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Ensino de nganguela regista níveis satisfatórios

Os níveis de ensino e aprendizagem da língua regional nganguela nas escolas do primeiro ciclo de ensino do município de Menongue, no Cuando Cubango, foram considerados satisfatórios, disse ontem o director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia.

Numa primeira fase o processo de generalização da língua nganguela abrange apenas os estudantes da primeira até à sexta classe
Fotografia: José Soares | Edições Novembro

Miguel Kanhime Kazavube falava no termo de uma série de visitas às escolas das zonas de Soba Matias, Dumbo, Cuatir, Chipombo Kueley e da sede comunal de Menongue, onde constatou com agrado o curso normal das aulas de língua nganguela e de outras disciplinas.
O director provincial adiantou que o processo de generalização da língua nganguela, de um modo geral, nas escolas do Cuando Cubango está a ser coroado de êxitos, a julgar pelos resultados apresentados.
Miguel Kazavube disse que a introdução da referida disciplina no processo de ensino foi oportuna, uma vez que o grupo étnico linguístico nganguela tem outros subgrupos, com destaque para os mbundas, lutchazes, mbuelas, ngondzelos, luimbis e nhiembas.
O director explicou que, embora estes grupos consigam comunicar-se, há determinadas expressões que variam de uma região para outra, situação que pode ser ultrapassada com o actual método de ensino.
O responsável disse que, numa primeira fase, o processo de generalização da língua nganguela abrange apenas os estudantes da primeira até à sexta classe, mas, no próximo ano lectivo, a julgar pelos níveis de motivação dos professores e alunos, a Direcção Provincial da Educação pretende expandir a disciplina no segundo ciclo de ensino, que superintende a sétima, oitava e nona classes.
Actualmente, disse que o êxito do processo se prende ao facto de os alunos estarem munidos de material didáctico traduzido de português para nganguela e, periodicamente, são submetidos a provas escritas de planeamento contínuo, trabalhos em grupo e tarefas de aprendizagem adicional, para o desenvolvimento de aprendizagem independente e colectivo. Miguel Kanhime disse que a direcção provincial pretende também executar o programa do ensino da língua nganguela no ensino superior, para permitir a formação de especialistas.
“Vão ser os futuros investigadores dos hábitos e costumes dos nganguelas e os que vão leccionar em outros níveis de ensino”, referiu. O director avançou que, desde a implementação do processo, não se tem encontrado dificuldades, visto que existe uma boa cooperação entre os professores das diferentes classes. “Sempre que um docente encontrar alguma complicação com o significado de determinados termos da língua, este tem apoio do responsável do programa”, realçou.
Acrescentou que os professores que leccionam a língua nganguela a nível do Cuando Cubango têm beneficiado anualmente de seminários de refrescamento e actualização, com o intuito de os ajudar cada vez mais na transmissão de conhecimentos aos alunos.
O director fez saber que, na reforma educativa, o ensino primário tem um conjunto de dez disciplinas consideradas fundamentais, com a inserção da língua nacional.
Apesar desta nova cadeira, que fez aumentar as cadeiras para 11, Miguel Kanhime assegurou que a carga horária não se alterou, tendo em consideração que se fez uma partilha dos tempos lectivos entre a língua portuguesa e a nganguela.
“Foi mantido o total dos tempos lectivos semanais e anuais por classe, embora tenha surgido mais uma disciplina, no âmbito da implementação das línguas nacionais, no sistema normal de ensino”, disse.
O director provincial da Educação acrescentou que, no Cuando Cubango, este processo está a ser implementado em todas as escolas do primeiro ciclo.
O coordenador provincial das línguas nacionais no Cuando Cubango, Moisés Fulai, disse que o processo de generalização do ensino do nganguela envolve cerca de 6.952 alunos de 1.952 salas do ensino primário, que têm as aulas asseguradas por 1.350 professores.
O responsável da educação salientou que, no Cuando Cubango, o processo de ensino da língua nacional nganguela começou em 2006, com 15 salas de aula nos municípios de Menongue, cinco no Cuchi e igual número no Cuito Cuanavale.
Inicialmente, as aulas eram administradas apenas para alunos da primeira classe, para alguns anos depois evoluir para os da sexta.

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