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Famílias desalojadas no Uíge recebem ajuda do Governo

António Capitão | Uíge

As chuvas, acompanhadas de fortes ventanias e granizos, que caíram, no final de semana, na província do Uíge, provocaram a destruição cerca de 200 casas, deixando sem abrigo mais de mil pessoas.

Candombe, Caquiuia, Mbemba Ngango, Dunga, Pedreira, Catapa, Kilala, Cacole, Bem-Vindo e Papelão são alguns bairros afectados
Fotografia: Filipe Botelho

As chuvas, acompanhadas de fortes ventanias e granizos, que caíram, no final de semana, na província do Uíge, provocaram a destruição cerca de 200 casas, deixando sem abrigo mais de mil pessoas.
Igraça José, 35 anos, foi uma das vítimas. Mãe de seis filhos, vive com o marido há mais de um ano no bairro GAI, onde, a família adquiriu terreno e construiu uma casa de cinco quartos. O drama começou na madrugada de sábado, quando todos ainda dormiam.
Igraça José disse, ao Jornal de Angola, que viu o tecto da casa voar como “um disco voador dos filmes de ficção”. Para salvar a vida, a família procurou abrigo no quarto de banho exterior, que também não garantia segurança. Passados alguns minutos, as paredes caíram e foram obrigados a pedir auxílio na casa de um vizinho.
A mulher afirmou que, com o pânico, somente teve tempo de levar consigo algumas roupas e documentos escolares. Amigos do alheio levaram-lhe o pouco que lhe sobrava.
“Conseguimos esta casa com muito sacrifício. De repente, ficamos na rua, a pedir abrigo e alimentação aos vizinhos. Quase tudo ficou destruído e os gatunos fizeram o favor de levar algumas coisas”, lamentou.
A casa de Igraça José não estava construída em lugar de risco. Mas, a construção não obedecia aos padrões técnicos. Agora quer reerguê-la com maior segurança, mas precisa de chapas de zinco e de barrotes, que não tem.
“Os adobes não se partiram todos, ainda conseguimos levantar as paredes. Esperamos que o governo nos apoie”, disse.
Dienda Betty tem 29 anos. Regressou a Angola em Outubro de 2009, expulso da República Democrática do Congo. Técnico superior de laboratório, adquiriu terreno no bairro Mongualhema e construiu um quarto.
Agora, outra vez sem tecto, recorda o drama vivido há cinco meses e pede que lhe arranjem emprego para garantir o sustento e contribuir no desenvolvimento do país.
“Sou um jovem formado e posso contribuir para o desenvolvimento do país. Preciso de trabalhar, de ter uma fonte de rendimento e de reconstruir a minha casa, talvez até maior do que a anterior”, disse.
João Ernesto, 32 anos, também perdeu a casa construída há seis meses. Pai de quatro filhos, vivia com a mulher e dois irmãos no bairro Mongualhema. Com todos haveres ao relento, disse, ao Jornal de Angola, que tem necessidade se instalar com a família num lugar que garanta maior segurança.
 “Construí neste local porque foi aqui que consegui um terreno a preço compatível com o meu bolso. O local não oferece segurança, mas o que fazer? Já recebemos garantias do governo da província, que vamos receber terrenos em zonas devidamente urbanizadas, com água corrente, luz eléctrica, serviços de saúde, bombeiros. Espero que seja em breve”, rematou.
 
Governo avalia situação

O vice-governador para Organização e Serviços Técnicos visitou os bairros GAI e Mongualhema, no município do Uíge, onde avaliou os estragos causados pelas enxurradas.
Nazário Bomba, que se fazia acompanhar de alguns elementos da Comissão Provincial de Protecção Civil e da Direcção Provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social (MINARS), garantiu que o governo provincial vai procurar soluções para acudir às vítimas.
“A construção de casas em locais de risco e sem orientação metodológica e técnica está na base deste triste acontecimento”, referiu.
O vice-governador do Uíge apelou aos sinistrados que não voltem a reerguer as casas nos mesmos locais, uma vez que os serviços de meteorologia perspectivam fortes chuvas nos próximos dias.
 “É necessário que todos os que perderam as casas sejam transferidos para locais seguros, devidamente urbanizados e que tenham acesso a vários serviços sociais, como o policiamento, bombeiros, saúde, educação, luz eléctrica, água e ruas asfaltadas”, disse, adiantando que “o governo da província vai identificar e lotear terrenos para serem entregues” a estas pessoas.
Nazário Bomba afirmou que os prejuízos são maiores dos que os que são conhecidos, pois ainda não há um levantamento completo da quantidade de casas destruídas e de famílias desalojadas.
 “Ainda é prematuro falar de números exactos e ditarmos as estratégias que vão ser tomadas. Logo que tenhamos dados definitivos, procuramos soluções”, salientou.
 
Apoio imediato

A direcção provincial do MINARS vai criar campos de acolhimento provisórios onde vão ser instaladas tendas para acolher as mais de 200 famílias que perderam as casas devido às chuvas de sábado.
A directora provincial da Assistência e Reinserção Social, Adelina Alexandre, afirmou que, além das tendas, os sinistrados vão ter alimentação, roupa usada e cobertores.
Candombe, Caquiuia, Mbemba Ngango, Dunga, Pedreira, Catapa, Kilala, Cacole, Bem-Vindo e Papelão são alguns bairros periféricos da cidade do Uíge onde as casas são construídas de forma anárquica em locais de risco.

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