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Fuga à paternidade em análise na província do Uíge

Valter Gomes | Puri

O elevado índice de casos de fuga à paternidade que se registam no município do Puri, na província do Uíge, está a preocupar as autoridades locais, afirmou ontem naquela localidade, o chefe em exercício da Secção Municipal da Família e Promoção da Mulher.

Vista parcial da cidade do Uíge onde são traçadas novas estratégias para combater os casos de fuga à paternidade no interior da província
Fotografia: Mavitidi Mulaza

Elias Armando, que fazia o balanço da IX edição da mesa redonda “Café na Caneca”, promovida pelo secretariado provincial do Movimento Nacional Espontâneo, disse que, no município do Puri, todas as semanas são registados muitos casos de fuga à paternidade, em que os protagonistas são maioritariamente jovens e adolescentes.
O responsável apontou que a falta de diálogo no lar, o fraco poder financeiro dos pais e a irresponsabilidade destes, como resultado da sua imaturidade, são os principais factores que levam à separação dos casais ou à rejeição dos filhos.
A par da fuga à paternidade, acrescentou, tem-se verificado também o surgimento de vários casos de violência doméstica, caracterizados essencialmente por agressões físicas, sexuais e psicológicas.
O sociólogo Neves Lundemico Luvunga considerou a situação preocupante e aconselhou os progenitores no sentido de primarem cada vez mais pela educação dos filhos, transmitindo valores morais, cívicos, culturais e outros princípios capazes de contribuir na construção de famílias sãs. O também director da Escola do II Ciclo do Ensino Secundário de Maquela do Zombo, que dissertou sobre “A fuga à paternidade”, sublinhou que, dentro do contexto de uma determinada família, ser pai implica ter uma visão sistemática de olhar para o relacionamento que se constrói na mesma. Esclareceu aos participantes que a fuga à paternidade é a rejeição ou abandono dos progenitores no sustento da criança e sublinhou que a perda de valores morais de muitos progenitores e a falta de entendimento entre os casais tem levado a que muitos pais tomem decisões irreflectidas, que influenciam negativamente no desenvolvimento da criança.
“Há pais que manifestam comportamentos irresponsáveis perante os filhos. Esquecem que os mesmos necessitam de assistência alimentar, educacional, habitacional, vestuário e outros. Mas existem também muitas crianças sem registo de nascimento, devido ao desentendimento dos progenitores ou à negligência destes, impedindo-as de frequentar a escola por falta de documentos”, referiu.
Para o sociólogo Neves Luvunga, os problemas sociais, a questão da ética e da moral, a pobreza e a irresponsabilidade dos próprios pais estão na base do cenário triste que diariamente se regista no seio das famílias angolanas, cujas consequências são dramáticas não só para as famílias afectadas, mas também para a sociedade em geral.
“Uma criança sem acompanhamento dos seus progenitores na fase da adolescência torna-se frustrada e abraça a delinquência. Nenhuma criança pede para vir ao mundo, são os pais que promovem o surgimento delas, por isso devem cuidá-las bem e conduzi-las ao caminho certo”, apelou.
O secretário provincial do Movimento Nacional Espontâneo (MNE) no Uíge, Manuel Figueiredo Mateus, reforçou que a fuga à paternidade é um mal punível por lei e que em nada contribui para o desenvolvimento do país. “O nosso país está em franco desenvolvimento e necessita de homens fortes e capazes”, disse.
Manuel Figueiredo precisou que as famílias devem estar cada vez mais unidas em torno do trabalho, para garantir o sustento das crianças. O responsável do MNE lembrou que o país enfrenta uma crise financeira originada pela queda do preço do barril do petróleo no mercado internacional, mas referiu que o Executivo já concebeu medidas estratégicas para se ultrapassar esta fase.
O secretário provincial do Movimento Nacional Espontâneo encorajou os munícipes do Puri no sentido de aumentarem a produção agrícola, contribuindo desta forma no processo de diversificação da economia.

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