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Defendida formação dos terapeutas tradicionais

Arão Martins | Lubango

Os cuidados a observar na aplicação da medicina tradicional exigem uma constante formação dos terapeutas tradicionais, disse na segunda-feira, na cidade do Lubango, o director nacional da Câmara dos Profissionais desta área para o sector técnico e investigação científica.

Executivo dá ênfase à promoção do papel da medicina tradicional nos sistemas de saúde e dai canalizar vários apoios com a distribuição de kits
Fotografia: Arão Martins | Lubango

Miguel Catengue falava ao Jornal de Angola a margem do seminário sobre “Investigação Científica na Medicina Tradicional”, organizado pela referida Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional Alternativa não Convencional, que decorre até hoje.
O responsável salientou que a medicina tradicional é reconhecida pelo Executivo e pela Organização Mundial da Saúde, dado o seu papel fundamental na cura de diversas doenças que apoquentam a população.
Para contribuir na melhoria da actuação dos terapeutas tradicionais, a câmara organiza o referido seminário, que conta com a participação de mais de 80 profissionais que exercem a actividade em diversos municípios da província da Huíla.
Durante o seminário, os participantes vão abordar “As Precauções e Toxidade das Plantas Medicinais”, “Dosagem de Medicamentos Tradicionais e Naturais”, “A Colheita”, “Conservação e Preparação dos Medicamentos Tradicionais e Naturais”.
Os  terapeutas tradicionais actuam nos centros de tratamento dos bairros Santo António, Lalula, Dr. António Agostinho Neto, Bula Matadi, Chioco, Comercial, A Luta Continua, Mapunda, Tchavola, Kuawa, João de Almeida, Mitcha, todos em arredores da cidade do Lubango. O director nacional para a área técnica e investigação científica referiu  que o Executivo dá ênfase à promoção do papel da medicina tradicional nos sistemas de saúde, dai canalizar vários apoios, quer às parteiras tradicionais, quer aos terapeutas tradicionais, com a distribuição de kits diversos.

Duas áreas diferentes

O técnico disse que não se deve confundir a medicina convencional com a natural. “Temos vistos que algumas pessoas tentam internar doentes e fazem a utilização de medicamentos convencionais”.
Miguel Catengue acrescentou que a aplicação de soro, programa de vacinação, análises clínicas e outras acções são actividades reservadas exclusivamente à medicina convencional.
Sobre as dosagens, Miguel Catengue disse que a Câmara tem estado a trabalhar na perspectiva de se evitar casos de intoxicação.
“Tem sido constante a preocupação das autoridades sanitárias de casos de intoxicações que dão entrada em várias unidades hospitalares”, disse Miguel Catengue, para quem   muitas ocorrências são praticadas por profissionais falsos e sem conhecimento da matéria.

Processo de cadastramento


Para evitar casos do género, Miguel Catengue informou que decorre o processo de cadastramento dos profissionais que devem ser reconhecidos pela Câmara. “Assim, vamos ter o controlo e realizar sempre formações, para permitir o aumento da capacidade dos técnicos na aplicação dos medicamentos aos pacientes e de forma eficaz.”
O  processo de cadastramento permitiu abranger já mais de quatro mil terapeutas em todo o país, revelou Miguel Catengue. “O nosso objectivo é de fazer com que os técnicos deixem de praticar a medicina natural ou tradicional de forma empírica”, concluiu.
Mateus Catengue explicou que a utilização de produtos naturais com propriedades terapêuticas é antiga e por longo tempo, produtos de origem mineral, vegetal e animal foram as principais fontes de medicamentos utilizados por diversos povos.

Tratamento eficaz

 
O responsável adjunto da área de inspecção dos programas de unidades sanitárias da Direcção Provincial de Saúde da Huíla, Estêvão Baptista, destacou o papel crucial que a medicina tradicional exerce no tratamento eficaz de pacientes que padecem de várias patologias.
Referiu que a medicina tradicional pode ser tida para a manutenção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento das doenças e na melhoria de enfermos.
Estêvão Baptista afirmou que o seminário é bem-vindo, uma vez que ajuda na capacitação dos técnicos da medicina tradicional sobre a colheita, conservação, preparação, dosagens de medicamentos naturais.
O responsável garantiu existir uma parceria positiva entre a medicina natural e convencional, tendo acrescentado que é preciso que haja uma simbiose para se evitar situações que colocam em risco a vida da população.

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