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Formação profissional é grande aposta

Valter Gomes | Uíge

No Uíge há cada vez mais jovens a frequentarem os centros e pavilhões de artes e ofícios. No Centro de Formação Profissional do Quituma, localizado a cinco quilómetros da cidade do Uíge, os jovens que frequentam os cursos identificam-se pelas cores dos seus uniformes.

O centro funciona com sete formadores para os mais de 100 jovens matriculados. No seio dos formandos prevalece o espírito de unidade, respeito e partilha de conhecimentos. Todos procuram dar o seu melhor.
Colina Augusto, 19 anos, é uma das formandas que   concluiu o ensino médio na Escola de Formação de Professores do Uíge e se matriculou  no curso de corte-e-costura do Centro de Formação Profissional do Quituma com o objectivo de abrir o seu próprio negócio.
“Já estou em condições de coser fatos para homens e mulheres, camisas, batas escolares, uniformes para empresas e outros vestuário. Por isso já me sinto preparada para trabalhar por conta própria ou em qualquer instituição onde possa aplicar as técnicas adquiridas durante a formação”, disse a jovem. Para João Pedro, um jovem de 20 anos que já concluiu o curso de electricidade-auto, a abertura de um centro profissional no bairro Quituma permite a muitos jovens  adquirirem competências profissionais sem necessitarem de se deslocar para outras localidades.

Aprendizagem é boa

“Aprendi muito nesta oficina e ganhei o meu primeiro emprego aqui mesmo. Hoje soluciono todo o tipo de problemas eléctricos em qualquer viatura e sinto-me confortável porque o salário que ganho serve para sustentar os meus estudos e a família”, disse.
O jovem, que também frequenta o curso de Mecânica de Motores no Instituto Politécnico “Manuel Quarta Punza”, lembrou que antes de aprender a profissão vendia roupas e calçado no Mercado da Feira, no bairro Catapa, arredores da cidade do Uíge.
Aos 22 anos de idade, Michael João sonha ser um dos maiores reparadores de bombas injectoras. “Pretendo com a profissão de mecânico encontrar   trabalho e organizar o futuro para a minha família”, disse.
O responsável da oficina de mecânica do centro, António Malamba, explicou que ela é frequentada por 20 aprendizes, quatro dos quais técnicos. “Eles estão a ajudar a formar outros”, disse, e acrescentou que na oficina os jovens aprendem a reparar todo o tipo de viaturas com problemas no motor, caixa de velocidades, bombas injectoras e electricidade.
O centro funciona desde o ano passado e já lançou para o mercado de trabalho 33 jovens, que frequentaram os cursos de corte-e-costura, Mecânica e electricidade.
“Formamos os jovens para depois empregá-los aqui mesmo, para que não possam ficar muito tempo fora do mercado de trabalho”, disse o director do centro, Júlio Gilberto, que acrescentou que o objectivo da criação da instituição é ajudar as pessoas desempregadas e que não têm quaisquer possibilidades de pagarem propinas mensais numa unidade privada de formação profissional.
Estão disponíveis mais de 100 vagas para os jovens interessados em se inscreverem nos cursos de mecânica, electricidade-auto, serralharia e corte-e-costura. Para o curso de electricidade o centro recebe jovens com a sexta classe concluída, enquanto para os cursos de mecânica e corte-e-costura não são exigidas habilitações literárias. “Os candidatos devem ter apenas habilidade para frequentarem os cursos”, esclareceu o director.
Mais centros profissionais
O director do Centro de Artes e Ofícios do Quijima, Bozardo Bongo, defendeu a necessidade de abertura de mais centros para permitir o enquadramento de mais jovens interessados na formação profissional.
“Gostávamos que o Governo prestasse maior atenção e apoio aos centros de formação profissional já existentes, porque a formação profissional permite à juventude alcançar facilmente trabalho e a sua estabilidade social”, disse.
O centro do Quijima é frequentado por 110 jovens matriculados nos cursos de mecânica, construção civil, informática, alvenaria e electricidade..
“Aqui também administramos o curso de empreendedorismo, que está a ajudar muitos jovens na criação das suas próprias empresas”, disse. Bozardo Bongo encorajou a juventude a apostar com mais dinamismo na formação profissional, por constituir a via mais eficiente e fácil de alcançar a  estabilidade na vida e contribuir para a redução do desemprego no seio da juventude.

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