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Detectados 47 casos de HIV-Sida em gestantes

Manuel Fontoura | Ndalatando

Um total de 47 mulheres grávidas, residentes no Cuanza-Norte, teve resultado positivo nos testes de VIH-Sida, realizados no primeiro trimestre do ano em curso a 11.371 mulheres, informou, ontem, em Ndalatando, o responsável do Centro de Acompanhamento e Testagem Voluntária (CATV), da província.

Sector da Saúde na província tem sensibilizado mulheres grávidas a aderirem às consultas pré-natais
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Menongue

Francisco Janeiro, que falava no Seminário para a elaboração e apresentação dos planos provinciais para o programa “Nascer Livre para Brilhar”, que visa a prevenção do contágio do vírus HIV-Sida, disse que, durante o período em referência, foram detectados três casos de crianças seropositivas, cujas mães se furtavam às consultas pré-natais, e consequentemente não foram submetidas ao Corte de Transmissão Vertical, que impede a contaminação do vírus da mãe para o bebé.
As parturientes que acorrem às 12 unidades sanitárias de referência da província do Cuanza-Norte são submetidas ao Corte de Transmissão Vertical. Sete destes hospitais estão situados no município de Cazengo, em Ndalatando, e os demais no Lucala, Ambaca, Samba Caju, Golungo Alto e Banga.
O Programa de Luta Contra o HIV-Sida, a nível da província, conta com meios para os trabalhos de aconselhamento e testagem e tem uma equipa que presta assistência médica nas comunidades mais distantes dos centros urbanos.
Ao proceder a abertura do seminário, a coordenadora provincial do projecto “Nascer Livre para Brilhar”, Sofia de Carvalho, disse que a epidemia do VIH-Sida continua a provocar um número elevado de óbitos em África, causando impacto sociodemográfico e económico no continente.
Sofia de Carvalho disse que, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde, a epidemia em Angola está generalizada, com uma taxa de prevalência de 2,4 por cento.
A esposa governador do Cuanza-Norte afirmou que os dados disponíveis mostram maior prevalência em alguns grupos específicos de mulheres jovens. “A cobertura de grávidas no país, que receberam tratamento com anti-retrovirais para evitar o contágio ao bebé em 2013, mostra que a taxa se situava em 39,19 por cento”, disse.
“ O aumento da cobertura da prevenção da transmissão vertical”, prosseguiu, “tem contribuído para a redução progressiva da taxa de transmissão, pelo que em Angola o tratamento com anti-retrovirais passou de 36 por cento em 2011 para 47,1 por cento em 2013.
No Cuanza-Norte, segundo a coordenadora do Programa “Nascer Livre para Brilhar”, os primeiros testes foram realizados em 2004, no município de Cazengo, e o primeiro centro de aconselhamento e testagem voluntária foi criado em 2005. “Em 2014, a taxa de prevalência na província rondava os 0,1 por cento, pelo que era tida como a região com o índice mais baixo. Mas com a abertura das vias rodoviárias e ferroviárias, a prevalência aumentou em 2016 para 3,5 por cento, em 2017 desceu para 2,72 e em 2018 atingiu 3,0 por cento”, informou Sofia de Carvalho.
“O estado alarmante da doença em vários países deu lugar a uma reunião das primeiras-damas de África, na qual abordaram o cenário mundial, em particular em África. Elas criaram então os programas “África Unida Contra o VIH-Sida em Crianças” e “Nascer Livre para Brilhar”, explicou.
Sofia de Carvalho disse que o Programa “Nascer Livre para Brilhar”, em Angola, consubstancia-se em campanhas de sensibilização que contam com o apoio dos governos provinciais.

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