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Estações de tratamento de água são orgulho

Vladimir Prata e João Upale | Moçamedes

A construção das Estações de Tratamento de Água e de Águas Residuais (ETA e ETAR) da cidade de Moçâmedes, capital do Namibe, constitui o maior benefício material da província nos últimos cinco anos.

Investimento permitiu a substituição da antiga rede de distribuição com cerca de 60 quilómetros e a construção de um novo sistema
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Até bem perto do final do ano passado, o Namibe beneficiava somente de abastecimento de água bruta, através da rede de captação, armazenamento e distribuição, com as mínimas condições de tratamento. Hoje, o tratamento do líquido é eficaz, num projecto que custou aos cofres de Estado cerca de cem milhões de dólares norte-americanos.
O investimento permitiu a substituição, por completo, da antiga rede de distribuição com cerca de 60 quilómetros e a construção de um novo sistema com mais de 30 quilómetros, no perímetro urbano, e outro com 76 quilómetros no bairro 5 de Abril, o mais populoso da capital da província. Foram abertos mais quatro furos de sucção e, com os três que já existiam, a cidade passou a contar com sete furos de captação de água, ligados a electro-bombas com capacidade de  215 metros cúbicos por hora.
O novo sistema dispõe de filtros especiais, capazes de reduzir a quantidade de ferro e de outros minerais. A capacidade de armazenamento de água também aumentou consideravelmente, de cerca de 600 para 20.600 metros cúbicos, o que permite, em caso de necessidade, abastecer a cidade e arredores durante cinco dias sem recurso a quaisquer outras fontes. Para tal, foram construídos dois tanques de 10 mil metros cúbicos cada.
Mais de 35.000 ligações domiciliares foram estabelecidas, mas a meta é atingir mais de 40.000 beneficiários, contra os 15.000 existentes antes da implementação do projecto. Com todo este esforço, a capacidade diária de produção de água potável é agora cinco vezes superior, garantida para os próximos 35 anos.
O director provincial da Energia e Águas do Namibe, Arlindo Tavares, não esconde o  orgulho pela construção destes empreendimentos, o que o leva a destacar o novo sistema de filtração com bombas doseadoras, para indução do líquido. Os dois tanques de armazenamento dispõem de uma adutora de 600 milímetros, que percorre uma distância de mais de seis quilómetros para distribuição de água à cidade de Moçâmedes, e outra que parte da estação de captação do Benfica até à ETA, também de 600 milímetros de diâmetro, e mais uma de 250 milímetros de diâmetro que foi reaproveitada.
“Estamos ainda na primeira fase do projecto, mas podemos afirmar com orgulho que estamos bem servidos”, enfatizou. Nos últimos dias, a pressão na distribuição aumentou, já que toda a captação a partir de Benfica está redimensionada e tem energia eléctrica para suprir a capacidade instalada.
A ETAR também já entrou em funcionamento, após a instalação de uma estação elevatória de águas residuais, onde é feito o tratamento especial até à evacuação. “Se observarmos, na cidade já não existem aquelas águas que fedem por todo o lado, fruto deste novo empreendimento”, explicou.
Arlindo Tavares lembrou que no início do projecto nem tudo foi um “mar de rosas”. Desde a preparação dos terrenos, houve alguns constrangimentos, mas foram superados com o envolvimento da população do bairro 5 de Abril, situado na periferia da cidade, onde se encontra implantada a nova ETA, e com a ajuda do governo provincial que superou alguns problemas.
 As obras de construção da nova ETA e da ETAR na cidade de Moçâmedes iniciaram em finais de 2014, numa área de 500 e 800 metros quadrados de superfície, respectivamente. O projecto de abastecimento de água potável estende-se a outras localidades, estando mais avançado nos municípios do Tômbwa, Virei e Camucuio. Na cidade do Tômbwa, o investimento público permitirá o reforço do abastecimento da principal zona urbana e de uma parte da área periférica, além de apoiar o sector industrial.
O orçamento das obras de reforço do sistema de abastecimento de água no município do Camucuio supera nove milhões de dólares norte-americanos, com um prazo de execução de quinze meses para a concepção e construção, e 36 meses para a operação e manutenção.
O projecto tem uma capacidade de 100 metros cúbicos de caudal por hora, para beneficiar 10.023 habitantes até 2026. A construção de um reservatório e a reabilitação da torre de pressão existente garantem o armazenamento da água.
O sistema de distribuição, dimensionado para 100 metros cúbicos por hora, parte da captação de água em quatro furos artesianos. A capacidade de armazenamento foi duplicada em duas células de 150 metros cúbicos cada.

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