Províncias

Estiagem compromete ano agrícola no Moxico

Samuel António | Luena

O interregno das chuvas, que se registou desde Setembro até a última quinzena de Novembro, compromete as previsões de uma boa safra na presente campanha agrícola no Moxico, segundo camponeses contactados pela nossa reportagem, que alertam sobre a possibilidade de insuficiência alimentar nos próximos meses.

Fotografia: DR

Martins Salucombo, camponês da localidade de Luan-do, comuna de Lucusse, município do Moxico, desbravou, para a presente campanha agrícola, cinco hectares, para o cultivo de diversos produtos, mas o atraso das chuvas atrapalhou a se-menteira. “O cultivo de produtos, principalmente os cereais, tem um período de-terminado e a falta de chuva, que se observou desde Se-tembro, comprometeu os nossos planos”, disse Martins Salucombo.
Evaristo Machai, que viu também o seu trabalho afectado, afirmou que esperava ter boa colheita, mas a falta de chuva, logo no começo da campanha agrícola, dificultou o cumprimento do que estava planejado.
O camponês disse que já não tem esperança de colher as mais de dez toneladas de produtos diversos previstas e que agora aposta na plantação de mandioca, que pode desenvolver-se desde que receba as últimas chuvas do ano.
A nossa reportagem ouviu, também, Bernardo Malesso, responsável de uma associação de camponeses no bairro Muapezo, município de Camanongue, que prevê, para o próximo ano, escassez de alguns produtos, sobretudo cereais.
Bernardo Malesso controla 134 associados, entre homens e mulheres que, para a presente campanha agrícola, desbravaram mais de 200 hectares, para o cultivo de milho, mas, devido à falta de chuva, os objecti-vos preconizados não foram alcançados.
O agricultor prometeu adiar a sementeira do milho para quando começar a chover, com receio de serem prejudicada pelo sol ardente.
Para o responsável da associação, há um atraso de dois meses no cultivo de milho. Sublinhou que as chuvas na região começam a cair com regularidade na última se-mana de Setembro e, em condições normais, o milheiro já devia estar na fase de dar espigas. "Só faltam praticamente três meses de chuva e semeando o milho agora vai desenvolver-se?", questionou-se o camponês.
Na abertura da campanha agrícola 2018/2019, que teve sucessivos adiamentos devido a falta de chuva, o governador Gonçalves Muandumba defendeu o aperfeiçoamento da organização das cooperativas e associações de camponeses, visando o aumento da produção.

Tempo

Multimédia