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Empresas garantem emprego a recém-formados

Fula Martins| Dondo

Desde que foi inaugurado, em 2007, o Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional do Dondo já formou 739 jovens em várias especialidades, revelou ao Jornal de Angola o seu director, José Manuel Miguel.

Jovens do Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional durante uma aula prática de corte e costura
Fotografia: Fula Martins

Desde que foi inaugurado, em 2007, o Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional do Dondo já formou 739 jovens em várias especialidades, revelou ao Jornal de Angola o seu director, José Manuel Miguel. Actualmente, estão a participar no ciclo formativo 182 jovens, dos quais 45 são mulheres que abraçam com naturalidade cursos tradicionalmente reservados aos rapazes. Aqui, a discriminação de género foi abolida.
Rita Manuel, de 18 anos, é uma das 45 jovens que estão a aprender uma profissão no Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional do Dondo, no Kwanza-Norte. Com o ensino médio concluído, preferiu, como contou ao Jornal de Angola, aprender o ofício de electricidade, porque assim estará “em melhores condições de se inserir no mercado do trabalho”. Rita explicou que o amor pela profissão foi inesperado. Uma quebra no disjuntor de casa provocou-lhe a curiosidade de mexer no quadro e descobriu que havia um curto-circuito. Conseguiu desfazer a avaria e, nesse momento, comunicou ao pai que queria frequentar o curso de electricidade.
Ao princípio, a família ignorou a sua escolha, alegando que se tratava de uma profissão de alto risco, aconselhando-a a fazer uma formação noutra área. Mas sem sucesso. “Não desisti das minhas aspirações e gosto daquilo que estou a aprender ”, afirmou.
Apesar do pouco tempo que leva de formação, já aprendeu a montar instalações eléctricas, caixas de derivação e lâmpadas. “Estou no Centro para aprender a profissão de electricista para ajudar Angola a crescer”, sublinha.
Considerando que a expressão segundo a qual “o curso de electricidade não é para meninas” é um tabu, e que apenas é necessário “ter muito cuidado”, desafia outras jovens a seguirem-lhe os passos, pois gostaria de ver mais mulheres com formação no ramo.
Agostinho André tem 15 anos e está a fazer a sua formação na área de refrigeração. “Já aprendi a montar compressores de uma arca, geleira e aplicar gás”, afirmou com entusiasmo.
Estudante da 8ª classe, Agostinho aconselha os amigos a abandonarem as más práticas, como a delinquência e alcoolismo, e a pensarem em fazer uma formação para adquirirem uma profissão.
“Quando terminar a minha formação, espero encontrar um emprego para ajudar a minha família e participar no desenvolvimento da minha província”, projecta já Agostinho.
Júlia Francisco tem 14 anos e optou por fazer a sua formação profissional na área de corte e costura. Começou por agradecer a iniciativa do Executivo, uma vez que vai incentivar muitos jovens a formarem-se e a abandonarem certas práticas nocivas a eles próprios e à sociedade.
“Já aprendi a talhar tecidos, a coser sacos de pão, batas escolares, fatos e saias”, explicou, confessando, porém, que escolheu fazer este curso por influência da tia.“Sempre gostei de assistir, quando a minha tia Minga cosia roupa. Por isso inspirei-me nela”, acrescentou.
Hamilton Manuel, de18 anos, há três meses que frequenta o curso de electrónica. “Já aprendi a medir transístores, a fazer soldadura, desmontar um aparelho, reparar televisores, e fiquei a saber como está constituído o computador”, adiantou.
Segundo explicou, a sua inserção no centro está a ajudar a dissipar as dúvidas que tinha em relação à electrónica. “Sempre gostei e queria conhecer melhor a sua composição”, disse.

Números de formação

O director José Manuel Miguel assegurou que os jovens, antes de frequentarem a formação, têm de ir ao centro de emprego para serem entrevistados. “Depois são encaminhados para a formação. Assim que terminam, voltam novamente ao centro de emprego para a sua inserção no mercado do trabalho”, esclareceu.
As empresas EKA, Odebrecht e outras de construção civil são aquelas que mais recrutam mão-de-obra entre os formados no Centro Integrado do Emprego e Formação Profissional do Dondo.
José Manuel Miguel adianta que o centro de emprego do Dondo já conseguiu inserir no mercado de trabalho mais de 250 jovens nas várias especialidades e está salvaguardada a questão de género. “Já é possível ver mulheres a fazerem cursos de electricidade, serralharia e refrigeração, antes considerados apenas para homens. Essas meninas não são as primeiras a serem formadas nessas especialidades. As primeiras já estão inseridas no mercado de trabalho na empresa EKA”, acrescentou.
“Temos recebido elogios das empresas que absorvem os nossos formandos pela qualidade que os mesmos têm demonstrado”, disse, orgulhoso.
Tendo em conta o sucesso, convida outros jovens do município a inscreverem-se no centro para adquirirem uma profissão. “É a partir daqui que podemos descobrir formas de ajudar os jovens a encontrarem um emprego e uma formação adequada”, considerou. “Portanto, gostaria que os jovens aparecessem massivamente nos centros de formação do Governo e noutros espalhados pelo município”.

Transporte para apoio

O centro do Dondo tem falta de uma viatura para apoiar os formandos. O director reconheceu que o centro se debate com problemas nesta área, para apoiar os jovens e trabalhadores que percorrem mais de sete quilómetros a pé.
“O centro encontra-se situado na parte alta do Dondo e os formandos, na sua maioria, residem na parte baixa e têm dificuldades de transporte”.
Este problema já foi exposto à direcção do Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social para que seja solucionado. “Esperamos que a nossa inquietação seja levada em consideração, para bem dos formandos e da instituição”, adianta.
João Manuel Miguel lamentou o facto de no acto da inscrição aparecerem muitos jovens a solicitar o seu ingresso, mas quando os cursos começam não aparecem por não terem transporte. “Muitos deles desistem por falta de dinheiro para o táxi. Às vezes o táxi é difícil e a desistência é a solução”, disse o director.
O Centro Integrado do Emprego e Formação Profissional, construído de raiz e localizado na zona do Alto Dondo, ministra cursos nas especialidades de electricidade, corte e costura, decoração, refrigeração, electrónica, carpintaria, alvenaria, informática e electricidade de baixa tensão.

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