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Escassez de combustível provoca grande procura em Ondjiva

Quinito Kanhameni|Ondjiva

A escassez de combustíveis na província do Cunene, que se verifica há mais de uma semana, está a provocar uma grande procura e obriga automobilistas a parquear as suas viaturas, sobretudo na cidade de Ondjiva.

A escassez de combustíveis na província do Cunene, que se verifica há mais de uma semana, está a provocar uma grande procura e obriga automobilistas a parquear as suas viaturas, sobretudo na cidade de Ondjiva.
O Jornal de Angola, numa ronda efectuada ontem por alguns postos de combustíveis, constatou longas filas de viaturas que permaneciam muitas horas até se abastecerem. Os automobilistas, muitos deles em trânsito para outros pontos do país, chegaram muito cedo às bombas na ânsia de conseguirem os primeiros lugares. Mas, nem todos foram bem sucedidos, porque a procura era enorme.
Fernando António, automobilista, era o primeiro na fila, mas já estava há três horas na bomba do aeroporto à espera que o seu carro fosse abastecido. Ele conta que, um dia antes tinha passado pelas bombas do bairro Naipalala e da Santa-Clara com o mesmo objectivo, mas nada conseguiu “porque a situação era a mesma. Não havia combustível”.
Fernando vive no Lubango e pretende regressar à província, “por isso cheguei muito cedo para ser o primeiro a ser atendido. Hoje, tenho certeza que vou conseguir. Estou à procura do combustível há dois dias. Até já fui forçado a comprar um litro de gasóleo a oitenta kwanzas no mercado paralelo. Mas, nem sequer deu para encher o depósito”, reclamou.
O jovem Deloun Machado, vindo da Namíbia e em trânsito para a Huíla, o segundo da fila, classifica a situação como sendo crítica. “Deve-se alargar a rede de fornecedores para permitir que a região seja melhor abastecida”, sugeriu. Na sua opinião, o mau estado das vias também contribui para a rotura do stock.
Desejoso de voltar à sua província, Deloun Machado, que já não tinha combustível na sua viatura, teve de alugar a viatura de um amigo, onde colocou alguns bidões vazios e foi a Xangongo, um dia antes, “mas as bombas estavam às moscas”, garantiu.
Em Ondjiva, muitas viaturas que prestam serviço de táxi viram-se obrigadas a paralisar a actividade, porque os taxistas recusavam-se a comprar o combustível na “candonga” a um preço quatro vezes mais elevado do que o oficial, pois não tinham garantias do retorno. Tal facto provocou grandes enchentes nas paragens.
A carência de combustíveis nos postos de abastecimento na cidade de Ondjiva está a motivar especulação na venda do produto nos últimos dias. Em contrapartida é notório o número elevado de viaturas que circulam na linha Santa Clara com destino a outras províncias.
Nestes dias, no mercado informal, o litro de gasóleo é vendido a 100 kwanzas, contra os 29 que é o preço oficial. Já o litro de gasolina varia entre 150 e 200 kwanzas.
       
Incumprimentos

O assistente técnico comercial da Sonangol no Cunene, Rui António, disse ao Jornal de Angola que a carência de combustível na província se deve aos incumprimentos no pagamento das concessionárias à Sonangol.
Rui António garante que a Sonangol tem capacidade para abastecer de combustível a província de forma regular. “As infra-estruturas são da Sonangol, não compreendemos a razão porque os concessionários não honram os seus compromissos com a empresa distribuidora”, manifestou.

Garantia

A Sonangol, para contornar a situação, vai abrir, brevemente, o seu centro de distribuição, em Ondjiva, onde foram construídos reservatórios com grande capacidade de armazenamento. Prevê-se que com a entrada em funcionamento deste posto, os automobilistas vão ver o seu problema resolvido.

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