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Escolas de campo ajudam a mitigar estiagem cíclica

Domingos Mucuta | Lubango



A criação de escolas de campo nos municípios da Huíla, Namibe e Cunene reduziu o impacto das estiagens cíclicas que afectam as comunidades, revelou o coordenador do Projecto Integrado Resiliência Angola-Namíbia.

Comunidades contempladas tinham muitas dificuldades para adquirir água
Fotografia: Venâncio Martins | Edições Novembro

Matteo Tonini disse que a execução do projecto, terminado em Outubro, permitiu a instalação de 113 escolas de campo, cada uma para beneficiar mais de 40 famílias camponesas.
O coordenador sublinhou que o projecto, que permitiu também instalar 48 sistemas de rega gota-a-gota, numa área de 30 hectares, mudou a realidade das comunidades contempladas, marcadas na altura do arranque do projecto, em 2014, por uma situação de emergência. Explicou que a província do Cunene, por ser a região mais afectada pela estiagem nos últimos anos, concentra o maior número de escolas de campo (80), seguido da Huíla, com 13.
Matteo Tonini disse que, apesar do número reduzido, as escolas dos Gambos são as mais activas, porque os membros desenvolveram o espírito empreendedor, formalizaram o negócio e passaram a fornecedores de sementes da FAO.
“A fase pós-emergência arranca nos próximos meses, com o suporte da União Europeia, que manifestou a disponibilidade para apoiar as continuidades abrangidas pelo programa. As famílias ligadas à escola dos Gambos agora fornecem sementes para outras comunidades, sem o mesmo nível de organização”, disse.
A nova etapa deve durar cinco anos, período em que se espera que a maioria das comunidades seja organizada e independente das ajudas internacional e do Executivo.

Sistema de alerta
Outra componente do Projecto Integrado Resiliência Angola-Namíbia consistiu na instalação de sistemas de alerta rápido sobre as variações climáticas. A primeira intervenção começou nas províncias da Huíla, Namibe e Cunene. Neste momento, a cobertura é abrangente a todos os municípios das três províncias. O projecto prevê a colecta de dados relativos à chuva, disponibilidade de pastos e água, de doenças de animais e das plantas, bem como de preços dos produtos no mercado.
Justificou que a recolha de preços nos mercados é fundamental, porque define a escassez ou a abundância de produtos. Esta componente incluiu a formação de 30 técnicos das três províncias, sobre metodologia de seguimento aos trabalhos da classificação integrada das fases da segurança alimentar e nutricional.
Disse que a formação não visa recolher novos dados, mas, a partir dos actuais, facilitar a identificação de áreas críticas por parte dos governos, sistemas das Nações Unidas e parceiros sociais. Os técnicos estão prontos para utilizar uma linguagem internacional na avaliação da segurança alimentar e nutricional a nível local, provincial e nacional.
As províncias abrangidas dispunham de técnicos formados em segurança alimentar, mas não em metodologia de classificação integrada das fases da segurança alimentar e nutricional.
Matteo Tonini disse que os métodos são usados em muitos países da Ásia e da Europa, para identificar o grau de insegurança ou segurança alimentar e nutricional de determinada região.
    O coordenador do projecto da FAO considera que a falta de chuva influencia a segurança alimentar e nutricional das comunidades. Acrescentou que as mudanças climáticas estão a transformar o modo de vida da maioria das comunidades, não só em Angola como em outras partes do mundo. O especialista apontou como solução a construção de barragens destinadas à retenção da água dos rios de caudal intermitente, no período das chuvas, captação de água subterrânea e reabilitação de chimpacas,

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