Províncias

Família com deficiência congénita recebe apoios

Quinito Kanhameni | Ondjiva

Num kimbo em  Ofitu Unene a leste da cidade de Ondjiva no Cunene, vive a família Haindingili, portadora de má  formação congénita hereditária e composta por 12 pessoas. As ajudas têm sido fundamentais para a sobrevivência

Família Haindingili suporta várias vicissitudes mas está esperançada que dias melhores vão surgir
Fotografia: Quinito Kanhameni

Num kimbo em  Ofitu Unene a leste da cidade de Ondjiva no Cunene, vive a família Haindingili, portadora de má  formação congénita hereditária e composta por 12 pessoas. As ajudas têm sido fundamentais para a sobrevivência

Angélica Ndeuhaluka rasteja com as pernas e os braços dobrados. Com 60 anos, é a mais velha de seis irmãs, todas portadoras de deficiência congénita herdada do pai que, em vida, se deslocava com a ajuda de muletas. “Sou mãe de três filhos, dois dos quais fisicamente normais e outro deficiente. Quatro das minhas irmãs mais novas geraram, cada uma delas, pelo menos um filho com má formação. No total, somos doze, entre filhos, sobrinhos e netos, com problemas de locomoção”, explica.
O pai de Angélica fazia parte de uma família de oito irmãos, dois dos quais são portadores de deficiência congénita, o que a leva a acreditar que herdaram o problema, ela e as irmãs, por via paterna, uma vez que na família da mãe ninguém sofre da doença.
Emília Ndapwohoni, uma das irmãs, de 54 anos, apesar de estar desprovida dos membros inferiores e superiores, diz necessitar de instrumentos de trabalho, principalmente de uma charrua para poder cultivar a terra, já que os meios agrícolas recebidos há três anos do governo já não funcionam. Mas à parte isso, as rimas estão de acordo quanto à gratidão que sentem para com o esforço que o governo tem desenvolvido no sentido de as ajudar.
 “Temos água, assistência médica e abastecimento alimentar trimestralmente”, explica Epifania Ndahambelela, a irmã mais nova, que também rasteja para se deslocar. Em tempos recebeu um triciclo manual que a ajudava, diariamente, a movimentar-se, mas este avariou-se por falta de câmaras-de-ar e pneus. 
Ainda chegou a receber um segundo triciclo, mas era grande demais para o seu tamanho, o que a impossibilitava de pedalar e por isso decidiu oferecê-lo ao sobrinho. Epifánia sonha com um triciclo, ou uma cadeira de rodas, de dimensões mais reduzidas e com pneus que facilitem a sua movimentação no areal.  

Minimizar  as dificuldades

Para suprir algumas necessidades, a família recebeu 13 cabeças de gado bovino, duas charruas, quatro carroças para fomento agrícola e transporte das mercadorias. Estes meios foram disponibilizados pelo governo da província, com o intuito de minimizar a carência alimentar no seio da família Haindingili. Simultaneamente, receberam doações das Igrejas Adventista do Sétimo Dia e Tocoísta, e de algumas Organizações Não Governamentais,  que consistiram em roupas usadas, produtos alimentares e colchões.
Perpétua Ndilimeke, funcionária da Direcção Provincial da Assistência e Reinserção Social, disse que há sete anos que a instituição presta apoios à família Haindingili, particularmente fornecendo-lhe instrumentos de trabalhos, animais de tracção, alimentação, vestuário, triciclos manuais e cadeiras de rodas. Esta responsável disse ainda que, por falta de um centro social para acolher os deficientes físicos e outras pessoas carentes, eles estes têm de viver com as famílias, acrescentando que o Minars local  seleccionou 20 deficientes físicos para frequentarem cursos de formação profissional em Ondjiva, nas especialidades  de mecânica, gestão, informática, estatística e contabilidade.   
     
Habitação condigna

 
Graças à conclusão de um projecto de construção composto por seis casas de blocos e cobertas de chapa, em substituição das dez antigas de pau-a-pique, o problema habitacional da família Haindingila será resolvido nos próximos dias, segundo Perpétua Ndilimeke. Até aqui, têm tido de partilhar uma cubata para vários membros, sem o mínimo de higiene. Situado dez quilómetros a leste de Ondjiva, o kimbo é composto por dez cubatas de pau-a-pique cobertas de capim e duas barracas de chapa que servem de dormitórios, cozinha e dispensa. No espaço funciona um posto médico assegurado por uma enfermeira e onde é atendida toda a comunidade. As patologias mais frequentes são a malária, as diarreias agudas, conjuntivite, tosse e doenças respiratórias. O posto, que funciona numa tenda, é abastecido regularmente de medicamentos essenciais. A preocupação reside na falta de uma infra-estrutura definitiva para o seu funcionamento.
Instalada para acolher os serviços de saúde, não oferece condições para a conservação de fármacos devido às elevadas temperaturas altas que ali se fazem sentir.
As chuvas e os ventos que se abatem sobre o local são outros males, segundo a enfermeira Verónica Ndawapeka. A técnica sanitária reclamou a urgência de se construir um local mais condigno.
O kimbo conta ainda com um sistema de captação de água subterrânea, alimentado por uma placa solar, para o bombeamento do líquido para um tanque de dez mil litros e um bebedouro para gado, financiado pelo Fundo Lwini. À volta, existe um vasto terreno de aproximadamente oito hectares para a prática da agricultura de subsistência, preparado pelos sobrinhos e vizinhos, com ajuda da Direcção Provincial da Reinserção Social.
Nas proximidades do kimbo, existe uma escola na qual as crianças deficientes e outras da zona frequentam as aulas. A Direcção da Assistência e Reinserção Social serve um total de 1.578 pessoas entre portadoras de deficiências congénita e de guerra distribuídas pelos cinco municípios da província.

Tempo

Multimédia