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Fundos públicos e privados modernizam Chimalavera

Sampaio Júnior |em Benguela

O Parque Regional da Chimalavela, em Benguela, está a ser reabilitado no âmbito de uma parceria entre o Governo de Benguela e a empresa privada Imogestin, que opera na província no ramo do turismo e hotelaria. O contrato de concessão tem a validade de dez anos renováveis.

Mesmo enquanto decorrem os trabalhos de reabilitação o parque já é procurado por muitos aficcionados da vida natural
Fotografia: Sampaio Júnior

O Parque Regional da Chimalavela, em Benguela, está a ser reabilitado no âmbito de uma parceria entre o Governo de Benguela e a empresa privada Imogestin, que opera na província no ramo do turismo e hotelaria. O contrato de concessão tem a validade de dez anos renováveis.
Em Janeiro foram inauguradas, dentro do parque, áreas de lazer para turistas, reabilitadas no quadro da intervenção da Imogestin. O engenheiro Carlos Alves, gestor do empreendimento, disse à reportagem do Jornal de Angola que as zebras, cabras das pedras e chacais, que em tempos idos proliferavam na reserva natural desapareceram devido à perseguição de que eram vítimas por parte dos caçadores furtivos.
De acordo com o gestor, a empresa concessionária vai realizar o repovoamento do parque com outras espécies de animais, que se adaptem facilmente às condições naturais existentes. Uma equipa da Imogestin deslocou-se à República da Namíbia para pesquisar os animais selvagens a adquirir no âmbito do projecto de melhoramento e diversificação progressiva das espécies habitantes da Chimalavera. 
Consta do programa de modernização do parque a entrada em funcionamento de novos serviços para atrair os benguelenses e turistas de outras regiões do país e do mundo. Carlos Alves assegurou ao Jornal de Angola que o betão armado não vai substituir a beleza que a natureza proporcionou ao parque: “Tudo está a ser feito para conservar a natureza”, garantiu. 
A exploração do Parque Regional da Chimalavera não vai desenvolver áreas para além das comerciais e de lazer. As autoridades governamentais pretendem que sejam criadas condições que facilitem a actividade de investigação científica, a cargo da Universidade Katyavala Bwila e da Direcção Provincial da Educação.
O Governo da província de Benguela quer fazer do  Parque da Chimalavela um centro de excelência para acampamento de estudantes e escuteiros e um centro de transmissão de acções e conhecimentos pedagógicos aos cidadãos sobre conservação e comunhão  com a natureza que contribuam para o resgate dos valores da família.
“Os parques jogam um importante papel na preservação dos ecossistemas naturais, apesar da sua gestão ser ainda um bico-de-obra devido aos elevados custos de reabilitação e manutenção”, referiu o engenheiro Carlos Alves.  “Estamos a erguer esta importante infra-estrutura do lazer e do saber. A partir de agora professores e estudantes têm aqui espaço para fazerem estudos, colectiva e individualmente. O sítio é calmo e seguro, nos dias que antecedem o fim-de-semana”, acrescentou.
Numa altura em que as autoridades da Educação estão preocupadas com a qualidade do ensino, professores e estudantes têm mais um centro para a realização de pesquisas. “A infra-estrutura deve ser um centro de excelência para a investigação científica no domínio da ecologia, biologia e outras ciências da vida humana”, reafirmou o gestor Carlos Alves.

Regedor satisfeito

O regedor do município da Baía Farta, Pedro Paulo, reconheceu os esforços feitos para a modernização do Parque Regional da Chimalavera. Segundo a autoridade tradicional, “a população está satisfeita só de saber que o parque, nos próximos tempos, vai ficar mais bonito, com condições de maior segurança para os animais e que os caçadores já não têm facilidades para caçar as cabras de leque e outros animais que ainda se encontram no parque”.
De acordo com regedor, o tempo da caça ilegal acabou, devido às acções empreendidas pelos fiscais do Instituto de Desenvolvimento Florestal e pela Polícia Nacional, que mantêm um combate cerrado aos caçadores furtivos. Segundo a autoridade tradicional, as populações que vivem perto do parque estão sensibilizadas e sempre que registam algo estranho que atente contra a vida dos animais, sabem como alertar as autoridades.
“O problema não é só com a caça ilegal. Existem outras acções perigosas, como o abate indiscriminado de árvores, que nos últimos tempos tem vindo a diminuir devido às fortes medidas da Polícia Nacional, ao trabalho dos fiscais do IDF e às autoridades tradicionais. Temos conversado regularmente com a população para evitar esta prática”, disse o regedor Pedro Paulo.
O regedor da Baía Farta anunciou a existência de um programa da Administração Municipal que visa a retirada dos currais existentes nos arredores do parque, pelo facto do gado interferir na vida ambiental da área de lazer.
O gado precisa de grandes quantidades de pasto e as pastagens existentes mal chegam para os animais que estão sob protecção no Parque Regional da Chimalavera.
A administração do parque tem levado a cabo um diálogo permanente com os criadores de gado no sentido levarem os seus animais para outras localidades com condições propícias para a sua criação. Uma das localidades é a comuna do Dombe Grande, onde existe um rio e muito pasto, o que é ideal para a criação do gado bovino.
A administradora municipal da Baía Farta, Maria João, disse ao Jornal de Angola que a modernização do Parque da Chimalavera vem contribuir para o desenvolvimento do município, que já tem motivos de atracção turística como as belíssimas praias da Baía Azul, Caotinha e Chamume.

Muitas dificuldades

Os locais turísticos do município da Baía Farta precisam de estar dotados de serviços e condições adequadas para facilitar a vida dos turistas, a começar pela asfaltagem das estradas de acesso, construção de redes de drenagem das águas das chuvas, instalação de condutas para o transporte de água potável, corrente eléctrica e serviços de telecomunicações.     
Só com estes e outros serviços essenciais a rentabilidade dos locais de turismo pode dar um salto qualitativo. “Benguela tem fortes potencialidades que devem ser exploradas. É com esta visão estratégica que estamos a actuar nesta região para a expansão dos negócios”, disse José Rodrigues, administrador da Imogestin. “Estamos a construir complexos habitacionais na Restinga do Lobito, e vamos estender os nossos serviços ás províncias do Huambo e Malange”.
Segundo José Rodrigues, a acção da sua empresa está também voltada para a valorização da sociedade: “é a pensar nas escolas e na juventude que estamos a investir na recuperação do Parque da Chimalavera. Não estão em causa os valores aplicados e por investir, apesar de não ser nada barato. O que de imediato estamos a pensar é nos valores morais a conquistar com o funcionamento do parque”, disse o administrador José Rodrigues.         
O projecto de reabilitação concebido pela autoridade gestora do empreendimento, a Imogestin, prevê a criação de condições para fixação dos animais, a começar pela reabilitação dos bebedouros, uma vez que o parque não tem rios, lagos ou zonas alagadiças que retenham água. Desde que começou o interesse em devolver a vida a um espaço natural que ficou longo tempo adormecida, já se nota a presença de pessoas interessadas em visitar o privilegiado local de lazer.
O Parque Regional da Chimalavera é limitado a Norte pela estrada da Fazenda Santa Teresa e pelo Rio Marimbondo até à estrada de Canguengue-Chipupa. A Leste é limitado pela estrada Canguengue-Chipupa, desde o Morro Techima.
A Chimalavera compreende um planalto rodeado por montanhas. Dentro da reserva não existem rios nem lagos à superfície. A temperatura média anual é de 23,5° C e a humidade de 77 por cento. O mês mais frio é Julho, com uma média de 19,4° C, e o mais quente é Março, com 26,8° C. Chove em média 45 dias por ano, num total de 305 mm.
O tipo de vegetação dominante é a estepe, com algumas espécies de acácias.

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