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Fraca adesão de passageiros nos autocarros alonga o período de espera nas paragens

Flávia Massua | Saurimo

Maria João, vinte e cinco anos, altura média, aspecto respeitável, cabeceia, ao lado do fillho que aparenta ter três anos, deitado numa das cadeiras laterais, no interior do autocarro de marca Mercedes, pintado a branco e laranja, com a matrícula LD 72-66 CA, com destino à cidade de Luanda.

Os autocarros tanto das rotas urbanas como inter-provinciais circulam quase vazios
Fotografia: Flávia Massua

Maria João, vinte e cinco anos, altura média, aspecto respeitável, cabeceia, ao lado do fillho que aparenta ter três anos, deitado numa das cadeiras laterais, no interior do autocarro de marca Mercedes, pintado a branco e laranja, com a matrícula LD 72-66 CA, com destino à cidade de Luanda.
A tristeza, gerida com silêncio, ressalta dos semblantes dos mais de 40 ocupantes, que há seis horas aguardam pela partida do transporte, imobilizado por conta do motorista e ajudantes, todos ausentes do parque anexo a casa de artesanato Zwo Lietu, no mercado de Kandembe, arredores da cidade de Saurimo.
A dificuldade de passageiros, notória nos quatro restantes autocarros, de médio e grande porte, no mesmo local, contrasta com a infinita paciência dos viajantes, que pagam seis mil kwanzas pela viagem de aproximadamente mil e 50 quilómetros de estrada farta de irregularidades.

Concorrência reduzida

A concorrência baixou, refere Filipe Mendonça, condutor de um dos autocarros, de médio porte, habituado ao exercício de espera por passageiros, numa cidade onde “os preços constrangem o visitante”, ávido pelo regresso, dificultado essencialmente pela fraca adesão de passageiros. O homem da estrada destaca a ocorrência de furos nas rodas e fugas no sistema de alimentação, provocados por inúmeros buracos que aos poucos invadem a via, abastecimento de combustível de qualidade duvidosa, no mercado informal, fraca qualidade do tapete asfáltico e condução desregrada por parte de automobilistas, “que tornam a estrada numa selva, onde predomina a lei do mais forte”.

Horários estrangulados

As circunstâncias do momento anulam metas em termos de cumprimento de horário e tempo de viagem. “Circulamos em função das disponibilidades, respeitando a vida, sem pressa, para chegarmos seguros ao destino”, disse Filipe Mendonça, argumento pactuado pelo passageiro Domingos David, apenas insatisfeito com as intermináveis paragens, aparentemente injustificadas, feitas pelos motoristas, e o longo tempo de espera antes da partida.

"Kupapatas" ofuscam autocarros

As rotas urbanas são asseguradas por 85 autocarros, distribuídos por cinco unidades, geridas por quatro operadoras de transportes públicos, mas a eficiência dos “kupapatas” ofusca o desempenho dos autocarros, pois os passageiros dizem serem aqueles mais rápidos do que estes últimos, com a vantagem de que podem deixá-los à porta de casa.
Segundo o director provincial dos Transportes, Francisco Txipengue, o nível de adesão ao associativismo é débil.  Dos vinte taxistas inscritos na associação 16 desistiram, inconformados com “o protagonismo ilícito, imposto pelos motoqueiros (kupapatas)”.
“A deterioração das vias para o interior acelera o ritmo e impacto das avarias, na frota de autocarros cedidos às operadoras SERGE e ACJ”, disse Francisco Txipengue.

Apelo

Francisco Txipengue reconhece dificuldades no controlo do complicado cenário no exercício de táxi, suporte de sobrevivência para muitos jovens desempregados na cidade de Saurimo, e apela aos utentes de motorizadas e viaturas responsabilidade no exercício da sua actividade, para que a ânsia pelo lucro “não desemboque em luto para as famílias” e multas por incumprimento das leis.

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