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Estigma e discriminação afectam adesão ao teste

Kilssia Ferreira

As atitudes discriminatórias em relação às pessoas que vivem com o VIH/sida reduzem substancialmente à medida que aumenta o nível de escolaridade, revela o Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) 2015-2016.

Hospital Sagrada Esperança é a unidade de referência para o tratamento da doença
Fotografia: Edições Novembro

O documento refere que o estigma e a discriminação afectam negativamente a adesão voluntária ao teste de despistagem da doença, cuidados e tratamento.
A pesquisa precisa que a redução do estigma e da discriminação representa um indicador importante para o sucesso da resposta ao VIH. 
A percentagem de pessoas com atitudes discriminatórias é duas vezes maior nas áreas rurais do que nas zonas urbanas. Nos homens, refere o documento, a percentagem é de 52 por cento nas áreas rurais e 29 por cento nas zonas urbanas. As mulheres representam 59 por cento nas zonas rurais e 29 por cento nas áreas urbanas.  A província do Moxico, com 10 por cento, é a que apresenta menos atitudes discriminatórias.
Os dados indicam que duas em cada dez pessoas com idades compreendidas entre 15 e 49 anos, declararam que as crianças infectadas com o VIH não devem frequentar a mesma escola que as saudáveis. 
O inquérito revela também que três em cada dez pessoas com idades compreendidas entre 15 e 49 anos afirmaram que não comprariam legumes a um comerciante com VIH.
A prevalência de VIH é maior nas mulheres das áreas urbanas (três por cento) do que nas zonas urbanas (1,7 por cento).
O inquérito verificou que nos homens, a percentagem de prevalência do VIH é maior nas áreas rurais (1,4)  do que nas zonas urbanas (1,2 por cento).
Os dados indicam que a prevalência de VIH nas mulheres é maior nas pessoas dos 35 aos 39 anos (4,3 por cento) e menor no grupo etário dos 15 aos 19 anos (0,8 por cento). Nos homens, a prevalência é maior na faixa etária dos 40 aos 44 anos (2,7 por cento) e menor no grupo dos 15 aos 19 anos (0,6 por cento).
O inquérito revelou também que entre os jovens, a prevalência de VIH é mais elevada nas mulheres (1,1 por cento) em relação aos homens, que é de 0,7 por cento.
A prevalência de VIH é maior nas mulheres jovens separadas, divorciadas e viúvas (5,7 por cento) do que nas casadas que apresentam uma taxa de 0,9 por cento.
As informações relativas ao conhecimento sobre VIH/Sida, atitudes e comportamentos sexuais seguros  e o conhecimento  da população sobre as principais  formas de prevenção são essenciais para o planeamento e monitorização de uma resposta eficaz para o controlo desta epidemia.
Em anos anteriores (2004-2013) a prevalência do VIH no país tinha sido calculada através de estudos seroepidemiológicos  realizados em mulheres grávidas em consultas pré-natais.
Segundo os dados desses estudos, a epidemia do VIH em Angola é predominante na população das grandes áreas urbanas e províncias que fazem fronteira com países vizinhos com alta de prevalência.
O inquérito de Indicadores Multiplos foi orientado pelo Instituto Nacional de Estatísticas com a colaboração do Ministério da Saúde a assistência da Unicef.

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