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Falta de passageiros impede circulação regular

Upale | Mocâmedes

A escassez de passageiros, para manter a realização de comboios específicos no corredor entre as cidades de Namibe ao Lubango, está a inviabilizar o tráfego regular naquela rota, justificou ontem o delegado do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes (CFM).

Estão a ser realizados estudos de viabilidade econónica para que proximamente os comboios de mercadorias possam também levar passageiros
Fotografia: Lourenço Bule | Edições Novembro-Cuando Cubango

Manuel Candacanda avançou que o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, que já funciona em pleno desde 2012, subsiste em estreita dependência das condições do próprio mercado.
O delegado Manuel Candacanda referiu que o objecto social do CFM é a transportação de pessoas e mercadorias, na rota Namibe-Lubango, daí que o Conselho de Administração da Empresa pensou em montar uma estratégia no sentido de aumentar o grau de utilização do comboio como meio de transporte público por excelência.
Neste sentido, disse que, para o troço Namibe-Lubango, está a ser efectuada a circulação de mais comboios de mercadorias, com a transportação de combustível para a Huíla e de gás butano para o Cuando Cubango, bem como tem estado a transportar os equipamentos que estão a servir de montagem na zona de produção mineira do Cuchi, o chamado ferro guza.
A nível da referida rota, Manuel Candacanda salientou que só não se efectua o transporte de passageiros, porque o estudo de mercado da empresa indica a inexistência de população que justifique a realização de rotas específicas, em função dos custos operacionais avultados do próprio caminho-de-ferro.
O delegado do CFM esclareceu que a administração da empresa pretende atingir a diversificação de mais comboios de mercadorias, para conseguir justificar a introdução de caravanas de passageiros. Como solução, o responsável disse que a empresa está a realizar estudos de viabilidade e, num futuro próximo, apostar na diversificação dos próprios equipamentos específicos, para o transporte de  pessoas.
Referiu que os desafios da empresa são enormes, mas o CFM, em função das experiências, só atinge o topo da sua capacidade com o projecto mineiro de ferro. “Caso arranquem as minas do município da Jamba e de Xamutete, na província da Huíla, com certeza a empresa volta aos indicadores que já apresentou na década de 1970”, aponta.
Manuel Candacanda aludiu que se a situação económica do país e a realidade das empresas públicas fundamentalmente fossem excelentes, o CFM faria novas contratações de pessoal. Mas, enquanto a crise prevalecer, a instituição fica apenas a potenciar os 1.500 técnicos com formações e refrescamentos.
A realização de comboios semanais é variável, na medida em que o CFM só está a operar substancialmente para a Sonangol e a Sonagás. À pedido do cliente, a empresa efectua três frequências da localidade de Saco Mar para o Lubango, na transportação de cisternas de combustíveis, e dois outros comboios quinzenais de transporte de gás para o Cuando Cubango.
“Na eventualidade de surgir um cliente a solicitar o transporte de madeira e de granito de Lubango para Namibe, esses comboios são variáveis”, explicou o responsável para avançar que a programação como tal do comboio num calendário tem mais a ver com o serviço de passageiros.

Reunião ordinária


O delegado do CFM falava ao Jornal de Angola à margem da primeira sessão ordinária do Governo Provincial, que visou avaliar, entre outros documentos, a informação do grau de cumprimento das recomendações saídas da reunião anterior, apresentação do relatório anual de execução financeira de despesa do ano passado e o comunicado final do sexto conselho consultivo do Ministério dos Transportes. Orientada pelo governador Rui Falcão, a reunião serviu ainda para analisar a situação política, económica e social da província, num encontro em que os membros tomaram conhecimento do andamento do processo de registo eleitoral na região, que consideraram de positivo o nível de organização e desenvolvimento.
Segundo o comunicado de imprensa, lido pelo director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Governo, Alexandre Niyùca, os participantes avaliaram o relatório anual de execução financeira de despesa do exercício económico do ano de 2016 e constataram com agrado o referido exercício que se quedou numa cifra de 95,54 por cento.
Sobre os caminhos-de-ferro, os participantes à primeira sessão ordinária reiteram a necessidade da comunhão de esforços entre o Governo Provincial e o Conselho de Administração do CFM, para a melhoria do desempenho desta empresa pública de transportes, em benefício da população local.
Os membros à reunião apreciaram ainda o ante-projecto do regulamento sobre a utilização do Pavilhão Welwitschia Mirabilis, apontando para a necessidade de se conceder uma melhor gestão àquela infra-estrutura desportiva.
Apreciaram igualmente o regime jurídico referente ao salário mínimo do trabalhador doméstico, bem como tomaram conhecimento do comunicado final do Conselho de Gestão Integrada dos Recursos Biológicos e Aquáticos, realizado em Dezembro de 2016, o relatório referente ao workshop sobre a “Justiça Juvenil”, organizada em Novembro de 2016, bem como as projecções da população do Namibe de 2015 a 2050, com o Serviço Provincial do Instituto Nacional de Estatística.

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