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Elefantes destroem culturas agrícolas

Lourenço Manuel| Menongue

O administrador da comuna de Mucusso, Manuel Mora Jamba, viajou de emergência para a cidade de Menongue, onde está a desenvolver uma intensa campanha de recolha de bens de primeira necessidade para socorrer as cerca de 4.451 almas que, nos últimos meses, estão a debater-se com uma penúria alimentar severa, devido a destruição das suas culturas por manadas de elefantes.

Administrador Manuel Mora Jamba
Fotografia: Lourenço Manuel| Menongue

O administrador da comuna de Mucusso, Manuel Mora Jamba, viajou de emergência para a cidade de Menongue, onde está a desenvolver uma intensa campanha de recolha de bens de primeira necessidade para socorrer as cerca de 4.451 almas que, nos últimos meses, estão a debater-se com uma penúria alimentar severa, devido a destruição das suas culturas por manadas de elefantes.
Na cidade de Menongue, o administrador bateu portas de instituições do governo, do sector privado e de outros estratos da sociedade civil, mas, infelizmente, somente a direcção provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social respondeu aos sucessivos apelos, cedendo pequenas quantidades de cereais e de roupa usada, que, no seu entender, não chegam para nada, atendendo à dimensão da escassez que se vive.
Pelo facto lançou um repto à Organização dos Jovens Provenientes da Zâmbia (AJAPRZ), para visitar a localidade do Mucusso, onde, devido à escassez de alimentos, a população começou já a fazer recurso a frutos silvestres e tubérculos de plantas desconhecidas, para saciar a fome.
Manuel Mora, que falou ao Jornal de Angola, explicou que a comuna do Mucusso faz fronteira com a Zâmbia no sentido Leste e a Sul com a Namíbia e Botswana, através da faixa de Caprivi, através da qual estes animais abriram um corredor e circula uma das maiores manadas de elefantes do mundo, que sucessivamente tem estado a atacar a localidade do Mucusso.
O administrador diz que o maior perigo no retorno destes animais consiste no facto de os mesmos estarem a se aproximar em demasia das cubatas dos populares e, por esta razão, “notificamos a direcção provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), no sentido de fazerem deslocar os seus técnicos para aquela região, para tomarem as devidas providências”.
As comunidades, acrescentou, debatem-se também com o problema dos crocodilos, que já fizeram quatro vítimas mortais entre a população, que, por falta de água canalizada, é obrigada a realizar as suas actividades domésticas no rio Kubango, onde vivem muitos répteis perigosos.
Realçou o facto de a localidade do Mucusso estar isolada das outras regiões da província do Kuando-Kubango desde a década de setenta, altura em que foi destruída a ponte sobre o rio Kuito, pelas forças do regime do Apartheid da África do Sul, que ocupava ilegalmente o território namibiano. Por este motivo solicitou ao governo o envio de barcos a motor para facilitar a travessia da população.
Segundo Manuel Mora, o Mucusso dista pouco mais de 1.200 quilómetros da cidade de Menongue e tem de se passar obrigatoriamente em território da Namíbia, num percurso de aproximadamente 600 kms, antes de atingirem o posto fronteiriço de Catuitui, a porta de reentrada para Angola.
No capítulo de ensino, Mucusso tem apenas uma escola primária, com duas salas de aulas, onde se lecciona até a oitava classe.
O administrador disse que 1.800 crianças em idade escolar estão fora do sistema normal de ensino.
No sector da saúde os problemas resumem-se na falta de medicamentos, postos de saúde e de pessoal clínico especializado. A instalação no local de um centro de testagem voluntária do HIV/sida consta entre as principais inquietações do administrador, numa altura em que as doenças mais frequentes no Mucusso são as infecções de transmissão sexual, paludismo, diarreias agudas, conjuntivites e bronquites.

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