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Fábrica de água mineral reforça parque industrial

Bernardo Capita | Cabinda

Uma fábrica de água mineral foi inaugurada sexta-feira pelo governador de Cabinda, Aníbal Lopes Rocha, na aldeia de Chimutiaco.
O empreendimento, avaliado em 9,5 milhões de dólares, é o primeiro de género na região e é propriedade de dois empresários locais.

Governador Aníbal Lopes Rocha quando percorria a área de enchimento depois da inauguração da nova unidade fabril
Fotografia: Rafael Tati

 Uma fábrica de água mineral foi inaugurada sexta-feira pelo governador de Cabinda, Aníbal Lopes Rocha, na aldeia de Chimutiaco.
O empreendimento, avaliado em 9,5 milhões de dólares, é o primeiro de género na região e é propriedade de dois empresários locais.
Dotada de tecnologia de última geração, a fábrica “Tchiowa” vai produzir, numa primeira fase, 50 mil garrafas de água por dia, em recipientes de 1,5 litros, 5 litros e de 0,33 centilitros, prevendo aumentar esta cifra para 120 mil garrafas por dia nos próximos três meses.
A produção inicial vai ser completamente absorvida pelo mercado da província de Cabinda.
Com uma extensão de aproximadamente 12 mil metros quadrados de superfície, a nova fábrica de água mineral de Cabinda tem 42 trabalhadores, maioritariamente jovens, e funciona com autonomia técnica, produzindo todos os seus componentes desde os “pexes” para a produção de garrafas, tampas e pegas para os garrafões de cinco litros, importando apenas a resina granulada.
O projecto, iniciado há dois anos, contempla, além da fábrica, outras infra-estruturas de apoio, como o refeitório, balneários e sete casas para os técnicos.
Francisco Raul Rocha, um dos proprietários da fábrica, disse, durante a cerimónia de inauguração, enquadrada nos festejos do 11 de Novembro, dia da Independência Nacional, que é pretensão do grupo empresarial diversificar, a partir do próximo ano, os negócios, no sector comercial e industrial.
Francisco Raul Rocha considerou a concretização do projecto da fábrica de água mineral “Tchiowa” como uma prova de que a classe empresarial de Cabinda pode, de forma organizada, ser uma alavanca importante para dar corpo ao parque industrial de Fútila, um importante pólo de desenvolvimento projectado pelo Governo Central.
Segundo o empresário, a produção da fábrica é canalizada para o mercado de Cabinda como primeira prioridade, para o campo petrolífero de Malongo, base do Kwanda (Soyo) e, numa segunda fase, para o mercado de Luanda.
“O nosso produto está certificado pelo Instituto Nacional de Controlo de Qualidade Alimentar do Ministério da Saúde e tem um laboratório onde fazemos análises regulares antes e após venda”, disse.
Francisco Raul Rocha acrescentou que o laboratório da fábrica está apetrechado com equipamentos dos mais modernos existentes no mercado internacional.

Governo Provincial aplaude a iniciativa  

“A construção da fábrica de água mineral ‘Tchiowa’ é importante para as populações de Cabinda, por ser um empreendimento que vai incidir directamente na sua vida, e uma fonte de arrecadação de receitas para o Orçamento Geral do Estado (OGE)”, disse o governador Aníbal Rocha durante a cerimónia de inauguração da unidade de produção.
 “Este empreendimento vai trazer muitas vantagens, uma delas é o emprego que vai dar aos jovens. Ficamos surpresos e estamos deveras satisfeitos por verificarmos que grande parte, se não a maioria dos trabalhadores, são jovens”, disse.
Ao enaltecer o espírito empreendedor evidenciado pelo grupo empresarial local, Aníbal Rocha disse que o gesto demonstra, claramente, que a classe empresarial de Cabinda “não está morta nem desactivada. Tem projectos e põem-nos em prática”.
O governador Aníbal Rocha considerou imprescindível que se aumente o apoio à classe empresarial local pelas instituições bancárias, para que iniciativas de género se multipliquem.

Estrutura técnica

A fábrica de água mineral “Tchiowa” tem três secções específicas, a de injecção, de sopro e de enchimento.
Segundo o director da nova unidade fabril, Samuel João Pequeno, a fabricação local de garrafas e rolhas faz da “Tchiowa” uma unidade de produção auto-suficiente e de referência.
“Transformamos o plástico em ‘pexes’ para o fabrico de garrafas e também fabricamos as tampas. As garrafas, depois são lavadas, sopradas e colocadas na linha de enchimento e, finalmente, rotuladas e embaladas”.
Um furo artesiano de 260 metros de profundidade, sustentado por uma tubagem em aço inox até ao tanque de água bruta na estação de tratamento é a fonte que alimenta a fábrica, explicou Samuel João Pequeno.  A fábrica, de acordo com João Pequeno, tem uma força de trabalho qualificada, toda local, estando somente os trabalhos de manutenção das três áreas técnicas sob responsabilidade de técnicos expatriados.
Samuel João Pequeno anunciou que, no futuro, a fábrica vai diversificar os seus produtos, passando a produzir água gaseificada e sumos naturais, já que a província tem um grande potencial frutícola.

Rio Lucola

O rio Lucola, principal fonte hídrica que abastece a cidade de Cabinda, corre sérios riscos de desaparecer, em consequência da desmatação e construção anárquica de casas ao longo das suas margens.
Estes dois factores, protagonizados por populares, segundo o chefe de departamento da Secretaria Provincial de Águas, Filipe Barros, estão na base do assoreamento do rio Lucola e a consequente perda de caudal.
Filipe Barros disse que os níveis de captação de água a partir do rio Lucola baixaram, forçando o sector a elaborar um plano director de emergência para salvaguardar o abastecimento de água às populações da cidade de Cabinda e bairros da periferia.
O programa prevê a requalificação total do perímetro adjacente ao rio Lucola, na perspectiva de protegê-lo de possíveis construções.
A bacia hidrográfica de Cabinda é constituída por consideráveis rios e lagoas, com destaque para o rio Chiloango, onde, segundo Filipe Barros, o Governo projecta construir, na localidade de Sassa Zau, um moderno sistema de captação e tratamento de água com capacidade de mil metros cúbicos de água, numa primeira fase, e dois mil na segunda fase.
“É um sistema inter-municipal, porque vai abastecer Cabinda e Cacongo”, disse Filipe Barros, acrescentando que vai ser reforçado com o “Programa Água para Todos”, sustentado por águas subterrâneas captadas por via de furos artesianos.
Filipe Barros disse que a grande dificuldade do momento reside na incapacidade de abastecer com água potável as populações da periferia da cidade, devido aos cortes constantes de energia eléctrica.
“Só poderemos estabilizar os níveis de produção se realmente a ENE nos fornecer energia eléctrica regularmente”, justificou Filipe Barros.  “Apesar das  dificuldades, os níveis de produção estão na ordem dos 931 metros cúbicos hora em toda a província”, concluiu.

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