Províncias

Furos de água atenuam efeitos da estiagem

Arão Martins | Lubango

A abertura de furos tem minimizado os efeitos da seca no município dos Gambos, onde nove dos 20 furos programados pelo Governo Provincial já fornecem água à população e ao gado de Cahuvi, Ompapa, Chioco, Chatena, Tchicana e Chinana, nas comunas de Tchibemba e Tchiange.

Uma munícipe é obrigada a partilhar a água com centenas de bois que se juntam no abeberamento feito de árvores de mutamba
Fotografia: Arão Martins | Gambos

Os habitantes daquelas comunas, mesmo assim, querem que sejam a­bertos mais furos por consideraram os que existem insuficientes para fazerem face aos efeitos da estiagem que se registou nos Gambos.
O secretário de Estado para os Assuntos Sociais do Presidente da República acompanhado pela vice-governadora da Huíla para o sector Político e Social, Maria João Tchipalavela, visitou o município dos Gambos e confirmou que a água dos furos é consumida de forma racional e que centenas de famílias se servem deles.
Num dos novos furos, Augusta Kecove, 34 anos, partilha a água com centenas de bois, que se juntam no abeberamento feito de árvore de mutamba. A movimentação dos animais leva-a a redobrar a atenção para não ser prejudicada.
O mesmo se passa com Abreu Liuvica, 13 anos, que quase se vê afastado dos bidões que quer encher por um dos animais que percorrem entre 20 a 30 quilómetros para poderem saciar a sede.
Fernando Kafiti, 65 anos, criador de gado bovino, confirmou ao Jornal de Angola que a situação da seca nos Gambos é crítica e que é preciso muita atenção das autoridades para se salvaguardar a riqueza do povo e vidas humanas.
“Reconhecemos o esforço que está a ser feito pelo Governo Provincial na abertura de furos e chimpacas, mas é insuficiente”, disse.
Devido ao número elevado de gado, declarou, a partilha do único sistema de abeberamento não chega e por isso devem ser abertos mais furos.

Risco de agravamento

O administrador municipal dos Gambos, Elias Sova, que referiu que os novos furos, funcionam com painéis solares, também declarou que os que estão em funcionamento são insuficientes para o consumo humano e do gado.
O pior, disse, é que a situação se pode agravar com a diminuição dos lençóis freáticos, o que a acontecer obriga o gado a percorrer distâncias ainda mais longas para encontrar pasto e água. />Mais de 38 mil pessoas entre as 155.159 que constituem a população dos Gambos receberam ajuda alimentar do Governo Provincial, de Organizações Não-Governamentais, empresários e de igrejas.
Elias Sova afirmou recear que a situação provocada pela seca se agrave nos próximos tempos se os apoios não continuarem a chegar ao município dos Gambos, onde a campanha agrícola 2012/2013 foi um fracasso. O director provincial de Energia e Águas da Huíla, Abel da Costa, disse que está a ser dada prioridade à captação de água para depois serem erguidas as infra-estruturas de apoio, concretamente reservatóios, lavandarias e abeberamentos. “Há mais áreas onde vão ser abertos furos de água e tudo está a ser feito, dentro das possibilidades financeiras, para o bem da população”, afiançou.
Os furos reabilitados e criados têm capacidade para bombear entre dois a cinco metros cúbicos por hora. A par dos furos, estão a ser criados em várias localidades 22 abeberamentos. Abel João da Costa também insistiu na importância de se aumentar o número de furos, pois “os que há não satisfazem as necessidades”.

Mais verbas

O secretário de Estado para os Assuntos Sociais do Presidente da República sublinhou que o principal problema detectado no município dos Gambos é falta de água, pelo que é preciso aumentar a sua quantidade.“É visível o empenho do Executivo e do Governo Provincial em abrir mais furos de água para o consumo humano e abeberamento dos animais, sobretudo das áreas afectadas”, disse Simão Helana.
 O secretário de Estado para os Assuntos Sociais do Presidente da República defendeu igualmente a conjugação de esforços para aumentar o número de chimpacas para a retenção e armazenamento de água na época chuvosa.

Tempo

Multimédia