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Estância turística do rio Tuco é referência em Mbanza Congo

Victor Mayala|Mbanza Congo

Mbanza Congo tem sítios e monumentos históricos indicados pelo Governo para a sua inclusão na lista do património mundial da UNESCO. A actual capital provincial do Zaire e antiga capital do reino do Congo tem numerosos locais de interesse turístico, de rara beleza exótica.

Mbanza Congo tem sítios e monumentos históricos indicados pelo Governo para a sua inclusão na lista do património mundial da UNESCO. A actual capital provincial do Zaire e antiga capital do reino do Congo tem numerosos locais de interesse turístico, de rara beleza exótica.
Uma das zonas muito frequentadas é a estância turística que se estende ao longo do rio Tuco, localizada 12 quilómetros a sul de Mbanza Congo. O rio tem características ímpares, com cachoeiras, água correndo entre as rochas e o chilrear dos pássaros nsiesié. O Tuco é um lugar aprazível para passar momentos de lazer inesquecíveis.
O local tem sido vandalizado e muitos frequentadores deixam resíduos sólidos como latas e garrafas. Até há quem derrube as árvores existentes. Os responsáveis da Direcção Provincial do Ambiente já entraram em acção com vista à requalificação da estância turística do Tuco.
Durante a realização da mesa redonda internacional sobre Mbanza-Congo “Cidade a Desenterrar para Preservar”, os participantes idos de diferentes pontos do país e do mundo visitaram locais turísticos de Mbanza Congo todos reconheceram as potencialidades de Angola neste domínio.
Ao longo da estrada que liga os municípios de Mbanza Congo e Tomboco, podem ser vistas paisagens exóticas e exuberantes entrecortadas por diversos riachos de água límpida e imponentes rochedos, realçando as maravilhas e a força da natureza.
O Museu dos Reis do Congo, situado no coração da cidade, alberga um acervo constituído por utensílios ilustrativos dos usos e costumes dos habitantes locais, objectos pessoais dos reis e é um motivo de atracção para os turistas que escalam a região.
“Esta casa era a residência oficial e por ela passaram 80 reis. Foi transformada em museu em 1982”, disse à nossa reportagem o activista cultural e funcionário do museu, Nicolau José dos Santos. De Janeiro a Fevereiro deste ano, a instituição foi visitada por 150 turistas entre nacionais e estrangeiros. Os forasteiros além do museu visitam ainda outros locais de interesse turístico e histórico como a árvore milenar Yala Nkuwu, e o Kulumbimbi, primeira igreja construída de pedra e cal na vigência do rei Ními-a-Lukeny, na África a Sul do Saara.
“Os monumentos e sítios de Mbanza Congo são elementos catalisadores para os apreciadores do turismo associado à História”, sublinhou Nicolau José dos Santos.
O cemitério onde repousam os restos mortais dos antigos reis do Congo, localizado no perímetro adjacente ao Kulumbimbi, é muito visitado devido ao seu peso histórico e aspecto arquitectónico das sepulturas e da vedação. A estes atractivos históricos, aliam-se também as estórias míticas sobre o reino do Congo e o poder mortífero ou protector de que os seus soberanos eram detentores, contadas pelos “mais velhos”, conhecedores da tradição.

Projecto na forja

“O município de Mbanza Congo, além de ser histórico, tem áreas e paisagens dignas de serem exploradas para o desenvolvimento do turismo como as cascatas do Nkungu-a-Paza,
as grutas do Nza-Evua e tantos outros ainda por explorar”, referiu o administrador adjunto municipal, José Pedroto. Informou também que a administração tem já na manga um projecto para o desenvolvimento do sector que vai ser, nos próximos tempos, levado a cabo em conjunto com a Direcção Provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo no Zaire.
“O projecto está em desenvolvimento e esperamos que o turismo atraia investimentos privados”, disse José Pedroto, que defendeu também a necessidade de serem criados mais espaços de lazer na cidade de Mbanza Congo.
O administrador municipal adjunto apelou às pessoas que frequentam as áreas turísticas para não vandalizá-las na medida em que, frisou, se forem requalificadas, podem constituir fontes de receitas para os cofres do Estado.

Quinta do Kiowa

A aldeia do Kiowa, a três quilómetros da cidade de MbanzaCongo, nos últimos tempos tem despertado o interesse de muita gente que gosta de apreciar os encantos da natureza. No local existe a quinta de Victor Kusonga, um empreendedor que apostou na piscicultura, uma actividade pouco praticada nestas paragens.
Construiu na quinta, 15 tanques onde se reproduzem cacussos e bagres. Os peixes são vendidos às pessoas que ali queiram passar o dia e têm onde grelhá-los na hora. Victor Kusonga construiu na sua quinta de 100 hectares uma pensão para alojar os turistas.
A iniciativa visa contribuir para os esforços do Governo em criar espaços que fomentem e incentivem a prática do turismo.
Gonçalves Alberto, estudante universitário, referiu que com advento da paz estão criadas as condições de segurança e tranquilidade para que as pessoas possam se deslocar-se em excursões turísticas. “O potencial económico de Angola não se resume apenas aos diamantes e petróleo e o turismo pode um papel importante na nossa economia”, disse.

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