho a juventude a seguir o exemplo”.

Sonhar é permitido
 
O capacete acautela a cabeça e os óculos protegem os olhos das faíscas da soldadura. João Lupete está empenhado na consolidação de conhecimentos práticos depois de sessões teóricas sobre serralharia.  Enquanto está envolvido na aprendizagem, Lupete sonha acordado com um emprego como serralheiro. O desejo de trabalhar numa das minas da Jamba motivou-o a sair do comodismo para entrar no profissionalismo. “Não posso ficar em casa a reclamar a falta de emprego, sem a preparação profissional. Como jovem preciso adquirir experiências e habilidades técnicoprofissionais para conseguir um emprego”, disse com conhecimento de causa.
“Há jovens que estão sempre a queixar-se da falta de oportunidades de trabalho. A verdade é que boa parte não aposta na formação académica e, sobretudo, na profissional. Muitos esquecem que uma pessoa com o curso básico tem competências para trabalhar”, afirmou.
Já Miguel Caveto, de 20 anos, está também apostado no curso de serralharia para ocupar um dos 700 postos de trabalho que a reactivação da exploração do mineiro de Cassinga vai criar.
Caveto acredita que pode ser um dos escolhidos para trabalhar na siderurgia da Empresa de Ferro de Angola (Ferrangol), já que para ele “sonhar não é proibido”.

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