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Estrada entre Saurimo e Malange necessita de intervenção urgente

Adão Diogo| Via Saurimo/Malange

O troço reabilitado de mais de 600 quilómetros da estrada nacional entre Saurimo (Lunda-Sul) e Malange está a degradar-se. A falta de uma fiscalização rigorosa está na origem da situação.
A via não tem sinalização vertical e horizontal, e as faixas de rodagem são muito estreitas. Por isso, os automobilistas queixam-se do perigo que correm. 

A via não tem sinalização vertical nem horizontal e as faixas de rodagem são muito estreitas constituindo im parigo imente
Fotografia: João Diogo

O troço reabilitado de mais de 600 quilómetros da estrada nacional entre Saurimo (Lunda-Sul) e Malange está a degradar-se. A falta de uma fiscalização rigorosa está na origem da situação.
A via não tem sinalização vertical e horizontal, e as faixas de rodagem são muito estreitas. Por isso, os automobilistas queixam-se do perigo que correm. 
O asfalto colocado há cerca de três anos na via Saurimo/Mona-Kimbundo/Kakolo/Xinje por operários chineses, que realizam manutenções regulares, permitem uma condução cómoda e célere.
 Mas o troço de cerca de 40 quilómetros entre o Xinje e a ponte sobre o rio Kakuilo, nas imediações da localidade de Xamikelengue, requer prudência por parte dos automobilistas.

Movimento na estrada

Filas de camiões, autocarros, viaturas ligeiras e motociclos percorrem a estrada. A pressa, aliada ao desrespeito pelo código de estrada, antes e durante as ultrapassagens, potencia os acidentes.
As consequências deste tipo de aventura terminam em despistes e capotamentos, porque vários "peritos do volante" ensaiam a estabilidade dos carros que conduzem em curvas e descidas íngremes, sem as medidas de segurança exigidas.
"Confundem a estrada com uma pista de Fórmula 1", disse um automobilista com mais de vinte e cinco anos de experiência. Ele acusa os jovens de serem os principais  protagonistas de acidentes: "Uns, devido aos efeitos do álcool, outros por confiarem demais na habilidade adquirida e chamam aos cautelosos de lentos."  Nas imediações da temível subida do Mulo, o jovem David Alberto, 19 anos, aguarda  por orientações técnicos chineses, com os quais trabalha há três meses. Cumpre, diariamente, oito horas de serviço, para ganhar no fim do mês 15 mil kwanzas. "O salário é pouco, mas, como sou solteiro, dá para remediar", justifica.
Confrontado com a quebra de um eixo do camião, a meio da subida do Mulo, o condutor Gervásio Tito ensaia estratégias para solucionar o problema e reatar a viagem. A ocupação da via pelo camião prejudica outros automobilistas.
O automobilista explica que a avaria na sua viatura resulta do "mau estado de alguns troços" da via. Gervásio Tito considera que o trabalho de recuperação feito na via Saurimo/Malange facilita a circulação, mas a qualidade da obra deixa muito a desejar.
"Passámos por troços em que o asfalto parece mosaico. Noutros, o piso parece manteiga ou papa, para não falarmos da facilidade com que o asfalto desaparece e dá lugar aos buracos", explica. Estes, favorecem a ocorrência de avarias e acidentes, principalmente nos troços Xinje/Xamikelengue e Xá-Muteba até à ponte sobre o rio Lui.
A estrada serpenteia entre o sopé do morro de Kabatukila e a baixa de Kassanje. A paisagem de Kabatukila representa uma tentação para muitos homens do volante, que minimizam o perigo no local dominado por curvas e contracurvas e faixas estreitas. A transposição do local em direcção à cidade de Malange constitui um alívio para quem conduz ou segue apenas como passageiro. Uma estrada sólida, com uma largura superior a oito metros, devolve o conforto almejado. Mas a sinalização começa apenas a partir da sede municipal de Caculama, a 60 quilómetros da sede da "capital da Palanca Negra".

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