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Falta de residências afugenta professores

Nicolau Vasco | Menongue

Pelo menos nove dos 11 novos professores colocados na sede comunal de Jamba Cueio, a 120 quilómetros da cidade de Menongue, Cuando Cubango, abandonaram a circunscrição por falta de condições de acomodação, disse o administrador comunal.

Fotografia: Nicolau vasco | Edições Novembro

Joaquim Liwe realçou que neste momento a sede comunal de Jamba Cueio debate-se com a falta de infra-estruturas e nem sequer casa de pau-a-pique tem para a Administração arrendar para os professores ou outros quadros colocados na região.
A sede de Jamba Cueio debate-se também com a falta de transportes, pois dos 120 quilómetros de estrada até à cidade de Menongue 37 quilómetros são em terra batida, com muito areal.
A comuna tem uma população estimada em 5.500 habitantes, distribuídos por 19 aldeias, e ocupa uma superfície de 6.180 quilómetros quadrados. Desde o fim do conflito armado o Governo construiu apenas na localidade uma escola de quatro salas de aula, para cerca de 700 alunos do ensino de base até à sexta classe. Tem também um posto médico, com capacidade para internar dois doentes, e um posto policial.
O sector da Saúde conta apenas com dois técnicos de enfermagem e por falta de espaço os doentes são internados nas suas próprias residências, sendo as doenças mais frequentes a malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas e febre tifóide.
O administrador acrescentou que a Administração necessita urgentemente de duas ambulâncias, para garantir assistência às comunidades que vivem nas aldeias que se distanciam entre si mais de 60 quilómetros, e uma nova unidade hospitalar, com capacidade mínima de 20 camas, bem como residências para os técnicos.
“Neste momento também não temos medicamentos, porque, durante o primeiro trimestre deste ano, fomos abastecidos uma única vez, com pequenas quantidades, que esgotaram no espaço de uma semana”, disse o administrador Joaquim Liwe, para acrescentar que todos os serviços administrativos são feitos na sua residência.
Os funcionários também trabalham em suas casas, cabendo-lhes todas as manhãs reunirem-se no quintal da casa do administrador para receberem orientações.
O único gerador de 150 KVA encontra-se avariado há mais de um ano. “Em relação à água potável estamos bem servidos, porque o Governo mandou abrir alguns furos”, garantiu o administrador.
A vice-governadora para o sector Político, Social e Económico, Sara Mateus, pediu à população para ter esperança em dias melhores. “Anotei todas as vossas preocupações e vou levá-las à consideração do governador Pedro Mutindi.”

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